Apesar da fiel recriação de época, 'O tempo e o vento' não tem fluidez

Longa de Jayme Monjardim tem Fernanda Montenegro como narradora da trama, que dá bela contribuição ao filme

por Carolina Braga 27/09/2013 09:40

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Jayme Monjardim/Divulgação
Fernanda Montenegro narra história sobre o conflito entre as famílias Terra Cambará e Amaral (foto: Jayme Monjardim/Divulgação)

Contar com uma atriz da envergadura de Fernanda Montenegro em um projeto não é para qualquer um. O diretor Jayme Monjardim diz que sempre teve noção desse privilégio. Não à toa, a versão que ele faz para cinema de 'O tempo e o vento' aposta pesado na presença dela, especificamente na tonalidade da voz, na cadência e, óbvio, na experiência com que nos conta essa que é história clássica da literatura brasileira.

 

Confira os horários e salas de exibição de 'O tempo e o vento' em Belo Horizonte

 

 

'O tempo e o vento', obra de Érico Veríssimo é um romance épico. Já o filme de Jayme Monjardim trata de memórias. As de Bibiana, personagem de Fernanda e até mesmo as suas, espectador. Seja no papel de leitor dessa saga gaúcha ou telespectador de algumas das adaptações da trama para a televisão. A recomendação, porém, é tentar se livrar das referências que por ventura já tem. 

 

Este é o segundo filme dirigido por Jayme e, curiosamente, a segunda adaptação literária. A primeira foi a biografia de Olga Benário. Em ambos os trabalhos, ele se valeu da experiência que tem com a TV e praticamente não propôs novidades ao seu estilo. Por exemplo, assim como nas novelas, as longas tomadas com céu colorido pelo pôr do sol ou mesmo paisagens naturais recheiam 'O tempo e o vento'. Os planos também são convencionais assim como a trilha sonora.

A tarefa de levar esse romance para o cinema é ambiciosa. 'O tempo e o vento' é uma trilogia que narra período significativo da história do Brasil, o que se passou no Rio Grande do Sul entre 1745 e 1945. A disputa das famílias Terra Cambará e Amaral ilustra tempos de guerra, de desbravamento e construção de um país.

Com orçamento de R$ 13 milhões, o longa é fiel na recriação da época. Nesse aspecto, destaque para o figurino, tanto o das mulheres, com vestidos delicados, como as vestimentas dos homens, muitos deles trajando as bombachas gaúchas.

Sendo Ana Terra (Cléo Pires) e Capitão Rodrigo (Thiago Lacerda) os dois personagens mais famosos de O tempo e o vento, é natural prestar mais atenção neles. O elenco, no entanto, é cheio de rostos conhecidos: Marjorie Estiano, Luiz Carlos Vasconcelos, Leonardo Medeiros, entre outros. Cléo teve tarefa árdua, já que papel foi muito bem defendido pela mãe na TV. A “nova” Ana Terra é diferente: mais sensível, mais sensual.

Curiosamente, no meio da trama a atriz é substituída por Suzana Pires, que nem aparenta ser tão mais velha assim. Ou seja, sem apostar na maquiagem para marcar a passagem do tempo, Monjardim investe em um “truque” da televisão que soa exagerado e desnecessário na telona. Ainda mais sendo O tempo e o vento uma produção tão esmerada em detalhes. Thiago Lacerda como capitão Rodrigo é cativante. O ator teve personalidade para compor o forasteiro, ex-combatente, capturado pelo amor de Bibiana, que decide enfrentar os chefes locais para ficar na recém- criada cidade de Santa Fé.

Mesmo que o filme opte por narrar a história a partir do ponto de vista da ansiã Bibiana, o roteiro assinado por Letícia e Tabajara Ruas não deu conta de lidar com os saltos temporais muito marcados na literatura de Veríssimo. Apesar de ter como trunfo uma potente narração – como é a de Fernanda Montenegro – para conduzir a saga, os frequentes saltos temporais comprometem a fluidez.

Assista ao trailer de 'O tempo e o vento':


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