Organizadora do Baianas Ozadas aponta falhas da PBH na estrutura do carnaval

''A luta dos organizadores dos blocos é para que o carnaval de rua seja enquadrado como manifestação cultural e não como evento'', explica Renata Chamilet

19/02/2015 14:16

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Ramon Lisboa/EM/D.A Press
''É preciso que todo mundo entenda que Belo Horizonte tem carnaval. Precisamos com urgência de uma legislação específica'', alerta uma das responsáveis por bloco que reuniu 100 mil foliões (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)

Artigo: não dá para começar a conversar dois meses antes
Por Renata Chamilet, organizadora do Bloco Baianas Ozadas

É nosso quarto carnaval. Começamos com sete pessoas. Este ano, nenhum bloco ficou do mesmo tamanho. Todo mundo cresceu, no mesmo tempo em que tantos outros blocos surgiram também. A gente já vem há algum tempo conversando muito timidamente com o poder público, participando de audiências na Câmara Municipal. A luta dos organizadores dos blocos é para que o carnaval de rua seja enquadrado como manifestação cultural e não como evento.

 

Em 2014, tivemos uma grande vitória, que foi a autorização para a venda de bebidas alcoólicas por ambulantes durante o carnaval. Em 2013, quando procuramos os bares do trajeto do Baianas para saber se eles iriam abrir as portas para o nosso público, eles riram. “Abrir no carnaval?”. É preciso que todo mundo entenda que Belo Horizonte tem carnaval. Precisamos com urgência de uma legislação específica para o período.

 

É preciso rever questões como sonorização, tempo e espaço de circulação de veículos de som e fechamento de vias públicas. A Avenida Afonso Pena é fechada aos domingos para a feira de artesanatos. A população sabe disso e busca rotas alternativas. Tem que ser assim com o carnaval. Com informação em tempo hábil para o cidadão não sair prejudicado. Não é sugerir “evite estacionar”, em avisos, como ocorreu na Avenida João Pinheiro. Muitos carros ficaram presos por causa disso. É proibir com responsabilidade.

 

O carnaval precisa ser bom para quem gosta e para quem não gosta da folia. É preciso diálogo entre população, organizadores e autoridades. Especialmente pela segurança das pessoas. O xixi, o lixo, são ruins? São. Mas é possível contornar. Agora, e se uma pessoa se machuca? Portanto, volto a dizer, é preciso ter responsabilidade.

 

Sinto que a Belotur até tem disposição para acertar. Quer fazer o melhor. Mas parece que está sozinha. Com a BHTrans é bem mais difícil. A única ajuda do prefeito é não proibir. Este ano, fiquei preocupada. E as pessoas nas ruas me surpreenderam muito positivamente. O folião de BH está aprendendo a alegria do carnaval nas ruas, na multidão. Ainda que faltem lixeiras, por exemplo, já tem muita gente andando com o seu lixo até encontrar uma lixeira.

 

Não dá para começar a conversar sobre o próximo carnaval dois meses antes. Uma festa de casamento para 500 convidados começa a ser organizada dois anos antes. Precisamos de uma comissão permanente que trabalhe pensando no melhor para todos.

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