Unidos da Estrela da Morte leva personagens do cinema para as ruas

Na tarde de sábado, pela segunda vez no reinado de Momo centenas de novos foliões mostraram as artes do 'sabre de luz' no Bairro Floresta, Região Leste de BH

por Gustavo Werneck 26/02/2017 07:51

Sem brincadeira, gente, parecia que a tela do cinema tinha deixado a sala escura e entrado em outra dimensão: a realidade misturada à fantasia, a ficção imersa na loucura das ruas e os personagens da saga Guerra nas estrelas (Star wars) preenchendo todos os espaços do sábado de carnaval. Que combinação mais esdrúxula, podem até pensar, mas que deu samba, ah, isso deu. Ou quase. Na tarde de ontem, pela segunda vez no reinado de Momo – ou será de Darth Vader? –, centenas de novos foliões mostraram as artes do “sabre de luz” no bloco Unidos da Estrela da Morte, que percorreu um quarteirão do Bairro Floresta, na Região Leste de Belo Horizonte. Foi alegria, cor, animação, coreografia e gente de todas as idades numa festa-família e com respeito à diversidade. Não era proibido beijar!

“Mas a Princesa Leia não morreu?”, perguntei a uma jovem de 21 anos, com as rodilhas no cabelo características da personagem, lembrando da perda recente da atriz Carrie Fisher, que a interpretou. Com o vestido branco e strass contornando as bochechas, ela olhou bem para minha cara e respondeu: “E eu não estou aqui, não?”. Para provocar mais um tiquinho, emendei: “E, por acaso, a princesa sabe sambar?”. A moça pensou e falou baixinho no meu ouvido: “Isso aí, não!”.

Dançar não é o problema, disse um cavaleiro da Ordem Jedi ao lado da namorada, ambos passageiros dessa nave louca rumo à galáxia do fuzuê. “Estamos aqui para divertir.” Ninguém tem dúvida, meu jovem, afinal, carnaval é uma efêmera brincadeira, purpurina pura, um filme espetacular e em movimento com duração até a madrugada da quarta-feira. Quem entra nesse enredo, com ou sem fantasia, dificilmente sai do mesmo jeito que entrou. No caso desse bloco, mais ainda, já que as alas são formadas por nerds e ex-sedentários que não podiam nem ouvir tamborim. Agora, caem na farra.

Vestida de robô e toda alegria, Daniela Santos, presidente do bloco Estrela da Morte, nome de uma estação espacial bélica da série, lembrava de outros carnavais: “Todo mundo aqui é doido por Guerra nas estrelas, pelo cinema, por tecnologia. A gente se reúne para comentar filmes. Antes, nesses dias, era todo mundo trancado em casa, sem fazer nada”. O script mudou, ainda bem. E ganhou trilha sonora múltipla e diversa, transformando, por exemplo, o quase-hino da banda Queens (We wil rock you) em palavras de ordem, com direito a braço levantado e tudo: “Es-tre-la da Mor-te!”. E logo depois, com toda a leveza que só o carnaval permite, e pede, a banda com instrumentos de sopro e percussão tocou ritmada: “Olha a cabeleira do Zezé, será que ele é? Será que ele é?”. Pra que responder? Todo mundo sabe que a resposta pode ser: “Jedi”. E quem quiser que invente outra.

Já na Avenida Assis Chateaubriand, a comissão de frente ensaiou golpes com os sabres de luz e todo mundo gostou. E veio, então, o melhor. A marchinha carnavalesca conduziu a nave com versos inspirados nessa trupe cinematográfica: “O lado negro é muito bom/O lado negro é bom demais/O lado negro é carnaval/O lado negro vai pegar o sabre de luz”.

Vixe, quase ia esquecendo de contar. Nessa viagem intergalática, encontrei o Super-Homem, Batman, Indiana Jones e, pasmem, saído lá das profundezas das lembranças, o incrível e inesquecível Alex, de Laranja mecânica. É isso, gente, carnaval é mesmo a melhor diversão.

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