Projetor do 46º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro para de funcionar e gera polêmica

Com o cancelamento da exibição de 'Os pobres diabos', de Petrus Cariry, muitos pediram o dinheiro de volta na bilheteria do Cine Brasília

por Estado de Minas 20/09/2013 07:30

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Daniel Ferreira/CB/D. A Press
(foto: Daniel Ferreira/CB/D. A Press)
Brasília – "Caótico!" Com essa expressão, buscando fôlego para respirar, o diretor de fotografia do longa-metragem 'Os pobres diabos', Petrus Cariry, descreveu parte da primeira noite de competição do 46º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Filho de Rosemberg Cariry, diretor do longa que teve a exibição suspensa, ele comentou que apenas parte do filme foi testada antes e, sim, o mesmo erro da noite havia sido detectado. O cancelamento levou o veterano Rosemberg, de 60 anos, às lágrimas. "É lamentável, lamentável. Peço desculpas ao público", disse. As novas exibições do filme foram marcadas para 22h30 de hoje, no Cine Brasília, e amanhã, às 10h, haverá projeção restrita à imprensa e à comissão julgadora. Com a medida, a programação do Festivalzinho (de sábado e domingo) foi cancelada.

"Nas outras cidades, o filme havia sido exibido em H.264 (sistema que comprime imagens digitais) e não teve problemas. Não haverá mudanças quanto ao júri popular. O problema foi que o processador ficou sobrecarregado, pelo excesso de uso. O teste foi feito para evitar esse tipo de falhas mas elas infelizmente ocorrem", observou o coordenador-geral do evento Sérgio Fidalgo. Ele, que também é coordenador do audiovisual da Secretaria de Cultura do Distrito Federal afirmou que não foi "culpa de ninguém", e completou: "Confesso a vocês que pessoalmente não me sinto seguro em relação a essa tecnologia". Ainda assim, Fidalgo acredita que o DCP (arquivo de armazenamento digital ) seja a melhor tecnologia para exibição digital, mas "depende de testes".

"Foi tomada uma decisão radical de trocar todo o servidor de imagem. Estou otimista de que não teremos mais problemas", disse o diretor de fotografia de 'Os pobres diabos', Petrus Cariry. A organização do festival, além de arcar com as despesas extras geradas pelo contratempo, esclareceu que o problema não deverá comprometer o resultado do júri popular. "Nas demais cidades da exibição do filme, como Ceilândia, Sobradinho e Gama, tudo correu bem. Além disso, teremos nova sessão, aberta ao público e amplamente divulgada", reforçou o coordenador da festa.

DEBANDADA

Na noite de quarta, foi Petrus Cariry quem, depois de acompanhar, no fundo da sala, levas de debandadas do público, determinou o fim da sessão, por volta das 23h25. "Tenho o festival em elevada conta, por isso estamos arrasados", disse a atriz Sílvia Buarque. O ator Everaldo Pontes, que representa o chefe do grupo mambembe retratado na fita, afirmou nunca ter visto algo parecido nas edições anteriores. "No tempo da película, sabíamos o que ocorria. Tecnologia digital é boa para quem faz e ruim para quem exibe", avaliou.

Também integrante do elenco, Chico Diaz, vencedor de dois Prêmios Candango de melhor ator, foi outro a desabafar: "Estou chocado, não sei o que dizer. Frequento o Festival de Brasília e nunca vi isso. O filme tem muito a dizer sobre o Brasil e foi interrompido quando a emoção ia começar". "É um constrangimento", emendou.

'Os pobres diabos' teve a exibição cancelada depois de três sucessivas falhas no som. O diretor do filme contou que, em prévias, no Ceará, foi tudo transmitido com qualidade. "Minha vontade é comprar uma passagem e ir embora daqui", chegou a comentar, entre lágrimas, no calor dos acontecimentos, no saguão do recém-inaugurado Cine Brasília. Ao custo de R$ 8,5 milhões, a reforma do espaço, diante de prazos vinculados a editais, não contou com aquisição imediata de novos equipamentos.

DEVOLUÇÃO

Preocupado com o impacto da falha no resultado do evento, o ator Gero Camilo fez coro de insatisfação na linha do que comentavam espectadores em geral. "Assim que percebemos o erro, bateu uma sensação de susto. O lado positivo foi ver que o público estava curtindo o filme e que compartilhou de nossa frustração", analisou. "A decepção é tão grande que é melhor não falar nada", lamentou a pesquisadora de cinema Berê Bahia. Considerando "desrespeitoso" o preço dos ingressos (R$ 12 e R$ 6), o cineasta Mauricio Chades reclamava: "É praticamente um valor de cinema comercial. E agora que não houve exibição, como vai ficar?".

A organização do festival explica que, de posse do canhoto do ingresso, os espectadores devem ir à bilheteria do Cine Brasília para ressarcimento de valores. No momento da falha, três bilheteiras listavam as pessoas (e respectivos RGs) para a devolução do dinheiro, desde a tarde de ontem disponível no local.

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