Belotur divulga programação oficial do Carnaval de BH; confira!

Grandes blocos de BH optaram por não entrar na lista oficial e explicam seus motivos. Programação ainda terá 14 palcos pela cidade, além dos desfiles dos Blocos Caricatos e Escolas de Samba

30/01/2015 15:03

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Edesio Ferreira/EM/D.A Press
Desfile do Bloco do Então, Brilha no Carnaval de 2014 (foto: Edesio Ferreira/EM/D.A Press)
Foi divulgada nesta sexta-feira a programação oficial do carnaval de Belo Horizonte 2015. Em coletiva de imprensa, representantes da Belotur revelaram um investimento de R$5,5 milhões na festa, mesmo montante do ano passado. Ainda foram apresentados os esquemas de limpeza e segurança, além da aguardada agenda de eventos e blocos de rua deste ano.

 

Confira a programação 2015 de Blocos de Rua de BH

 

O que chamou a atenção na programação é o fato de que alguns dos blocos mais tradicionais da chamada 'retomada' do Carnaval de BH não aparecem na lista. Dos 164 grupos inscritos, apenas 127 tiveram seus trajetos detalhadas. O assessor especial para assuntos de carnaval da Belotur, Felipe Barreto, afirmou que a opção de não divulgar as informações partiu dos próprios blocos. "Esses grupos entendem que já existe um comparecimento espontâneo aos desfiles e a divulgação em massa não é necessária, inclusive por uma questão de segurança", disse. Barreto ainda afirmou que, entre blocos cadastrados e não cadastrados, a expectativa é que cerca de 200 grupos tomem as ruas da cidade. 

 

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Já os representantes dos blocos argumentam que a opção de não participar da lista oficial parte de uma insegurança em relação à estrutura oferecida pela prefeitura. Rodrigo Magalhães, regente do Bloco Juventude Bronzeada, explica que o grupo já teve problemas com a realização de ensaios abertos neste ano, na Praça Floriano Peixoto, e ainda não sabe o que esperar do desfile. "No ano passado desfilamos com 500 pessoas. Este ano, só nos ensaios, recebemos 3 mil foliões. Nós não temos estrutura, nem financeira, nem profissional, para nos responsabilizarmos pelo número gigantesco de público que está se configurando", explica. "A prefeitura quer divulgar, quer que o carnaval da cidade cresça, mas não dá a estrutura necessária para isso", protesta.

 

Fique por dentro da agenda de shows nos palcos da PBH

 

Rodrigo ainda lembra que o carnaval da cidade surgiu de forma independente e aberta, por isso o fato de não divulgar o trajeto na programação oficial tem se tornado uma discussão importante entre os organizadores dos blocos. "Isso é uma contradição gigantesca. Ao mesmo tempo que a gente quer construir um discurso de carnaval aberto, não temos como controlar e garantir a segurança de tanta gente", pondera.

O clima de preocupação também atinge um dos maiores blocos de carnaval da cidade, o Então, Brilha. Conhecido por arrastar uma verdadeira multidão pela Rua Guaicurus, especialmente nos desfiles dos últimos anos, o bloco optou por não divulgar o trajeto na lista da Belotur, principalmente por conta do descompasso que existe entre as demandas dos blocos e o suporte oferecido pelo órgão municipal. "Nunca tivemos apoio total da prefeitura. Desde que existe o credenciamento de blocos nós participamos, mas os acordos não são cumpridos. Nunca tivemos, por exemplo, esquema de fechamento da rua para o bloco passar. Banheiros químicos, sempre pouquíssismos", conta o regente Di Souza.

Marcos Vieira/EM/D.A Press
Ensaio do Bloco Juventude Bronzeada reuniu cerca de 3 mil pessoas na Praça Floriano Peixoto em janeiro deste ano. Quantidade de pessoas preocupa organização, que não conta com estrutura para receber um público tão grande (foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press)
Mas o músico faz questão de esclarecer que a ausência na lista não quer dizer que o Então, Brilha está se fechando. Para Di Souza, o próprio hino do grupo, com a frase "Vem, pode chegar", explica bem o espírito da festa. "Nós sempre proliferamos essa filosofia de bloco aberto. Fomos os responsáveis por espalhar essa democracia musical na cidade, com uma bateria composta por quem quer tocar, não só de músicos", explica.

O percussionista ainda pondera o fato de que o carnaval da cidade renasceu de uma tensão política, diretamente ligada às demandas de ocupação do espaço público. "Fazemos um carnaval da cidade e para a cidade. O turismo é apenas uma consequência. A festa é um instrumento de divulgação de uma série de reivindicações em relação à prefeitura. É para existir enquanto festa, mas não podemos deixar que o carnaval vire produto, com trio elétrico com abadá", diz Di Souza.

O músico Gustavito Amaral, que além de participar de várias baterias de blocos ainda é um dos responsáveis pelo Pena de Pavão de Krishna, compartilha da ideia da não mercantilização da festa. "A questão principal é que existe um movimento de carnaval feito pelo povo, espontaneamente, e a prefeitura tem a vontade de se apropriar disso. Os interesses da prefeitura são comerciais, e do outro lado estamos nós, que fazemos o carnaval na rua porque gostamos, sem objetivo de ganhar dinheiro com isso", afirma.

Quanto ao mistério do trajeto do PPK, Gustavito explica que não existe um movimento de esconder a saída do bloco. "Não divulgamos porque ainda não sabemos, estamos estudando onde vamos desfilar", conta. Mas o músico acredita que a divulgação boca-a-boca é mais objetiva e efetiva do que a da Belotur. "Justamente por aceitarmos todo mundo que chega, preferimos que as pessoas cheguem por outros meios, pelos seus amigos, por alguém que viu o desfile do ano passado e gostou. Até porque, o PPK tem um lado mais espiritual, canta músicas sagradas. É importante que quem esteja lá, entenda e entre nessa vibração ".

Vale reforçar que o Juventude Bronzeada, o Então, Brilha e o Pena de Pavão de Krishna pretendem divulgar seus trajetos em suas páginas e grupos nas redes sociais. 

OUTRAS ATRAÇÕES

Além dos blocos de rua, a programação do carnaval ainda conta com atrações em 14 palcos espalhados por toda a cidade. Segundo Mauro Werkema, presidente da Belotur, a escolha das bandas e cantores que se apresentarão nesses palcos obedeceu o critério de valorização de artistas de Belo Horizonte. Dessa forma, nomes como Aline Calixto, Dudú Nicácio, Thiago Delegado, as bandas carnavalescas Chama o Síndico e Alcova e algumas baterias de escolas de samba locais comandam a festa.

Os desfiles de Blocos Caricatos e Escolas de Samba continua na Avenida Afonso Pena, nos dias 16 e 17 de fevereiro, a partir das 19h.

ÁGUA


Outra questão levantada durante a coletiva de divulgação do carnaval 2015 foi a preocupação com o abastecimento da cidade nos dias da folia. De acordo com a Belotur, a estimativa é que a cidade receba cerca de 1,5 milhões de pessoas. Com o cancelamento do carnaval das cidades do interior, esse número pode ser ainda maior. O órgão, no entanto, não soube informar se há perigo de falta de água na cidade por conta do fluxo de pessoas. "Não tivemos uma conversa formal com a Copasa. Faremos apenas uma campanha, com apelo de cidadania, para que os foliões economizem água durante a festa", disse o Presidente da Belotur Mauro Werkema.
A reportagem ainda espera um posicionamento da Copasa em relação ao abastecimento de Belo Horizonte no período do carnaval.

INVESTIMENTO E SEGURANÇA

A Belotur anunciou um investimento de R$5,5 milhões para a festa desse ano em Belo Horizonte, entre recursos próprios e de patrocinadores. Apesar do carnaval ter tomado uma proporção maior em 2015, o valor é o mesmo investido na folia do ano passado.

Já quesitos como segurança e limpeza pública tiveram seus planos reforçados. Além do contingente policial que estará nas ruas, o carnaval será monitorado, em tempo real, pelas mil câmeras do Centro de Operaçõe da Prefeitura de Belo Horizonte - COP -BH. A parceria com a SLU também foi afinada, e o número de banheiros químicos deve ser 125% maior do que o disponibilizado em 2014. Serão oferecidos 9 mil cabines por dia, sendo que os banheiros podem ser instalados em mais de um evento diário.

SANTA TEREZA

O horário do carnaval no Bairro Santa Tereza também foi assunto abordado durante a coletiva. De acordo com Mauro Werkema, a Belotur não conseguiu entrar em um acordo com a associação de moradores do bairro. Ainda segundo o presidente, a demanda está agora sob a responsabilidade do Ministério Público, que deve trabalhar para a elaboração de um Termo de Ajustamento de Conduta que definirá o horário limite para a festa na região.

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