Sofia Coppola transforma em fábula história que mexe com os jovens em novo filme

'Bling Ring - A gangue de Hollywood' mostra no cinema caso que ganhou as manchetes e virou livro

por Mariana Peixoto 16/08/2013 00:13

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Diamond Films/Divulgação
(foto: Diamond Films/Divulgação)
Uma jovem afirma que participa de um programa para ajudar os povos da África. A repórter prontamente pergunta qual país. Ela titubeia, e diz não se lembrar qual. Continuando a entrevista –, depois de reprimir, mais de uma vez, a mãe por interrompê-la –, comenta que acredita em carma e que pretende ser uma grande líder. O público não vai precisar de muito mais do que isso para gargalhar durante a cena de Bling Ring – A gangue de Hollywood, novo filme de Sofia Coppola.

A entrevistada em questão é Nicki (Emma Watson), que vive em Calabasas, subúrbio endinheirado de Los Angeles, com sua mãe desmiolada e duas irmãs – não frequenta a escola, tem aulas com a própria mãe, que segue a filosofia pregada pelo bestseller O segredo. Nicki, que tem pretensão de ser modelo, foi acusada, com outros cinco adolescentes, de roubar US$ 3 milhões em joias, roupas, acessórios e objetos de celebridades como Paris Hilton, Lindsay Lohan, Orlando Bloom e Rachel Bilson.

Sofia Coppola conhece como poucos o universo das celebridades de Los Angeles. Cresceu em meio à indústria cinematográfica e, em seu novo filme, busca investigar a parte invisível desse universo de ostentação: aqueles que moldam suas vidas a partir do que veem em redes sociais, reality shows, blogs de celebridades, sites de fofoca. Parece ficção, mas não é. Os personagens de Bling Ring existem e, cinco anos atrás, viraram manchete depois de, durante meses, entrarem nas residências dos famosos citados acima e, sem arma ou qualquer violência, surrupiar objetos de desejo de simples mortais.

A história é inspirada na reportagem Os suspeitos usavam Louboutin, publicada pela jornalista Nancy Jo Sales na revista Vanity Fair – com o lançamento do filme, a autora estendeu a história para um livro-reportagem, que tem o nome do longa de Coppola, publicado recentemente no Brasil pela Intrínseca. A exemplo do que fez em As virgens suicidas (1999), Coppola transforma quase em fábula uma história que mexe com questões caras ao universo jovem. O cinema atmosférico que marca a trajetória da diretora se faz aqui mais uma vez presente, graças ainda a uma trilha sonora pop – com Frank Ocean, M.I.A., Kanye West e Chris Brown.

Com edição rápida, que vai e volta no tempo, somos apresentados a Rebecca (Katie Chang), Mark (Israel Broussard), Chloé (Clarie Julien), Nicki (Emma Watson) e Sam (Taissa Farmiga). Todos vivem em Calabasas com os pais e sonham com o mundo da moda. Os três primeiros estudam em Indian Hills, high school para alunos-problema. Rebecca, que aqui e ali já roubou objetos sem grande repercussão, sugere a Mark ir até a casa de Paris Hilton num dia em que ela não estivesse. Em uma rápida busca na internet, descobrem o endereço. Chegando ao destino encontram a chave debaixo do tapete na porta de entrada (!). Fazem uma primeira limpa e retornam ao mesmo endereço outras três vezes, com mais amigos. Tornam-se mais ousados, chegam a outras residências, e postam no Facebook fotos usando o resultado dos outros (e dá-lhe Louis Vuitton, Chanel, Louboutin e outras marcas de luxo). Imagens de câmeras de segurança da casa de um dos famosos – e o aparente descuido da turma, que não pensa na consequência dos atos – acabam os levando para a polícia.

Para além da narrativa, o que fica do filme de Coppola é um grande incômodo diante da superficialidade dos personagens, sua egolatria, futilidade, egoísmo e falta de perspectiva. É de um vazio – a segunda parte do filme, mais lenta, parece querer transmitir a própria essência dos personagens – que assusta.

Cotação: Bom

Assista ao trailer do filme:


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