Festival Anima Mundi começa nesta quinta em BH, com exibição de curtas

Mostra tem mais exibições de 50 filmes de vários países. Evento vai até o dia 17 de setembro, no Oi Futuro

por Carolina Braga 11/09/2013 07:55

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Anima Mundi/Divulgação
'Selvagem' (Feral), de Daniel Sousa, está cotado para concorrer ao Oscar em 2014 (foto: Anima Mundi/Divulgação)

Era um sonho de menino. Quando ainda pensava no que iria ser quando crescer, o diretor Marco Nick se via imerso no mundo dos desenhos animados. Foi também naquela época, há 21 anos, que o Anima Mundi surgiu no Brasil. A proposta sempre foi garimpar o que melhor havia no gênero e agrupar em uma maratona cinematográfica. Além de não perder as atrações, Marco fazia planos. “Sempre quis fazer alguma coisa para ele”, conta.

O tempo passou, o jovem cursou design gráfico enquanto o Anima Mundi se tornou referência na América Latina. Finalmente se deu o encontro. 'Quinto andar', o primeiro curta-metragem da carreira de Nick, é uma das atrações da edição itinerante do Anima Mundi 2013 em Belo Horizonte. A partir dsta quinta-feira, ele divide espaço na grade de programação com os melhores trabalhos exibidos na edição competitiva realizada no Rio e em São Paulo. Os colegas de Marco vem da França, Estados Unidos, Letônia, Canadá, Irã, Rússia, Alemanha, além do Brasil.

Serão 50 trabalhos em cinco dias, além de oficinas, workshops e bate-papo com o norte-americano David Daniels. “Por questões de tecnologia e do desenvolvimento da linguagem audiovisual, que não está mais restrita aos profissionais, a animação está quase ao alcance de todo mundo. Está virando uma linguagem como a música, um modo de expressão pessoal”, comenta César Coelho, um dos diretores do Anima Mundi.

De 1,5 mil inscritos, 400 foram selecionados. Os melhores foram escolhidos para a etapa itinerante do Anima Mundi. “São artistas querendo dizer ao mundo ‘eu existo’, mesmo morando na Ásia, no Canadá, longe de você”, diz César. Mais uma vez, a variedade de técnicas é marca da safra. “Cada hora aparece um fazendo animação de um jeito diferente”, observa o diretor.

Desenho sobre papel, computação 3D, recortes, stop motion e tinta sobre papel são algumas delas. César Coelho chama a atenção para o fato de o desenvolvimento da animação estar diretamente ligado aos avanços tecnológicos. Curiosamente, com o passar do tempo, o uso do digital é o que tem definido as diferenças entre trabalhos com fins comerciais daqueles com pegada mais autoral.

“Você raramente vai encontrar aquela animação artesanal, que até alguns anos atrás era comum mesmo no mercado comercial. Por outro lado, mesmo aqueles que têm trabalho na grande indústria, quando querem fazer um trabalho autoral optam por este caminho”, distingue César Coelho. O recorte do Anima Mundi contempla essa tendência.

“O stop motion é uma das técnicas mais difíceis de realizar. Precisa de um artista para fazer tudo, não dá para colocar uma equipe. É um dos modos mais anticomerciais de se fazer animação”, explica o diretor. Pelo menos cinco filmes do festival são feitos dessa forma, muitas vezes em associação com outras. O inglês Macropolis e o canadense Uma garota chamada Elástica, por exemplo, misturam com animação de objetos. Já o americano Achados & perdidos opta por mesclar com massinha.

Vida urbana Campeão do Anima Mundi 2013, Selvagem (Feral) mistura desenhos no computador e também em papel. O trabalho, feito pelo português radicado nos Estados Unidos Daniel Sousa, é candidato a disputar uma das vagas destinadas à animação no Oscar 2014.

Quinto andar, filme de Marco Nick, foi feito totalmente no computador. Mesmo com técnica única, já nasceu tendo a experimentação como proposta. “É um curta de sete minutos que fala sobre a condição de vida nos grandes centros urbanos”, adianta o criador. O projeto, que sempre teve o Anima Mundi como meta, surgiu como trabalho final do curso de graduação e tomou outra proporção.

O filme também foi selecionado pela Mostra de Cinema de Tiradentes e Festival Internacional de Curtas de BH, além de outros eventos em Pernambuco e Goiás. “É muito bom pensar que a animação é uma linguagem que está saindo do lugar-comum. Quinto andar surgiu com a proposta de experimentar. É o resultado de uma experiência”, resume.

Anima mundi bh 2013

Abertura, quinta-feira, às 19h, Os fantásticos livros voadores do Sr. Morris Lessmore (Estados Unidos/2010); Uma garota chamada Elástica (Canadá/2012); Achados & perdidos (Estados Unidos/2012); Bi Bi Bi (Canadá/2012); A gota de mel (França/2012); O quiosque (Suíça/2013); Dance pra não dançar (França/2012); A última bela (Reino Unido/2011). Praça da Liberdade. Entrada franca.

» MOSTRA DE FILMES
De 13 a 17 de setembro, às 10h, 11h30, 14h, 16h, 18h e 20h
Local: Oi Futuro BH

Endereço: Av. Afonso Pena, 4.001, térreo, Bairro Mangabeiras
Ingressos: R$ 8 (inteira) e R$ 4 (meia)
Informações no site do evento.

Três perguntas para
Daniel Sousa
Diretor do curta Selvagem (Feral), vencedor do Anima Mundi 2013

Qual o desafio atual do cinema de animação?

Há muitos desafios para o curta de animação independente. O principal deles, pelo menos nos Estados Unidos, é o financiamento. Praticamente, não há suporte para filmes de animação. Os incentivos são usualmente muito pequenos e também muito competitivos, então é melhor não contar com eles. Banco meu próprio trabalho, seja realizando alguns projetos patrocinados ou voltados para educação. Além disso, a distribuição é praticamente inexistente para curtas-metragens. Uma alternativa é postar o trabalho on-line, de graça, ou participar do circuito de festivais.

O que para você define o experimentalismo na linguagem da animação contemporânea?

A experimentação na animação pode vir de formas diferentes. Ela pode ser uma técnica inovadora ou uma combinação delas. Também pode estar nos modos diferentes de se contar uma história, ou como você lida com o som. Todas as vezes que o artista sai da sua zona de conforto, estará experimentando e assumindo riscos. Os resultados podem ser satisfatórios ou não. É preciso sempre ter um olhar crítico para saber escolher o que manter e o que jogar fora. Em ambos os casos, sempre se estará aprendendo e adquirindo informações para trabalhos futuros.

Feral mistura técnicas digitais com desenho sobre papel. Para você, qual característica presente no filme tem despertado mais a atenção?
Mesmo que o aspecto do filme seja muito importante, espero que o que realmente interesse às pessoas seja a história e os temas que explora. É um filme sobre infância e como nós projetamos nossas noções sobre o que representamos para as crianças. Às vezes as vemos como folhas em branco, como anjos e como demônios. Em última análise, a técnica só é usada em serviço das ideias.

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