'Universidade Monstros' é fábula zombeteira sobre as relações, tanto nas escolas como na sociedade

Criaturas exóticas aprendem a assustar crianças e temem adolescentes na nova animação da Disney/Pixar

por Walter Sebastião 21/06/2013 06:00

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Disney/Pixar/Divulgação
(foto: Disney/Pixar/Divulgação)
'Universidade Monstros' tem um ponto de partida que, por si só, faz o filme ser uma delícia: é ambientado, como o título indica, em instituição acadêmica destinada a ensinar, para criaturas as mais exóticas, como assustar crianças. E os realizadores dão vazão a extensa e divertida galeria de tipos. A história é até convencional: coloca na tela os dilemas de um fortão – James P. Sullivan, filho de um campeão de sustos – que não gosta de estudos, e de um monstrinho esperto, Mike Wazowski, cuja fragilidade e simpatia fazem com que ninguém acredite na capacidade dele de assustar. É, como se pode imaginar, história altruísta, para levantar a autoestima etc.


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Chama a atenção o detalhado desenvolvimento dramatúrgico, procurando fugir, pelo menos um pouquinho, de ligeireza e superficialidade narrativas, que, não poucas vezes, e em especial na área da animação, atropelam personagens ótimas. Também é muito saborosa, em filme que não é só para crianças, a ironia fina que cruza toda a história. Um exemplo, e não o único, pode ser a observação de um professor de um aluno que foi a território perigoso: chegou perto de adolescentes, gente, observa, que ameaça o poder de assustar dos monstros e até pode fazê-los desaparecer. Ícone do humor que dá tom ao filme é a mãe de Scott Squibbles, que, com pequenas aparições, rouba a cena.

E a ironia acaba dando outra dimensão à história, extrapola os limites e cria fábula zombeteira sobre todo o universo escolar e social. Pode-se dizer que, já há algum tempo, por mais requinte técnico que tenham os produtos com carimbo Disney, a produtora devia algo mais arrojado. O contraste (de muitas produções recentes) entre alta tecnologia e pouca criatividade só vem revelando a carência de produções e realizadores (são poucos) que coloquem as novas técnicas a serviço da imaginação, de forma a produzir salto cinematográfico qualitativo. 'Universidade Monstros' não resolve o problema, mas mostra que, com inteligência, até histórias convencionais podem ter sabor contemporâneo. A direção é de Dan Scanlon, o mesmo de Carros.

SAIBA MAIS

BESTIÁRIOS

 A variedade de criaturas postas em cena por 'Universidade Monstros' joga luz sobre algo que os desenhos animados vêm fazendo de forma divertida e pop: criar bestiários contemporâneos. Os bestiários são textos medievais, ilustrados ou não, descrevendo criaturas reais ou imaginárias, com tom humorístico ou fantasioso, criando alegorias morais, estéticas, filosóficas etc. É gênero nobre, cultivado por vários escritores. Exemplo contemporâneo é 'O livro dos seres imaginários', do argentino Jorge Luiz Borges, que coleta 116 monstros com origem nas mitologias, religiões e obras de autores antigos.

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