Atriz francesa Isabelle Huppert se desdobra em várias personagens em filme do sul-coreano Sang-soo Hong

'A visitante francesa' estreia nesta sexta-feira em BH

por Walter Sebastião 19/04/2013 08:00

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Pandora Filmes/Divulgação
Em A visitante francesa, o diretor Hong explora tramas paralelas para contar sua história (foto: Pandora Filmes/Divulgação)
'A visitante francesa', do sul-coreano Sang-soo Hong, coloca nas telas três histórias ambientadas em praia sul-coreana, como o título indica, sempre com a presença de uma personagem europeia, Anne, interpretada por Isabelle Huppert. Na primeira parte ela é uma diretora de cinema; na segunda, uma mulher casada que vai se encontrar com o amante; na terceira, uma que foi trocada pelo marido por uma coreana. Situações que têm como ponto comum o encontro de um “nativo” da Coreia do Sul com a francesa. Tramas vividas pelos mesmos personagens e atores.

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Desde o início o espectador é colocado dentro de um jogo que dissemina não só significados, mas também encenações. Está em questão no filme o desejo de evasão da cineasta, a recusa ao ambiente com poucas perspectivas de mudança. Mas também o cinema com suas promessas estandardizadas de outros mundos, a aventura, a fama. E ainda os desencontros dos personagens em cada história. Com ironia, é apresentado o modo como o roteiro da estudante atropela o real e o imaginário em busca de situações cinematográficas em praia nublada, ambiente modesto e com personagens comuns.

 

Mas há um problema estrutural do filme: a discrepância entre a intenção irônica e a materialização dela. Em certo momentos o humor da situação tem quase que ser explicado para ser percebido. O que, em muitos momentos, faz de 'A visitante francesa' simplesmente um filme sem graça, apegado à estética cool, construído com metodologias “pós” para consumo “trans”. Questões que poderiam ser secundárias, mas problemáticas por deixarem a sensação de descompasso entre o proposto e o realizado, traduzida por certa monotonia do filme, depois do bom começo.

 

Aos poucos o que se vê em 'A visitante francesa' são as intenções engessando o filme até ele se tornar um exercício formalista bem realizado, mas pouco imaginoso – e no limite preconceituoso. O que nubla o que o filme tem de mais expressivo, que é a trama esperta que, de forma leve, pontua questões importantes. Impossível, ao final, não sentir saudades do tropicalismo brasileiro que, de certa forma, enfrentou as mesmos motivos – entre eles o tema da identidade e da falta de identidade – de forma mais divertida, lúdica e sedutora.

ANTECEDENTES

Sang-soo Hong tem 53 anos. 'A visitante francesa' participou da edição de 2012 do Festival de Cannes, que em 2010 concedeu o prêmio de crítica da mostra Un Certain Regard a outro filme do cineasta sul-coreano, 'Hahaha'.

Assista ao trailer do filme:

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