Estreia nesta sexta 'Serra Pelada', longa que revive a corrida do ouro brasileira

Longa brasileiro e protagonizado por Juliano Cazarré e Júlio Andrade

por Gracie Santos 18/10/2013 06:00

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Fotos: Warner Bros/Divulgação
Juliano Cazarré e Júlio Andrade correm atrás do sonho de ganhar muito dinheiro em Serra Pelada (foto: Fotos: Warner Bros/Divulgação)
Como ninguém pensou nisso? A pergunta que se fez próprio diretor Heitor Dhalia é mais que procedente. Afinal, antes dele ninguém filmou a história de Serra Pelada, sonho dourado que mexeu com o imaginário e mudou o destino de muitos no Brasil dos anos 1980. A resposta, o próprio Dhalia descobriu durante as filmagens e revelou em entrevista recente, durante o Festival do Rio, onde o longa foi exibido: “Era quase impossível de ser feito. Era muito complexo. Foi o filme mais difícil que já realizei".

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Dhalia não conseguiu rodar no Pará. Faltaram recursos e a equipe esbarrou na desaprovação por parte do governo. Resultado: a Serra Pelada do diretor pernambucano foi transportada para Paulínia, São Paulo. O longa, é verdade, tem ares de superprodução (orçamento de R$ 10 milhões), atores do porte de Matheus Nachtergaele, Wagner Moura e Júlio Andrade, além de Juliano Cazarré (que cresce em interpretação no cinema e praticamente desaparece em papéis ruins na TV) e Sophie Charlotte (também fraca na televisão, em boa estreia no cinema). E tem ainda o trabalho autoral de Dhalia, a exemplo do que mostrou no incrível 'O cheiro do ralo' (2007).

Em cena, o diretor conduz personagens fortes até mesmo em suas fraquezas. O professor de Júlio Andrade deixa transparecer sua transformação naquele lugar que parece extrair o pior de cada um. É, na verdade, um conjunto de boas atuações, coroado pelo Lindo Rico, vilão a quem Wagner Moura deu voz branda e careca profunda, um cara que fala manso mesmo depois de apertar o gatilho. O longa mescla ação (tiroteios, brigas e confrontos intensos) a momentos de conflitos interiores e alguma dor de cotovelo. A trilha sonora também contribui para o ritmo, de forma espontânea e oportuna, com lambadas regionais.

Suor, sangue, terra, ouro, ganância, exploração do corpo e da alma, tudo vem à tona numa avalanche de acontecimentos que surgem como se fossem realmente inevitáveis quando dinheiro e poder estão em jogo. São quatro anos de história, a partir de 1980. Professor casado que espera o primeiro filho e está cansado de ganhar mal (nada mudou), Joaquim (Júlio Andrade) decide ir atrás de ouro em Serra Pelada. Na aventura em busca do tesouro, conta com o amigo de infância Juliano (Juliano Cazarré), este sim, não tinha nada a perder, ao contrário, queria mesmo era se livrar do agiota que estava no seu pé.

Os dois fazem pacto de amizade obviamente difícil de ser mantido, tantos os interesses e as diferenças entre eles. Dhalia mantém certo clima de suspense, em trama bem-escrita que, enquanto revive o que certamente moveu as relações na região, revela o embate entre gente com a visão turva pelo sonho de enriquecer a qualquer custo. Bela é a cena em que Joaquim minera lambuzado de terra dourada enquanto arde em febre.

É falar em Serra Pelada e a imagem recorrente é aquela do formigueiro humano tingido de terra, cavando nas minas do sul do Pará. Ela está fielmente reproduzida no longa de Dhalia. Melhor: ele aproxima suas lentes da multidão para mostrar que cada uma daquelas pessoas era real. Plagiando a linguagem do filme, pode-se dizer que o diretor “bamburrou” (expressão usada no garimpo quando ouro e pedras são encontrados). Dhalia extraiu verdadeiro ouro de Serra Pelada.

Assista ao trailer do filme:


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