Desfiles de blocos de rua na capital mineira já atraem turistas de todo o país

Público está trocando até mesmo Salvador, Recife e Rio para passar os 4 dias momescos em Minas

por Flávia Ayer 25/02/2014 07:27

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Sergio Amzalak/Esp.EM/D.A Press
Bloco Me Beija que sou Pagodeiro brincou com desconcentração domingo no Bairro Gutierrez, Região Oeste da capital, reunindo pessoas de todas as idades (foto: Sergio Amzalak/Esp.EM/D.A Press)
Que Salvador e Rio de Janeiro que nada! A fama do carnaval de Belo Horizonte tem se espalhado Brasil afora e traz foliões de outros estados para a capital mineira. O movimento ainda é tímido, mas já tem feito foliões acostumados com destinos famosos trocarem festas momescas tradicionais pelo carnaval de rua de BH, que ressurgiu há cerca de cinco anos e se mostra cada vez mais forte. Somente este ano cerca de 150 blocos prometem desfilar nas ruas e avenidas, esbanjando irreverência e caprichando nas fantasias. Ontem, o Batucajé agitou a Avenida Brasil, no Bairro Santa Efigênia, na Região Centro-Sul. De acordo com a Belotur, durante o carnaval será feito um acompanhamento da movimentação da rede hoteleira para avaliar o impacto no turismo da cidade.

Programa-se: Confira a programação dos Blocos de Rua do carnaval de Belo Horizonte

A produtora cultural baiana Thaís Carvalho, de 32 anos, vai trocar o carnaval de Salvador e, na quarta-feira, já embarca de São Paulo rumo a BH, onde se hospedará na casa de um amigo. Thaís morou em BH por três meses em 2010, fez amizades, conheceu a turma do Bloco Moreré, que se apresenta na quinta-feira e este ano resolveu entrar na folia à mineira. “Várias amigas estão indo para Salvador, mas quero conhecer um outro movimento. Sou curiosa e acredito que estarei numa cidade acolhedora, com pessoas que querem brincar carnaval na rua e com blocos que têm qualidade musical”, afirma. A produtora já está separando adereços e fantasias para o carnaval, tradição perdida na Bahia. “O carnaval de Salvador é uma das festas mais incríveis que conheço, mas já está muito institucionalizado. Em BH, é um movimento mais popular”, diz.

A designer carioca Letícia Pires, de 29, acredita que vai encontrar em BH um movimento semelhante ao início dos bloquinhos do Rio de Janeiro, quando eles ainda atraíam um público menor. A expectativa para a festa está grande, já que Letícia partirá de São Paulo, onde mora, com um grupo de 10 pessoas. Eles se hospedarão em casas de amigos e em um hotel na Savassi.

A programação é pular carnaval durante todo o feriado e a exceção será um dia no centro de arte contemporânea Inhotim, em Brumadinho, na região metropolitana. “Como morava com uma amiga de Minas, fui ao carnaval de BH em 2011 e o movimento ainda estava muito insipiente. Este ano, todo mundo está falando que vai ser mais organizado”, diz, e aponta outra vantagem da festa em BH. “Não é um destino muito caro. Compramos as passagens em promoção em janeiro. É bem mais tranquilo também para ir aos restaurantes, para andar de ônibus. Fica mais vazio.”

NOVO ENDEREÇO Moradores de BH também estão tentando viver novas experiências durante o carnaval e até mudar de casa nos dias de folia. O relações públicas André Macedo, de 27, queria repetir o feito do ano passado e alugar novamente uma casa no Bairro Santa Tereza, na Região Leste da capital, um dos principais circuitos do carnaval. A dificuldade, entretanto, tem sido encontrar donos de imóveis que topem o aluguel apenas durante a festa momesca. “Esse é um nicho de mercado interessante, mas ninguém topa alugar só no carnaval. A casa que ficamos no ano passado já está com moradores”, diz.

A ideia da mudança de endereço no carnaval surgiu para que a festa do grupo de cerca de 10 amigos ficasse limitada aos encontros na rua. “A nossa relação se aprofundou muito no carnaval de Olinda, em que ficamos todos numa casa. Pensamos em reproduzir essa experiência em BH e viver o carnaval 24h. Nossa casa em Santa Tereza tinha cinco quartos, freezer e grelha, e até fizemos churrasco”, conta.

Organização em Santa Tereza
A BHTrans informou que vai repetir durante o carnaval a estratégia de desvio e interdição do trânsito no Bairro Santa Tereza, na Região Leste. Os quarteirões próximos aos pontos de maior concentração de foliões – Praça Duque de Caxias e na Praça Ernesto Tassini (Cardoso) – serão fechados e o estacionamento, proibido. Não haverá cadastramento de moradores, mas uma triagem nas áreas de bloqueio. O presidente da Associação Comunitária do Bairro Santa Tereza, Ibiraci José do Carmo, afirma que o carnaval no bairro passou no teste do último fim de semana. “Foi uma festa muito bacana. O único problema foram os ambulantes sem o credenciamento. A partir de agora, vamos orientar moradores a andar com comprovantes de residência para facilitar na hora de passar de carro pelas ruas fechadas”, diz.

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