Carnaval em BH tem blocos por toda cidade, shows e milhares de foliões nas ruas

Se havia dúvida sobre o renascimento do carnaval de rua na capital, ela foi enterrada neste sábado. A festa atraiu uma multidão em várias regiões

por Estado de Minas 02/03/2014 08:17

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Edésio Ferreira/EM/D.A Press
(foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)
O bloco Então Brilha (acima) arrastou 1,5 mil pessoas neste sábado pela manhã em BH. A concentração começou às 9h, na Rua Guaicurus, Centro, para encher de alegria, humor e criatividade a Avenida Santos Dumont e a Praça da Estação. Sinal mais que evidente de que a folia de rua é o tom da cidade no carnaval. Ao longo do dia e à noite, a alegria de Momo correu de norte a sul e de leste a oeste puxada por blocos coloridos, movidos a descontração e muito samba, como o Calixto, que desceu do Bairro São Pedro embalado por cerca de 5 mil foliões. A animação promete ser mais quente neste domingo, na segunda e terça-feira.


Me chama que eu vou

Mais de 1,5 mil pessoas se concentraram neste sábado na Rua Guaicurus, velha zona boêmia, entre Curitiba e São Paulo, para acompanhar o desfile do bloco carnavalesco Então Brilha!, que seguiu em direção à Avenida Santos Dumont para depois se encontrar com o bloco Praia da Estação, já reunido na Praça da Estação, na Região Central de Belo Horizonte. Os foliões começaram a chegar a partir das 9h e, por volta das 10h30, a bateria estava a pleno vapor. O comando ficava por conta de um pequeno furgão. Se sobrava animação, faltavam banheiros químicos pelo caminho.
Edésio Ferreira/EM/D.A Press
Saindo da velha zona boêmia, vários bloquinhos participaram da folia, que se deslocou para a Praça da Estação (foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)
A engenheira Ivone Gomes, que mora em BH, comandava um dos blocos secundários. “Fundamos porque gostamos de dançar. Meu filho é regente do Baianas Ozadas. Resolvemos fazer esse grupo de dança baiana com uma ala para acompanhar o carnaval”, explica.

O arquiteto Gregório Fiorotti, de 38 anos, contou que não tem perdido a festa em BH. “Desfilei no domingo passado e hoje resolvi participar de novo”. Morador da capital , ele explica que tem deixado de viajar por causa do risco de acidentes nas estradas. “Ficar e poder participar é maravilhoso”, disse.

Além da diversão, os foliões enxergam nessas promoções uma possibilidade de ocupar as ruas, como observa o belo-horizontino Leonardo Lima, diretor de arte que mora em São Paulo. Essa é a segunda vez que ele volta a BH para passar o carnaval. “É completamente diferente da micareta que toca nas praias. Além disso, é uma oportunidade de as pessoas ocuparem o espaço público. Já que pagamos nossos impostos, temos o direito curtir a rua”, analisa.

A estudante de artes visuais Ana Paula Garcia concorda. É a terceira vez que ela opta por ficar na cidade no feriado, sempre acompanhando a folia. Sábado, ela começou o dia desfilando no Então Brilha! e se juntaria ao Praia da Estação. Neste domingo, pretende participar do Pena de Pavão e Krishina. “Já são três anos de Carnaval em BH e tem sido muito legal. É uma oportunidade que a gente tem de ocupar a cidade que é nossa. Muitos dos nossos amigos também ficaram por aqui”, disse.

Enquanto o Então Brilha reunia uma multidão, outros blocos que sairiam pela manhã demoraram a atrair foliões. Foi o que ocorreu com o Perigosas da Centro-Sul, na Avenida Álvares Cabral, com o Enche meu Copo, na Esplanada, o Cidade Love, na Cidade Nova, e o Lavô tá Novo e o Impresta 10, de Santa Tereza. (Zulmira Furbino)


Com aval do mestre

Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press
Martinho da Vila celebrou o retorno das promoções populares em BH (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
A invasão dos blocos nas ruas e avenidas de Belo Horizonte entusiasma o cantor e compositor Martinho da Vila, que, na noite deste sábado, faria show para milhares de pessoas na Praça Rui Barbosa (Estação), na Região Centro-Sul da capital. “É um fenômeno que está crescendo em todo o país, inclusive no Rio de Janeiro. Durante muito tempo, o carnaval de BH ficou devagar, devagarinho, mas agora está acontecendo de novo com os blocos”, brincou Martinho, ao citar um dos seus grande sucessos. Para o artista de 76 anos e com muito tempo de folia, a sua participação neste ano será dividida entre Minas e Pernambuco, uma forma, segundo ele, de recarregar as baterias.

Na tarde de sábado, num hotel na Avenida Afonso Pena, no Bairro Serra, na Região Centro-Sul, Martinho destacou o clima espontâneo dos blocos carnavalescos, que, na capital, são em número de 200, dos quais 150 cadastrados na Belotur. “Bloco é bom, porque cada um inventa a sua fantasia, não precisa de ensaio. São mais livres, as pessoas saem para se divertir, bem diferente de uma escola de samba, onde cada componente parece um ator”, afirmou.

Martinho lembrou que as escolas cresceram muito: “A minha primeira escola, a Aprendizes da Boca do Mato, tinha 400 integrantes e, hoje, só uma bateria tem esse número”. Na percepção do compositor, os bailes nos clubes também estão voltando a todo vapor, como era moda até por volta dos anos 1980. “No Rio, isso está ocorrendo, principalmente com bailes infantis. O carnaval é assim, um eterno vaievém.”

Depois de uma longa temporada de calor, o tempo mudou na cidade e Martinho sorriu ao ouvir que ele trouxe a chuva. “Deu uma refrescada, mas o show será quente.” Na terça-feira, às 16h, será a vez de Mart'Nália mostrar seu talento no Palco Especial da Savassi (Avenida Cristóvão Colombo com Getúlio Vargas), dentro do Projeto Estação do Samba. (Gustavo Werneck)

COREOGRAFANDO
No embalo da montanha-russa
Cláudia Mara/Divulgação
(foto: Cláudia Mara/Divulgação)
Dentro de um bloco, um minibloco. Enquanto o Então Brilha! esquentava os tamborins, um grupo à parte fazia a festa. Amigos criaram o Frangas na Kumba, cuja fantasia simulava o movimento de uma montanha-russa. A coreografia, claro, seguia no mesmo embalo.

SEM CATRACA
Começou circulação no Move do Centro

Se o BRT começa a operar só no sábado com três de suas 10 linhas previstas, os foliões trataram de ‘inaugurar’ uma das estações da Avenida Santos Dumont, no Centro. Centenas deles ocuparam as plataformas na passagem do bloco Então Brilha.

LOJAS ABERTAS
Fantasia de última hora

Comerciantes de artigos de festas na região da Rua Guaicurus comemoraram a passagem dos foliões na manhã deste sábado. Atrás do Então Brilha, os carnavalescos aproveitaram para comprar adereços e complementar as fantasias. Quem se esqueceu do confete e da serpentina também não ficou na mão. As lojas, antevendo a procura, tiveram movimento extra.

SANTA TEREZA
Carnavalesco para lá de especial

Foi difícil para Breno Soares, de 18 anos, portador de deficiência, esperar que batesse o meio-dia para descer as ruas do bairro onde mora e assistir à folia do bloco Impresta 10, fundado há três anos pela comerciante Edilane Oliveria Lima. “Desde a hora que ele acordou está querendo vir”, disse a mãe, Sandra Rúbia Soares, que se aposentou para cuidar do filho. Segundo ela, Breno é frequentador assíduo dos blocos de Santa Tereza. O garoto concordava com ela, balançando os braços e distribuindo sorrisos.

Edésio Ferreira/EM/D.A Press
(foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)
EU, FOLIÃO
Arthur Nery, 25 anos, diretor de arte

Quem via sábado o diretor de arte Arthur Nery pulando carnaval na Rua Guaicurus podia pensar tudo, menos que ele é paulista e que veio de São Paulo só para experimentar a folia em Belo Horizonte. Nery mora em Vila Madalena, onde também desfilam muitos bloquinhos. Ele foi convidado por amigos belo-horizontinos para conhecer a festa na capital. Animado, Nery ainda não havia decidido em qual bloco desfilaria neste domingo. Mas segunda e terça a festa já tem endereço certo. “Na segunda, vamos para o Baianas Ozadas; e na terça-feira vamos para o Bloco do Peixoto.”

Arrastando a multidão
Ao som do axé, afro-reggae e outros ritmos, Aline Calixto incendeia a festança na Região Centro-Sul e dá um chega pra lá até na chuva
Cristina Horta/EM/D.A Press
Pelo menos 5 mil pessoas saíram da Rua Viçosa e desceram rumo à Praça da Savassi com Aline Calixto no comando (foto: Cristina Horta/EM/D.A Press)
Foi a primeira vez que a cantora Aline Calixto colocou seu bloco na rua e ela não tem do que reclamar. O público também não. Nem a chuva do início da tarde atrapalhou a saída do Bloco da Calixto do alto da Rua Viçosa, no Bairro Santo Antônio. “Comecei com o pé direito”, brinca ela, sobre o ensaio que havia reunido mais de 6 mil pessoas. Sábado não foi diferente.

De acordo com a Polícia Militar, eram esperadas 2 mil no trajeto até a Savassi, mas havia, no mínimo, o dobro. A sorte anda do lado de Calixto. Com o tema África de todos os Deuses, por volta das 15h a cantora, temporariamente uma Cleópatra à la mineira, abriu os trabalhos ao som de Faraó divindade do Egito, canção do Olodum, também conhecida na voz de Margareth Menezes. Na sequência, passou por Madagascar e outros clássicos do axé baiano da década de 1990.

A bateria esteve sob o comando do percussionista Robson Batata, de visual loiro especial. Ainda na banda, Gustavo Maguá e Thiago Delegado, com participações especiais de Brisa Marques e Heleno Augusto, integrante do Baianas Ozadas. A nova geração do samba feito em Minas estava toda lá.

“É uma construção. Tijolinho por tijolinho vamos fazendo uma festa que é única e genuína. É o povo fazendo a festa para o povo”, comentou Thiago Delegado antes de subir no carro de som que conduziu a galera. O repertório foi dividido em blocos, tais como Axé, ijexá, afro-reggae e outros estilos. “Há três anos os cidadãos têm ocupado o espaço público. Senti necessidade de fazer parte disso. Uma vontade de construir essa cena junto com outras pessoas”, completou Calixto.

A cantora cuidou de distribuir alguns kits de fantasias ligados à temática do bloco. O pacote vendido no valor simbólico de R$ 5 continha uma gola egípcia, purpurina e lápis de olho. Mas os foliões não ficaram restritos ao tema escolhido.

O trajeto foi percorrido sem problemas. Mesmo assim, veículos estacionados na Rua Viçosa foram um entrave para o caminhão de som e o público.

APPROACH

Quem escolheu pular carnaval mais cedo escapou da chuva forte. A água caiu por volta das 16h, quando a turma do Bloco do Approach terminava a passagem do som. Os foliões, que aguardavam o início da apresentação nas imediações do Bar Brasil 41, correram para as marquises. Também houve quem aproveitasse para dançar na avenida vazia.

O bloco fundado em 2009 foi uma das sensações no carnaval de 2013. Comandado pela banda Proa, o destaque fica por conta de ritmos que fogem do convencional: surf-music, polka-rock, punk de breque. “Eu estava fora do Brasil e voltei animada. É uma festa divertida sem aqueles apelos sexuais que dominaram o carnaval nos últimos anos. É o resgate das marchinhas”, elogiou a publicitária Carolina Teixeira, fantasiada de japonesa do campo.

Em Santa Tereza, a chuva também prejudicou o movimento de blocos como Boto de Santê, com concentração marcada para as 14h. (Carolina Braga - Colaborou Paula Takahashi)

Cristina Horta/EM/D.A Press
(foto: Cristina Horta/EM/D.A Press)
EU, FOLIÃO
Daniel Soares - 37 anos, empresário


Foi devagar que o carnaval de Belo Horizonte conquistou o folião Daniel Soares. Mas nesse ano ele empolgou de vez: fará uma homenagem a dançarinas. Se um dia sai de bailarina, no outro a fantasia escolhida é de odalisca. Nessa toada vai até terça. “Eu não poderia passar por essa vida sem me vestir de mulher”, brinca. Dono de uma loja de produtos para motociclistas, ele confessa ter se animado com a brincadeira e até voltado no tempo. Quando criança, lembra-se de sair de monstro na festa de Momo em cidades do interior, como Mar de Espanha e Lagoa da Prata. “Estou achando ótimo esse movimento de recuperar o carnaval de Belo Horizonte. Hoje fiquei surpreso quando cheguei no Bloco do Aproach e vi a estrutura com barraquinhas”, comenta.

No fim, todo mundo junto

Vários blocos de rua na Região Centro-Sul acabaram se unindo numa só festa, no início da noite, na Praça da Savassi. Problemas do último carnaval, como insegurança e falta de banheiros químicos, foram minimizados. Até mesmo crianças desfilavam, acompanhando os pais nas marchinhas e coreografias.

No Bloco dos Jangaleiros, na Rua Outono, no Bairro Sion, os foliões dançavam embalados por sucessos antigos, como a Macarena, e aprendiam os passos do Lepo Lepo, sucesso deste ano. A bancária Saionara Isnaia Oliveira Santos, de 35 anos, trocou a tradicional Ouro Preto para apresentar a festa belo-horizontina à filha, a pequena Giovana, de 3 anos. “Os bloquinhos estão tranquilos, uma delícia. Divertem adultos e crianças”, disse. “Vou ficar por BH mesmo, está bem animado. Amanhã (domingo), vamos sair no Baianas Ozadas”, planejava a advogada Fernanda Aguiar, de 31 anos, fantasiada de Minnie ao lado do namorado, o administrador de empresas Fernando Medeiros, de 27. Ao som da banda Coceira no Bibico, os jangaleiros seguiram em direção à Savassi, onde se encontraram com cerca de 4 mil foliões do Bloco da Calixto.

Lá, miniblocos se uniram à multidão, como as 20 meninas do Bloco das Trepadeiras. Fantasiadas de árvores, cada jovem encarnou um tipo de planta. A ideia veio da arquiteta Laura Almeida, de 27 anos, vestida de amor-perfeito. Ela e as amigas estavam acompanhadas de um ‘jardineiro’, o biomédico Guilherme Oliveira, de 28 anos. Ao lado, as garotas do Bloco da Gentileza ofereciam abrigo em seus guarda-chuvas. Das 17h30 até as 22h, o público pôde assistir aos shows de Dona Jandira, Marina Gomes, Sentapua, Capim Seco e Dudu Nicácio na Praça da Savassi. (Juliana Ferreira)

Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press
(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
Personalizada
De manhã em um, à tarde em outro

A girafa do Egito chamou a atenção de muita gente nos blocos de rua que desfilaram pela Região Centro-Sul. De manhã, a educadora física Fernanda Roscoe, de 32 anos, se travestiu de Cléopatra, a rainha do país africano, para o Então Brilha! À tarde, colocou a fantasia de animal da savana e seguiu para Os Jangaleiros, no Sion. “Passei no veterinário e ele disse que eu posso sair na rua”, brincou a foliã.

Lucrando
Do Mineirão para a festa de Momo

Trabalhar todos os dias de jogos de futebol no Mineirão é lucrativo para o vendedor ambulante Wallisson da Silva, de 24 anos. Mas no carnaval ele deixou os estádios de lado para vender bebidas em meio aos blocos de rua da capital. Neste sábado, apesar da chuva, não faltaram clientes na Região Centro-Sul. “Está muito legal. A Savassi é sempre assim. A gente fatura muito mais”, comemorou.

Vale até ensaio
Sem perder o rebolado

Para tornar Belo Horizonte uma das rotas nacionais da festa, primeiro os foliões familiarizaram-se com os instrumentos de percussão. Homens e mulheres dão o tom, sem perder o ritmo, com surdos e tamborins. Para não tropeçar na cadência, muita gente ensaiou passos para arrasar nas avenidas e praças da capital mineira. É o exemplo do Requebra, grupo de dança que busca inspiração no axé da Bahia.

BLOCO DO EU SOZINHO » Matando a sede da galera

Renan Damasceno/EM/D.A Press
(foto: Renan Damasceno/EM/D.A Press)
Eles são tão essenciais quanto o trio elétrico, a bateria e as meninas de shortinho curto. Carregam, muitas vezes, mais de 100kg, desbravando a multidão com a destreza de bailarino e força de estivador. Empurram o carrinho com o corpo, com um tufo de notas entre os dedos de uma mão e latas e garrafas na outra. Passam pedindo “licença” e gritando quase em coro: “um é três, dois é cinco” ou “um é cinco, três é dez real” – as duas únicas faixas de preço e promoção, que servem para vender de água mineral a uísque nacional, de cachaça com mel a copo de catuaba.

O vendedor ambulante, equipado com um bem munido isopor – daqueles todo encapados com fita adesiva e isolante, encardidos e gotejando – é uma espécie de Messias para a sedenta multidão. É a ele que os foliões recorrem quando a pior das pragas se manifesta: a seca da cerveja. Ninguém o engana: “É R$ 4, né, moço?”. “Não, R$ 5”. É a lei de mercado: se a demanda é maior que a oferta, não há pechincha. E a procura é grande, garante Danilo, que estava com a família trabalhando a todo vapor no Bloco Então, Brilha, na região boêmia da capital, sonhando vender 40 fardos de latinhas apenas no sábado.

A cotação da cevada está tão em alta que o cantor Tiago Delegado, ao fazer a propaganda do CD com as marchinhas do Bloco da Calixto, no Santo Antônio, apelou para o câmbio: “Comprem o CD, gente. Custa o mesmo que dois latões”, argumentou. Na sexta-feira, quem chegou mais cedo ao Bloco Carna Velvet, na Savassi, teve uma regalia: “É meu personal ambulante”, me explicou uma garota, brincando com o número de vendedores, àquela hora maior que o de foliões.

Mas se engana quem pensa que o lucro vem sem suor. O ambulante do isopor chega antes de todo mundo para estacionar a Kombi ou a Brasília – quando não chega de ônibus, suplicando a boa vontade do motorista para abrir a porta traseira para subir com a mercadoria. Também precisa lidar com a modernização: as famigeradas Fiorinos equipadas, que oferecem de cachorro-quente a macarrão na chapa, além de cerveja gelada.

Não bastasse, o ambulante do isopor tem a concorrência dos vendedores de ocasião, como o estudante de engenharia civil Fabrício Soares, que comprou 3 mil latões para vender até quarta-feira. Ou ainda dos foliões que não querem gastar além da conta, que levam o próprio isopor – ou até carrinho de supermercado, dependendo da sede, como fez uma dupla de amigos do Bairro São Lucas, que desceu ziguezagueando até a Praça da Estação.

A vida do ambulante do isopor é dura, mas tem seus refrescos. Solange, uma simpática vendedora no Bloco da Calixto, explica: “Tem uns malas, mas tem uns bonitinhos que adoram abraçar a gente”. (Renan Damasceno)

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