O gigante acordou

Antes com 50 bloquinhos, carnaval de Belo Horizonte ganha força e leva alegria à capital mineira

por Renan Damasceno 01/03/2014 09:00

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Belotur/Divulgação
(foto: Belotur/Divulgação)

Muita coisa mudou desde a última vez que escrevi crônica para esta seção, em 13 de fevereiro de 2013. O gigante, antes das manifestações, dormia em berço esplêndido e 20 centavos valiam apenas um punhado de balinhas. O papa não era argentino, Obama gargalhava ao ler nossos e-mails, o goleiro Victor não tinha auréola e Éverton Ribeiro, do Cruzeiro, não colecionava gols de placa no Mineirão. Paul McCartney não havia falado uai, o Move estava imóvel (ops, isso não mudou!) e o carnaval de BH tinha em torno de 50 bloquinhos, na mais perfeita harmonia.

Se há dois anos você podia cochilar na Praça da Liberdade, tomar um café na Praça da Savassi ou passear de sunga e óculos escuros pela Afonso Pena na festa de Momo (admito que nunca fiz isso, cochilar em público...), desde o ano passado Belo Horizonte se tornou uma espécie de rota alternativa para os foliões – festa que promete triplicar neste fim de semana, com o desfile de mais de 150 blocos e a presença de 1 milhão de pessoas nas ruas. Quem imaginava, há alguns carnavais, que a festa começaria com uma quinzena de antecedência?

São tantos blocos novos que me perdi ao fazer meu roteiro. Temendo que o mesmo ocorra com os célebres foliões, que, porventura, resolvam trocar outras capitais pela folia de BH, decidi criar um guia, levando em consideração os engraçados e pitorescos nomes dos grupos. O bom mineiro Fred, por exemplo, poderia trazer os companheiros de Fluminense para aproveitar o bloco Cai e Pira ou o Cai e Çara, de amanhã a terça-feira, ambos no Caiçara. O empresário Eike Batista, que perdeu R$ 34 bilhões em 2013 com o Grupo X, pode tentar uns trocados no Impresta 10, hoje e amanhã, em Santa Tereza.

O baianíssimo Caetano Veloso, depois das declarações e artigos contestáveis na polêmica das biografias, poderia convidar o sempre sereno Gilberto Gil para integrar o Zen Noção. O goleiro Bruno, pretendido pelo Montes Claros, time da cidade norte-mineira, pode aproveitar o Bloco A Transferência, hoje, no São Lucas – mas só até as 21h! –, enquanto os diretores do clube curtem o Queimando o Filme, no Santo Antônio. O tamanho dos blocos também mudou: O Papuda, de Santa Tereza, tem bem mais inquilinos famosos do que no ano passado, ao contrário do Sobrinhos de Tio Dirceu, no Buritis, que este ano desfilou apenas com os sobrinhos. Com tanta criatividade e organização, a expectativa é de alegria e segurança nas ruas de BH. Até porque, segundo a Belotur, ninguém se atreveu a botar um Black Bloco na rua – a não ser em fantasias, como de dois animados foliões, ontem à tarde, no Beijo de Grego, um estreante e bem organizado grupo do Bairro Anchieta.

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