Mesmo sem desfilar, Bloco da Calixto leva 12 mil pessoas às ruas de BH

Por segurança, trio elétrico da cantora Aline Calixto foi impedido de circular pela Região Centro-Sul de BH

por Jefferson da Fonseca Coutinho Landercy Hemerson 15/02/2015 08:07

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Sidney Lopes/EM/D.A Press
No meio da tarde era difícil achar espaço para os foliões no quarteirão da Avenida Getúlio Vargas entre as ruas Bernardo Guimarães e Gonçalves Dias, no Bairro Funcionários (foto: Sidney Lopes/EM/D.A Press)

O Bloco da Calixto não saiu do lugar. Era tanta gente que a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros recomendaram a suspensão do desfile entre a Avenida Getúlio Vargas e a Savassi. Mas, sem se mover, o bloco não perdeu o pique. Pelo menos 12 mil foliões, segundo estimativa da PM, se concentraram na avenida, no Bairro Funcionários, Região Centro-Sul de Belo Horizonte. O desfile que virou show pegou todo mundo de surpresa. À noite, em comunicado, Aline Calixto mencionou “motivos alheios à nossa responsabilidade” e explicou: “Para garantir a segurança dos foliões, optamos por realizar um show do Bloco da Calixto parados, com a bateria no chão. Sem internet e pegos de surpresa, não conseguimos avisar nosso público pelas redes sociais”.

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Os foliões começaram a chegar por volta das 12h. No começo, muitas famílias traziam crianças de colo. Não demorou para que o local se tornasse impróprio para os pequenos. Havia pouco espaço na sombra e muita gente por metro quadrado. No asfalto, mascarados, anjinhas, freiras e descamisados foram tomando conta do quadrante no mapa da alegria da Região Centro-Sul de Belo Horizonte.

Fantasiada de índia, Aline Calixto estava pronta para comandar o bloco. Para o show, o Samba de todas as tribos, a surpresa é o resgate de canto indígena dos tempos de coral universitário. “A expectativa é a melhor possível. No ano passado, mesmo debaixo de chuva, foram seis mil pessoas dançando com a gente. Hoje, com o sol, esperamos bem mais”, disse. A cantora comemora o crescimento do carnaval de rua em Belo Horizonte e espera público ainda maior para os próximos anos. O empresário Paulo Elias Carvalho, morador do Bairro Funcionários, acredita que a tendência é de a festa ficar ainda mais bonita. “Nos últimos anos, as pessoas estão botando fé em BH também como lugar de festa na rua”, avalia.

Conhecido pela comida de boteco que oferece, o Barbazul, bar do Marcinho, ficou pequeno para a clientela que tomou conta da esquina. Pelas calçadas, nos dois lados da via, e no canteiro central mover-se era um desafio. Fantasias diversas roubavam a paisagem: Mario Bros, Chaves, Chapolim, He-Man, policiais, presidiários, enfermeiras, marinheiros, piratas, besouros e super-heróis de todos os poderes estavam lá.

Não muito longe dali, ainda durante o show da Aline Calixto, debandada geral do público infantil. Para João Antônio, de 47, o carnaval está bom, mas faltam boas opções para as crianças. Na expectativa de um encontro mais familiar no Bairro Funcionários, o advogado levou a mulher e os dois filhos para o bloco. Não deu conta de ficar 30 minutos. “A gente queria trazer as crianças para o carnaval de rua, mas estamos sem opção. Vamos acabar no Minas (Minas Tênis Clube) mesmo”, lamenta. “Muita pegação e muita bebida. Isso também é bom, mas não é para famílias”, conclui.

A mudança de endereço do bloco de Aline Calixto este ano – do Bairro Santo Antônio para o Funcionários – não foi para melhor. Por questões de segurança, o carro de som não seguiu pela Avenida Getúlio Vargas até a Savassi. Foram menos de três horas de música para um público espremido entre as ruas Bernardo Guimarães e Gonçalves Dias. As pessaos queriam mais. Muito mais.

A chefe de cozinha Maria Tereza Palhares, de 50, reclamou: “No ano passado foi bem dinâmico, já que o bloco partiu do Santo Antônio para a Savassi e o público foi atrás”, contou. Maria Tereza e seus parentes criaram um bloquinho, chamado “Pega Mamãe”, em homenagem à mãe dela, Maria de Lourdes Palhares, de 74, que em 2014 ficou para trás no desfile do bloco de Aline.

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