Daniel Burman dirige 'A sorte está em suas mãos', que tem o músico Jorge Drexler como protagonista

A comédia é escolhida como gênero condutor em uma trama temperada na dose certa de romance

por Carolina Braga 30/08/2013 10:50

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Imovision/Divulgação
(foto: Imovision/Divulgação )
O músico uruguaio Jorge Drexler tem um Oscar em casa, pela canção 'Al otro lado del río', da trilha de 'Diários de motocicleta', do brasileiro Walter Salles. As conversas sobre a sétima arte também devem fazer parte do universo particular dele, já que é casado com a atriz espanhola Leonor Watling. Mesmo assim, seria muito esperar que da noite para o dia, logo na primeira experiência diante das câmeras, ele se tornasse um bom ator.

Pois não é que Drexler surpreende na pele do protagonista do novo filme do argentino Daniel Burman? Elogiado por longas como 'O abraço partido' (2004), 'Ninho vazio' (2008) e 'Dois irmãos' (2010), o diretor apostou no músico como o ator principal de 'A sorte está em suas mãos'. Obviamente, ele não chega à altura do talento de um Ricardo Darín, mas é uma alternativa simpática à onipresença do argentino nas telas. Darín inclusive aparece em uma divertida referência.

A comédia é escolhida como gênero condutor em uma trama temperada na dose certa de romance. Como é próprio dos filmes argentinos, nada muito adocicado. O ponto de partida da história é a decisão de Uriel (Drexler) de fazer uma vasectomia. Desiludido no amor, ele tem pânico de qualquer possibilidade de ter outro além dos dois filhos do primeiro casamento. Dono de uma financeira, toca a rotina se dividindo entre os cuidados com os meninos e o vício do jogo. Uriel é imbatível em uma mesa de pôquer, hábito que esconde de todos.

As emoções dos personagens estão em primeiro plano. Drexler segura a onda ao transmitir a insegurança daquele homem maduro sem que, para isso, precise se apoiar em qualquer tipo de discurso piegas. As mensagens estão nas sutilezas de olhar, no modo como a câmera “passeia” pelo cotidiano de Uriel. É também da maneira mais próxima – para não dizer íntima – que Burman insere o espectador na guinada do protagonista.

A reviravolta atende pelo nome de Glória (Valeria Bertuccelli), um amor do passado, que sumiu sem dar explicações e reaparece após uma temporada na França. Ambos desimpedidos, Uriel e Glória tentam construir algo diferente do que viveram na juventude. Ou seja, menos paixão e mais romantismo. Se isso é um recado para os casais de hoje, Burman o faz de maneira muito discreta. Ainda no elenco há a presença de Norma Aleandro, a grande dama do teatro argentino.

De ascendência judia, Daniel Burman contamina seu filme com referências à própria cultura. O cenário musical da Argentina dos anos 1980, por exemplo, tem até rabinos no palco. Precisamente a Trova Rosarina, movimento de música popular surgido em Rosário, caracterizado pela mistura de rock, tango e folclore. Aliás, está justamente nas passagens musicais boa parte da graça do longa-metragem, um estilo de cinema que faz bem à programação de qualquer cidade por ser leve, despretensioso. Diversão para quem não pretende falar nada de muito sério no jantar após a sessão.

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