Criatividade dá o tom em 'Turbo', história de lesma que quer ser piloto de corrida

Apaixonado por carros e velocidade, protagonista de animação conduz trama divertida

por Walter Sebastião 19/07/2013 00:13

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Dreamworks/Divulgação
(foto: Dreamworks/Divulgação)
Talvez pelo fato de serem gênero totalmente aberto à imaginação, os desenhos animados vêm se tornando a vanguarda da exploração criativa dos recursos trazidos pelo 3D. Uma joia realizada com a técnica está nos cinemas: 'Turbo', dirigido pelo canadense David Soren.

 

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O diretor coloca na tela, de forma convincente, história pra lá de maluca: as aventuras de Turbo, uma lesma de jardim que adora velocidade. Que, depois de cair dentro de um carro e ficar exposta a um estranho ácido, torna-se a mais rápida de sua espécie. E pode dar vazão ao sonho de ser campeã de corridas de automóveis.

A história tem muito mais. Na tentativa de realizar seu sonho, Turbo consegue um padrinho: Tito, outro sonhador e, nisso, alma gêmea dela. Que quer valer-se dos talentos da lesma para vender comida mexicana. E, assim, revitalizar o restaurante do irmão, o chef Ângelo, em área decadente da cidade. Atração à parte são os vizinhos de Ângelo: Kim Ly, uma vietnamita dona de uma salão de beleza; Bobby, o idealizador de uma corrida de lesmas; Paz, uma mecânica séria e seca. O vilão é o piloto franco-canadense Guy.

'Turbo' é um filme especial, com jeitão hip-hop, movido por música latina e desenhos de alta-voltagem visual. Só pela riqueza de detalhes já se vê que se trata de produção caprichada, não apenas no plano técnico, mas especialmente na trama.

São 90 minutos de encanto e ironia, que prendem o espectador da primeira à última cena. Tudo no filme é encanto e ironia. É hilário ver um garoto de velocípede tornar-se um matador de lesmas com jeitão de exterminador do futuro. Sem falar que o filme inteiro tira sarro com momento do cinema em que sobram longas tipo velozes, furiosos e afins.

Tudo é exato e criado já pensando nas possibilidades do 3D, o que faz com que Turbo tenha imagens espetaculares. Tem muita magia no mundo minúsculo (jardins, engrenagens de automóveis, pequenos objetos do cotidiano etc.) contrastando com formatos gigantes e captados com enquadramentos primorosos.

Todos os personagens têm graça, charme e ótima (e diferenciada) caracterização. A encenação frontal coloca o espectador dentro do filme, e há grande exploração de ângulos que valorizam ainda mais o visual e a tridimensionalidade.

O desenho é moderno, sem arcaísmo, bem desenvolvido, o que faz com que, o tempo todo, a tela seja rica de estética, mas também com boas interpretações. A único chateação de 'Turbo' é montagem algo turbinada e o som exagerado, que contribui mais para dispersar do que para valorizar as cenas. Chega uma hora que cansa. O que, aliás, é problema de pencas de filmes.

O canadense David Soren, diretor de 'Turbo', é escritor, dublador, desenhista. Formou-se no Sheridan College e seu projeto de conclusão de curso foi o curta-metragem animado 'Mr. Sorte', candidato ao Oscar em 1977. Ele ingressou na DreamWorks, trabalhando em várias funções, entre elas criando histórias. Se 'Turbo' for um exemplo do que ele quer fazer em cinema, mostra que se trata de um autor talentoso, que promete – e muito.

 

Assista ao trailer de 'Turbo':

 

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