Astronauta Marcos Pontes fala sobre filmes de ficção espacial

Especialista em navegar pelo espaço comenta sobre o novo Gravidade

por Carolina Braga 13/10/2013 00:13

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Acervo pessoal
Astronauta brasileiro Marcos Pontes não perde um filme de ficção científica (foto: Acervo pessoal)
 

 

Quem não ficaria curioso em saber a opinião de um especialista em navegar pelo espaço (e olhe que eles não são tantos assim) sobre os filmes de ficção científica? Surfando na onda da estreia de Gravidade, do diretor mexicano Alfonso Cuarón, com Sandra Bullock e George Clooney, o Estado de Minas conversou sobre o “cinema espacial” com o astronauta brasileiro Marcos Pontes. Confira trechos da entrevista:

A lista de filmes que tentaram decifrar o universo é extensa. Algum deles conseguiu reproduzir com fidelidade a experiência de estar fora do planeta?
O filme Apollo 13(1995, de Ron Howard) foi perfeito nesse sentido.

O que falta para a ficção científica se aproximar da realidade?
Geralmente, os filmes se obrigam a colocar mais ação ou mais drama em uma forma condensada, para manter a atenção da audiência durante o filme (de 1h30 a 2h). Na vida real, os eventos são mais espaçados na linha do tempo e seria impossível um filme que mostrasse tudo de forma fidedigna nessa mesma escala de tempo.
 
Na trama de Gravidade a personagem principal chega a ficar à deriva nas estrelas. Em uma situação como essa, é possível o ser humano escapar com vida? Existe algum caso?
Se o astronauta estiver dentro do traje EMU (para atividades extraveiculares) e o traje estiver funcionando corretamente, ele terá de seis a nove horas de vida. Depois disso, ou faltará energia elétrica ou oxigênio. Isso acarretará morte por congelamento ou aquecimento, ou por falta de oxigênio. Se fora do traje, em questão de segundos ele terá o sangue fervendo (ebulição dos líquidos com o corpo exposto a muito baixa pressão – temperatura de ebulição reduz com a pressão, lembra?) e uma série de outros problemas que o levarão à morte, rapidamente. Outro detalhe importante é que o traje Sokol (da Soyuz ou da Shenzhou) não é projetado para atividades extraveiculares. Não tem oxigênio, exceto uma pequena garrafa de emergência, não tem sistema de controle de temperatura independente da espaçonave e não tem umbilicais de oxigênio e refrigeração longos para sair da espaçonave com eles.

O que chamou sua atenção em Gravidade?
Tentaram manter a audiência ligada o tempo todo, colocando uma longa sequência de panes e eventos catastróficos iniciados pela colisão com debris dos satélites destruídos. Essa colisão é uma possibilidade real. Contudo, a atividade extraveicular (EVA) ficou estranha... Por exemplo, eles não usavam os dois cabos previstos de ancoragem... Quando ela tirou o traje, faltou uma peça essencial, que é o traje de controle de temperatura. Ela estava de short e camiseta. Já a movimentação em zero g dentro da espaçonave foi perfeita... De forma geral, todos os procedimentos, como acoplamento e desacoplamento, abertura de hatches, acendimento de motores, separação de módulos, etc., foram muito simplificados.

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