Bloco Paraíso dos Moralistas puxou os carnavalescos em Sabará

Grupo que desfila há 65 anos lotou as ruas da cidade histórica

por Gustavo Werneck 05/03/2014 07:57

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Ramon Lisboa/EM/D.A Press
(foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
O bloco mais antigo de Sabará, na Grande BH, completou 65 anos e deu um presente de primeira aos milhares de foliões que o seguiram na tarde de ontem: cadência bonita da folia, fantasias divertidas, irreverência e muita animação. Eram 14h, no Largo do Jogo de Bola, no Kaquende, quando o presidente do Paraíso dos Moralistas, Francisco Moreira, de 77 anos, deu a partida no enredo que foi cantado em todas as ruas do Centro Histórico: “Pode me chamar de velho, mas continuo a fazer meu carnaval, eu sou do tempo que afinava tamborim, botando fogo numa folha de jornal. Vem, Paraíso, agita o povo que o carná é seu…” Daí em diante, ninguém ficou parado, dançando e cantando para celebrar a terça-feira gorda.

“Estou no bloco desde os 12 anos. A gente é meio ‘cachorro perdido’, cada ano sai de um lugar. Só não pode faltar mesmo é o ‘tapa na boca’, o tradicional feijão-tropeiro que todos os componentes do bloco vêm comer na concentração”, disse Francisco, mais conhecido como Chico Parola. Com músicos da centenária Banda Santa Cecília, instrumentos de sopro e percussão, a agremiação tem história peculiar. “Em 1949, os fundadores foram pedir ao então delegado, o Capitão Augustinho, o alvará para o desfile de Os Tarados. Ele, então, disse que só daria autorização se mudassem o nome para Paraíso dos Moralistas. Sem alternativa, o pessoal resolveu aceitar a sugestão”, contou Francisco.

A farra foi grande, com direito a confetes, serpentinas, lança-espuma e sorrisos. As eternas marchinhas ditavam o ritmo. Las Totosas, grupo de 21 mulheres com perucão e roupa de chita, causou reboliço. “Não é preciso ser boa, mas gostosa”, brincou a cabeleireira Adriana “Sharon Stone” Moreira. De Barbacena, na Região Central, o advogado Leopoldo Soares, de 72, carregava uma mala. “Aqui estão as lembranças do Corgo Seco, a zona boêmia de Sabará fechada em 1961. Tem cada uma, que nem te conto”, falou baixinho, fazendo mistério. E, sem perder o pique, Maria Dalila Dolabela comemorou 81 anos sambando sem cansar.

E para mostrar que a folia da cidade é abençoada, apareceu até a representação do papa Francisco com o seu papamóvel. Com batina branca e mitra dourada, o representante comercial Anderson Sepúlveda saiu no Bloco Sapatão acompanhado da mulher, Andréa. “Sou católico e presto homenagem ao santo padre e à Jornada Mundial da Juventude. Conversei com nosso pároco e ele não viu problemas”, explicou Anderson.

À tarde, por volta das 16h10, o popular chuveirão na Praça Santa Rita garantiu refresco para a turma.

NOVA LIMA O último dia de carnaval também foi animado em Nova Lima, na Grande BH, com o desfile dos Olosujos, formado por vários blocos e foliões dissidentes. Formado por fãs da escola de samba Mangueira, do Rio de Janeiro, o Borboletas de Xerém homenageou o cantor Zeca Pagodinho com integrantes vestidos de verde e rosa. “Somos casados, temos nossas famílias, mas gostamos de nos divertir”, disse o vigilante Wanderson Costa.

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