Depois de reforma no espaço físico, Cine Humberto Mauro recebe tecnologia de ponta

Novos equipamentos viabilizam maior gama de opções do mercado na sala do Palácio das Artes

por Carolina Braga 28/07/2013 10:31

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Maria Tereza Correia/EM/D.A Press
O cinema vai ficar atualizado por um bom tempo. Não estamos colocando aqui uma tecnologia que em dois anos poderá ser substituída - Rafael Ciccarini, gerente de cinema da Fundação Clóvis Salgado (foto: Maria Tereza Correia/EM/D.A Press)
Tecnologia de digital cinema package (DCP), lançado pela Digital Cinema Initiatives, que trabalha com arquivos JPEG 2000, em uma resolução de 4096×2160. São tantos nomes esquisitos que, no fim das contas, você pode até ficar perdido. Não se desespere. Importa dizer que Belo Horizonte terá, no Cine Humberto Mauro, sua primeira sala equipada com tal tecnologia de ponta. Interessa saber que essas especificações são responsáveis por tornar a experiência diante de uma tela de cinema ainda mais agradável. É a mesma usada para as badaladas exibições no Festival de Cannes.

A mostra Hitchcock é o cinema, que será promovida de 31 de julho a 5 de setembro, será a primeira a ser exibida em Belo Horizonte com o novo sistema. Dos 54 longas do diretor britânico, pelo menos 15 aparecerão na tela do Cine Humberto Mauro em DCP. Ou seja, a nitidez da imagem será pelo menos redobrada.

“Essa mostra vai ser interessante porque alguns filmes eu programei nos dois formatos. Tipo Psicose, vamos exibir em DCP e em 35mm. Aí se você quiser um formato e outro para notar a diferença, terá a oportunidade de fazer isso na prática. É um luxo, na verdade”, comenta o gerente de Cinema da Fundação Clóvis Salgado, Rafael Ciccarini. “O DCP é o primeiro formato digital com o qual você realmente fica em dúvida e se pergunta: o que é melhor em relação à película?”, completa.

Fechada para reforma desde o início de julho, a sala mantida no Palácio das Artes foi totalmente repaginada. No ano passado, as mudanças se concentraram no sistema de som e na substituição do revestimento acústico. Agora, o quarto de projeção foi adaptado tanto para as exibições em DCP, inclusive em 3D, quanto para o velho de guerra 35mm. A obra envolveu ainda a troca da tela e de todas as poltronas, agora bem mais confortáveis.

No total, foram investidos cerca de R$ 700 mil na aquisição da nova tecnologia e R$ 136 mil nos ajustes necessários para a chegada dela. Ambos por meio de licitação “O cinema vai ficar atualizado por um bom tempo. Não estamos colocando aqui uma tecnologia que daqui a dois anos poderá ser substituída. A indústria determinou um padrão, que será adotado por décadas. Assim como foi com o 35mm”, explica Ciccarini.

Segundo ele, a associação do sistema digital e película no Cine Humberto Mauro garantirá uma flexibilidade muito maior para a programação, seja na escolha de produções contemporâneas ou não. “Se você não tem DCP, progressivamente não conseguirá mais oferta de conteúdo. Por exemplo, se você liga para uma distribuidora e pede um filme do Almodóvar, vão perguntar: ‘Sua sala tem projetor DCP?’”, diz.

Diferentemente da época em que as empresas responsáveis pelos filmes enviavam rolos e mais rolos aos cinemas, na era do pacote digital a produção chega em um cartucho, dentro de uma maleta ultraprotegida. Para o controle da pirataria, as salas autorizadas a exibir, assim que conectam o aparato no servidor, devem inserir um código específico com a respectiva liberação daquele filme para aquele cinema.

Enquanto as novas produções já são lançadas diretamente nessa tecnologia, obras-primas do passado são recuperadas para se adequar à mudança. A vantagem é que o ganho de mobilidade significa também melhora na qualidade de projeção mesmo de filmes feitos no início do século passado. “O mercado de repertório vai se convertendo. Para se ter uma ideia, Hitchcock já tem 20 filmes em DCP”, conta Rafael.

ABERTURA HITCHCOCK

A abertura da mostra dedicada a Hitchcock terá a exibição de O jardim dos prazeres, longa de 1925. Exemplar da fase do cinema mudo, a produção terá trilha sonora executada ao vivo pela Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, sob a regência de Marcelo Ramos. A composição é do inglês Daniel Patrick Cohen, que estará presente. A abertura será no dia 31,às 20h30, no Grande Teatro do Palácio das Artes, Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro, (31) 3263-7400. Os ingressos já estão à venda por R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).

VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE CINEMA