Escola de Samba Cidade Jardim festeja consolidação de projetos como o Samba na Quadra

Agremiação que soma 19 títulos de campeã, atrai ao Conjunto Santa Maria foliões nos meses antes e depois da festa momesca

por Walter Sebastião 13/02/2015 09:30

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Fotos: Leandro Couri/EM/D.A Press
À esquerda, Raphael Ferreira veste a fantasia %u201CNas ondas do rádio%u201D; Tutti Maravilha é tema do desfile. À direita, integrante da escola de samba mineira veste a fantasia %u201CJabaculê%u201D (foto: Fotos: Leandro Couri/EM/D.A Press)
“Quando vejo a sociedade subindo o morro, admirando a vista de Belo Horizonte que temos, meu sentimento é de vitória. É reconhecimento de um trabalho”, conta Alexandre Silva Costa, de 45 anos, presidente da Escola de Samba Cidade Jardim, localizada no Conjunto Santa Maria.

 

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A vaidade tem motivo: o local de fato oferece uma vista singular de Belo Horizonte. Mas, e especialmente, a agremiação desenvolveu ao longo dos últimos anos um trabalho de animação cultural, que fez da quadra da escola um local de lazer, samba e trabalho sociocultural.

“Sempre soube que as pessoas iam gostar do conjunto Santa Maria. Quando menino, meus colegas, filhos de médicos, vinham à minha casa e passavam o dia lá”, recorda Costa. Ele não esconde a satisfação de ver os filhos dos amigos marcarem presença nas festas do projeto Samba na Quadra, que acontece aos sábados, mas está suspenso em virtude da dedicação exclusiva à preparação do carnaval.

Durante a semana, o local é sede de oficinas (capoeira, balé, percussão, entre outras) para alunos da Escola Integrada Mestre Paranhos, situada no mesmo terreno da escola de samba. “Passamos por muitos percalços até chegar aqui”, diz o presidente da Cidade Jardim.

Costa assumiu a vice-presidência em 2007 e a presidência em 2008. Sonhava com um projeto semelhante ao que ele viu no Vidigal, no Rio de Janeiro, berço do Nós do Morro. O primeiro desafio, recorda, foram as dívidas da agremiação, que foram pagas com recursos levantados por meio da realização de pequenos eventos que tinham a bateria da escola como atração.

Mais complexo foi contornar a ameaça de desapropriação, o que dependeu de uma negociação com a Prefeitura. “Eles viram que era possível conviver, no mesmo terreno, o colégio a e escola de samba. O que foi bom para todos”, diz.

A reforma da quadra foi uma medida necessária para dotar o local de melhor infraestrutura, além de deixá-lo “como os bombeiros pedem”. Segundo Costa, essa iniciativa conquistou a confiança dos moradores no projeto. “Hoje, os moradores fazem de tudo no local: festas do time, casamentos, aniversários.”

“Hoje, os moradores têm orgulho de residir no conjunto Santa Maria, perto da quadra. Antes, diziam que moravam no Luxemburgo, perto da radio Inconfidência, ou dos tribunais”, diz o presidente da escola. O Samba na Quadra, diz Costa, tem venda de ingressos controlada, para garantir condições de atender bem a todos. O evento emprega aproximadamente cem pessoas da comunidade, entre manobristas, seguranças, garçons, bilheteiros.

A receita de sucesso da escola tem mais um ingrediente: “Como a maioria das pessoas nunca subiu no morro, eles precisa sentir que estão em um lugar seguro. Se quando a pessoa chega ela ganha um sorriso, um ‘bem-vindo’, um guarda-chuva se precisar, desde o estacionamento até a quadra, ela fica satisfeita. Bom acolhimento conta”, diz.

Também têm valor cerveja gelada, quadra e banheiros limpos, cantores de qualidade. “São coisas que fazem a pessoa voltar trazendo mais gente”, observa.

PERFIL
Alexandre Silva Costa tem 45 anos. É formado em direito e é conhecido na escola de samba como Lee. Ele começou na agremiação como passista, na ala mirim, chegando a mestre-sala, tanto quando criança como depois de adulto.

É o sexto dos nove filhos de Jairo Pereira da Costa, um dos fundados da Escola de Samba Cidade Jardim, e de Maria de Lourdes da Silva Costa. A família foi uma das primeiras a morar no conjunto Santa Maria. O seu sonho, segundo diz, é ver o carnaval de volta à avenida Afonso Pena. Costa saúda os blocos da moçada, até porque eles fortalecem as escolas, em sua avaliação.

“Os jovens estão começando a entender o que é uma escola de samba e o carnaval”, diz. A Cidade Jardim tem 19 títulos e é a única a ter conquistado 11 títulos consecutivos. Neste 2015, o seu enredo tem o radialista Tutti Maravilha como tema.

EULER JÚNIOR/EM/D.A.PRESS
(foto: EULER JÚNIOR/EM/D.A.PRESS)

TRÊS TEMAS PARA ALEXANDRE SILVA COSTA

Cultura – Programação cultural ajuda a tirar o estigma que morro é lugar de bandido, perigoso. Por ser negro e morador do morro, cresci convivendo com discriminação. Mostrar a minha integridade, filho de pai funcionário da Vale do Rio Doce, que tinha contatos com políticos, era mais fácil. Mas, quando ia estudar em escolas de outro bairro, via que existia muito preconceito.

Presidência – É complicado. A gente é cobrada de todos os lados – em casa, na comunidade, pelo poder público. Não dá para ser omisso em nenhum momento. É aquela história: bater o escanteio e correr para cabecear. É assim que dá certo. Meu sonho é ver a escola bem alicerçada, tornando-se um centro cultural; as crianças vivendo do que aprenderem na quadra. Nosso projeto não é só comercial, é social.

Quadras
– Traz independência do poder público, permite à escola trabalhar e não ficar dependendo de subvenção em cima da hora. Quadra permite trabalho maravilhoso: ensina a prática de reciclagem, a conhecer organização em que há palavra de ordem, a apreciar Noel Rosa, Cartola, Wander Lee, Fabinho do Terreiro e tantos outros. Só ouvir funk aliena e isso é perigoso. As autoridades precisam fazer mea culpa e liberar uma quadra para cada uma das escolas de Belo Horizonte.

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