Bloco do Moreré, amor de homem e de mulher

O Bloco atraiu mais de 5 mil pessoas na Avenida do Brasil, 41 e cantou marchinhas e sambas enredos

por Fernanda Machado 13/02/2015 17:33

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Avenida Brasil, número 41. Esse foi o endereço do Bloco Moreré, que tocou ontem em BH no melhor estilo concentra mas não sai. Dizem que Moreré é o amor do homem e da mulher, e todos os 5 mil homens e mulheres que chegaram à avenida fechada por grades de metal escutaram um grito: “Alô Cerveja... Alô Água..”, era Eduardo Reis, um boa prosa de 33 anos que, além de bacharel em direito e consultor jurídico, é um bom vendedor de cervejas e refrigerantes “trincando de gelados”, como disse o primeiro cliente que parou em frente ao seu isopor.

Eduardo pulou da cama sete e meia da manhã para estar ali, chegou quando o Moreré tocava a primeira música, o tradicional descarrego. Mas o motivo que o levou a gritar na rua em busca de clientes começou antes, sete anos antes. O nome dela é Luciana Silveira mas vai se tornar Reis no dia 20 de junho, quando eles se casam.

 Luciana começou a peleja carnavalesca mais tarde que o noivo, ela estava trabalhando ali perto e foi ajudar o amado logo depois do expediente. De designer de interiores ela se tornou designer de tampa de isopor nesse carnaval e fez desenho nas caixas com o slogan da dupla: “Alô Cerveja.. Alô Refrigerante..” São três caixas de alegria, que se equilibram em um carrinho de supermercado comprado em um topa-tudo na Av. Tereza Cristina. Berrando e vendendo as bebidas eles estão juntando os reais necessários para transformar em pesos para passar a lua-de-mel na Argentina.

Depois de acordar, Eduardo saiu de Nova Lima e foi até o Bairro Bonfim comprar gelo, “nessa crise da água até o gelo aumentou. Lá onde eu compro tem uma placa que fala que aumentou um real por conta disso.”, comenta. Com os sacos de água sólida no carro ele seguiu para o restaurante do amigo e padrinho de casamento Aldo que emprestou uma parte do seu self-service na Rua dos Otoni para ser o QG dos pombinhos. Lá ele preparou as caixas e seguiu apé até a entrada da folia.

“Faz três latão por R$10?”, pergunta um cliente. “Não dá amigo, 4 por R$18 eu consigo fazer”, responde Eduardo. Negócio fechado e uns alfajores a mais na viagem. O casamento dos dois vai ser simples. Na casa de dona Neísa, mãe de Eduardo: “Sabe como é, tá tudo muito caro, se for fazer casamento tradicional e festa vai ter que vender muita cerveja”, diz a noiva que ainda não decidiu se vai usar um vestido simples branco ou um daqueles de casamento mesmo.

Lá dentro, o Bloco toca marchinhas e sambas-enredos, as pessoas dançam e cantam. Lá fora, eles também dançam e cantam com o que dá para ouvir da música, não param de sonhar e de batalhar pela lua-de-mel: “Alô Cerveja.. Alô Água...”

Que o “alô” se acabe ao final do carnaval, mas aqueles olhos brilhando e cheios de amor deveriam durar até que a morte os separe, amém.

Por Vitor Colares

Vitor Colares
Eduardo Reis e Luciana Dias vendem bebidas na porta do Bloco (foto: Vitor Colares)





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