'Círculo de fogo' é homenagem de Guilhermo del Toro aos filmes de monstros japoneses

Novo filme do diretor mexicano confirma sua vocação para alimentar a fantasia

por Walter Sebastião 09/08/2013 06:00

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Warner Bros. Pictures/Divulgação
Cena de 'Círculo de fogo' (foto: Warner Bros. Pictures/Divulgação)
Em meio a contexto com filmes até importantes, mas sem personalidade, dá gosto ver o diretor mexicano Guillermo del Toro, de 49 anos, na briga para fazer obras personalizadas. São dele 'O labirinto do fauno' e 'Hell Boy' 1 e 2. Obras das quais pode-se gostar menos ou mais, mas cuja carga poética (de concepção e realização) faz com que eles fiquem na memória de quem os viu.


Pode-se dizer que o diretor é um autor/criador, mesmo em meio a indústria que condena tudo (filmes e realizadores) ao anonimato. Movendo a magia de del Toro está seu encanto com o cinema e com as histórias em quadrinhos. E, aparentemente, pelo mesmo motivo: linguagens modestas, populares, despretensiosas e, por isso mesmo, preciosas para exercitar a liberdade da fantasia, inclusive no plano visual.

Guillermo del Toro está de volta às telas com 'Círculo de fogo'. É homenagem aos filmes de monstros japoneses. No ano 2020, os alienígenas chegam à Terra por uma fenda que se abre no fundo do Oceano Pacífico. São criaturas monstruosas, gigantescas, decididas a destruir o planeta, o que leva os terráqueos a criar robôs igualmente gigantescos para enfrentá-los.

É filme apocalíptico, com sequências alucinantes, cenas grandiosas e direção de arte belíssima. E, o que é muito charmoso, com personagens movidos por dramaturgia econômica, sintética, sem arroubos sentimentais. O espectador balança, o tempo todo, entre o brutal e o delicado, experimenta mundos biológicos e mecânicos, viaja por escalas monumentais e minúsculas.

Todos os aspectos do filme são ótimos (até o tema musical), apesar do formato tradicional. E, o melhor, não brilham isoladamente, mas enriquecem, com naturalidade e poesia, o contexto em que se inserem. Harmonia que só potencializa o impacto do filme, e acaba apontando aspecto que Guilherme del Toro cultiva: a vontade de tornar a ida ao cinema experiência especial. Vale ver o filme na versão 3D.

'Círculo de fogo' é ficção científica contemporânea. Deixa a sensação de estar na linhagem de filmes como 'Alien' ou 'Blade runner', obras que, mergulhando na fantasia, despreocupadas com conteúdos, acabam criando olhares poderosos sobre a paisagem e a sociedade contemporâneas.


SAIBA MAIS

Arma versátil

Guillermo del Toro dirigiu, coescreveu e produziu Círculo de fogo. O mexicano declarou que queria fazer um filme futurista, sobre apocalipse global e heróis. “Queremos que as pessoas sejam arrebatadas pelo espetáculo, pelo som e pela fúria. Mas tudo isso tem o intuito de destacar a coragem dos personagens. Fisicamente, os seres humanos são a menor coisa do filme, porém, seu espírito é a maior coisa da obra. São heróis de verdade”, disse, falando da intenção de provocar assombro, terror e mistério. Se os monstros são “uma arma viva, a maior ameaça que já se viu”, os robôs que os combatem são “pistoleiros clássicos e a mais dinâmica e versátil arma já inventada”. Está no filme, no papel de vendedor (no mercado negro) de partes dos monstros mortos, o ator Ron Perlman que trabalhou em todos os filmes do diretor.

Assista ao trailer do filme:


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