Foliões enfrentam transtornos no trânsito e escassez de banheiros

Por causa da intensa movimentação de foliões, motoristas ficaram horas presos em longos congestionamentos. A falta de banheiros químicos também deixou muita gente em aperto

por Valquiria Lopes 28/02/2017 06:00
Marcos Vieira/EM/D.A Press
Na região do Bairro Funcionários, motoristas perderam a paciência com os congestionamentos (foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press)

A folia da segunda-feira de carnaval foi mais uma prova de fogo para quem estava fora da festa ou pretendia chegar a qualquer parte da Região Central de Belo Horizonte. Por causa da intensa movimentação de foliões e do grande número de blocos desfilando na cidade, o trânsito travou em diversos trechos e motoristas ficaram horas presos em longos congestionamentos. Um dos pontos mais críticos foi a Avenida do Contorno, em toda a extensão do Bairro Floresta, Santa Efigênia e Funcionários. No cruzamento da via com a Avenida Getúlio Vargas a visão era de caos. Pedestres se arriscavam em meio aos carros, se sentavam no canteiro central com os pés na pista de rolamento e, com tanta gente sem espaço nas calçadas, as pessoas avançavam para a rua, tomando duas faixas de trânsito. Com isso, a circulação dos carros ficou complicada, pois não havia nenhum esquema previamente montado para o local. O transtorno teve como reflexo maior a multidão que se concentrou para o desfile do bloco Funk You, na Rua Grão Pará, no Bairro Santa Efigênia.

Agentes da BHTrans que monitoravam o lugar explicaram que não havia previsão de fechamento para o local, inclusive porque o trecho é de intensa movimentação de veículos. Com isso, coube a eles e a agentes do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran) tentar organizar o fluxo. “Essa situação não é ideal. A instalação de uma barreira física para separar as pessoas da pista deixaria a circulação mais segura. Estamos tentando minimizar o impacto dessa aglomeração de pessoas sobre o trânsito e alertando sobre os riscos de trafegar em meio aos carros”, afirmou o sargento Ronildo David Pereira, do BPTran.

Quem estava na folia também achou a situação complicada. Enquanto aguardavam na faixa para atravessar a Avenida do Contorno, as amigas Laila Blanch, de 21 anos, e Fernanda Guimarães, de 20, observavam muitas pessoas correndo em meio aos carros e fora da faixa de pedestres. “Acho que está bem perigoso, porque tem muita gente bêbada e aqui é um lugar de muito trânsito”, disse Fernanda. Para Laila, o carnaval de BH surpreendeu no quesito folia, mas ainda deixa a desejar em estrutura. “Percebo que falta mais organização no trânsito e policiamento”, afirmou.

Motoristas reclamaram ainda de complicações no trânsito no entorno da Praça Raul Soares e na Avenida dos Andradas, no Centro, por causa da concentração de blocos na Região Central.

BANHEIROS A falta de banheiros químicos também deixou muita gente em aperto e foram muitos os pedidos de informação aos policiais sobre a localização dos sanitários. Mas, de acordo com o engenheiro florestal Matheus Ornelas, de 22 anos, que veio de Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, para curtir o carnaval em BH, não havia equipamentos em número suficiente no entorno do trecho por onde passou o bloco Funk You, no Bairro Funcionários. À procura de um banheiro na Avenida do Contorno, ele reclamou: “Está tudo ótimo no carnaval, mas faltam banheiros. A gente não quer fazer xixi na rua e sabe que não pode, mas precisa colocar banheiro para evitar essa situação.”

O resultado dessa falta de estrutura foi alvo de críticas de moradores do Bairro Funcionários. Na tarde de ontem, o economiário Antônio Matias, de 50 anos, tentava amenizar o mal-cheiro de xixi lavando o passeio do prédio onde mora. “Acho uma completa falta de respeito, mas falta fiscalização da prefeitura. Nós, moradores, sofremos com essa situação. Ficamos sem poder sair ou entrar porque não interditam a rua de modo a permitir que tenhamos livre acesso.”

Diretora de Ação Regional e Operação da BHTrans, Deusuite Matos, explica as razões para o travamento do trânsito na Avenida do Contorno. Segundo ela, como a via faz parte dos desvios do transporte coletivo e do acesso à região hospitalar, não há como interditá-la, por questões de segurança e garantia da circulação. “Além disso, o bloco nos passou uma previsão de público de 500 pessoas, mas foram mais de 5 mil.”

CONFRONTO NA SAVASSI No início da noite de ontem, a Polícia Militar usou gás lacrimogênio durante uma briga de foliões na Praça Diogo de Vasconcelos, mais conhecida como Praça da Savassi, na Região Centro-Sul de BH. A confusão ocorreu por volta das 19h30, no quarteirão fechado da Rua Antônio de Albuquerque, entre Avenida Cristóvão Colombo e Rua Sergipe. Segundo a PM, pessoas que estavam no local começaram uma troca de agressões generalizada e militares do Batalhão Tático Móvel e do Batalhão de Policiamento Especializado intervieram. Apesar do tumulto, não houve vítimas nem detidos.

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