Sessão de abertura do Cine Ceará teve tom das manifestações que tomaram conta do país

Filme 'Se Deus vier, que venha armado' abriu a 23ª edição do festival, em Fortaleza

por Mariana Peixoto 09/09/2013 09:03

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Cine Ceará/Divulgação
Atores Vinicius de Oliveira, Ariclenes Barroso, Giulio Lopes e Leonardo Santiago e o diretor Luís Dantas (foto: Cine Ceará/Divulgação )

Fortaleza – “Deus mesmo, quando vier, que venha armado!” A frase é de 'Grande sertão: veredas' (1956), de João Guimarães Rosa. No entanto, o que gerou o título do longa-metragem de estreia do paulista Luís Dantas foi a apropriação dela feita pelo grupo de rap Pavilhão 9, também de São Paulo: 'Se Deus vier, que venha armado', faixa-título de álbum lançado em 1998. No filme homônimo – que teve sua primeira exibição pública na abertura da 23ª. edição do Cine Ceará, sábado à noite, no Centro Dragão do Mar –, a violência é o mote, mas a intenção do diretor é apresentar um viés diferente.


Durante 72 horas, três personagens terão suas trajetórias modificadas definitivamente. Damião (Vinicius de Oliveira) é um presidiário que conseguiu um indulto pelo Dia das Mães; Cléo (Sara Antunes) é uma atriz que atua numa oficina de hip-hop para jovens de uma favela; Palito (Ariclenes Barroso), um garoto manco que sofre bullying por causa do problema. O trio se encontra no meio de um ataque do Primeiro Comando da Capital. Junto desses personagens, a fita traz ainda a trajetória de um PM em seu primeiro dia de trabalho, um sargento corrupto e um trabalhador evangélico. Damião, que detona a narrativa, sai da cadeia com uma missão do PCC.


“É um filme com os peões. Não há um coronel, um comandante. São todos peões no meio da equação”, afirmou Dantas em debate ontem de manhã. Inicialmente, o filme se chamaria 'Cléo e Damião'. Somente há alguns meses ele mudou o título. “Ele pode gerar um pouco de confusão. Cadê os tiros, a porrada? Não é um filme de ação.” O comentário do diretor ocorreu depois de ele ter sido questionado sobre a longa cena inicial, em que uma jovem, numa bicicleta, entrega seu bebê a uma mulher. Não houve intenção alguma de entregar o jogo fácil para o espectador, apelando para o didatismo. Tanto que em meio à história há alguns momentos líricos, nada realistas.


Ainda que seja Vinicius de Oliveira o protagonista, os melhores momentos do filme são de Ariclenes Barroso, 20 anos, cearense criado em São Paulo. Aos 9 anos ele começou a fazer teatro com José Celso Martinez Corrêa e recentemente foi visto em 'Luz nas trevas' (Helena Ignez) e 'Tatuagem' (de Hilton Lacerda, eleito melhor filme de Gramado).


* A repórter viajou a convite da organização do Cine Ceará

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