Músicos estão à frente de blocos que prometem animar o carnaval de rua de BH

Cantores, instrumentistas, sambistas, roqueiros e compositores de MPB vão fazer a festa do povo

por Ailton Magioli 01/02/2014 00:13

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Carlos Hauck/Esp.EM/D.A Press
Bloco do Moreré, que reúne músicos e artistas plásticos, transferiu sua festa de Santa Tereza para o Bairro Santa Efigênia (foto: Carlos Hauck/Esp.EM/D.A Press)
Baiano casado com mineira, Dorival Caymmi (1914-2008), cujo centenário de nascimento é comemorado este ano, será o grande homenageado do bloco Baianas Ozadas. Com desfile agendado para a Praça da Liberdade, ele é uma das atrações do reinado de Momo em BH.

Na expectativa de dobrar o movimento do carnaval de rua na cidade, a Belotur vai anunciar os blocos cadastrados nos próximos dias. Uma dezena é liderada por artistas, com destaque para os músicos. Cerca de 200 devem animar a capital, cuja agenda momesca contará também com o baile do Concurso de Marchinhas Mestre Jonas (dia 20), Baile dos Artistas (dia 21) e o tradicional desfile da Banda Mole (dia 22).

O número de grupos formados especialmente para o carnaval só faz crescer, fortalecendo o mercado de trabalho para os músicos. Que o digam o saxofonista Chico Amaral, os bateristas Lincoln Cheib e André “Limão” Queiroz, o trompetista Juventino Dias e os trombonistas Marcus Flávio e Pedro Aristides, que voltam a se reunir na Banda Coceira do Bibico. O dia da folia será anunciado pela Belotur. De contrato recém-assinado para mais um carnaval, o sexteto está animado com a maratona.

Vale lembrar: pela primeira vez, será lançado um disco gravado em BH especialmente para a folia. Produção independente, Coisa de louco reúne o cantor e compositor Dudu Nicácio (Bloco da Cidade) e a banda A Fase Rosa. Autoral e inédito, o repertório vai da marchinha ao ijexá, passando por axé, afoxé, frevo e samba. Nada mal para uma cidade que, há alguns anos, levava a fama de túmulo do carnaval.

“Até ano passado, nós nos concentrávamos em frente ao Bar do Pescador (conhecido como Bar do Orlando), em Santa Tereza. Por questão de logística, vamos para o Brasil 41, em Santa Efigênia”, anuncia o músico Vitor Santana, do Bloco do Moreré.

Flávio Henrique, Nati Rodrigues, Brisa Marques, Guilherme Fiuza e Thiago Mazza são alguns dos cantores, instrumentistas, compositores, artistas plásticos e cineastas que aderiram ao Moreré. O nome remete à praia na ilha baiana de Boipeba. Referência ao segundo maior mangue do país, abrigado naquela região, o caranguejo é o símbolo do grupo, que promete trazer à cidade gente como a psicanalista Maria Rita Kehl e a jornalista Eliane Costa, frequentadoras de Boipeba, além do mestre Gigil, uma espécie de guru da turma.

Abre-alas

Criado em 2012 por George Cardoso como ala que se juntaria a outros blocos, o Baianas Ozadas cresceu tanto que ganhou uma banda para tocar seu repertório, que reúne canções de Caetano Veloso, Gilberto Gil e da Timbalada, privilegiando ritmos ouvidos na Bahia dos anos 1970 a 1990. Para homenagear Caymmi, o bloco adotou o tema “Acontece que eu sou baianas” – no plural mesmo. O cancioneiro do mestre será adaptado para a folia.

No desfile deste ano, Baianas Ozadas pretende cumprir a promessa frustrada de 2013: vai descer a Rua da Bahia na contramão até a esquina da Rua dos Tamoios e planeja lavar a escadaria do Edifício Sulacap. “Estamos negociando com a Belotur”, revela George Cardoso, lembrando que a dispersão se dará na Praça da Estação.

Por sua vez, o Moreré vai se concentrar e se dispersar, no dia 27, no primeiro quarteirão da Avenida Brasil, em Santa Efigênia. Tradicionalmente, a prefeitura monta ali um palco para apresentações carnavalescas.





Guitarra


Nascido em 2009, na região do Mercado Central, o Bloco Approach também aderiu à concentração em Santa Efigênia, nas proximidades do Bar Brasil 41. Ele reúne os integrantes da Banda Proa – Daniel Saavedra e Pedro Araújo (guitarras), Rodrigo Araújo (baixo), Trotta (bateria) e Sara Assis (acordeom) –, além de percussionistas e músicos convidados nos metais. O carnaval elétrico dos roqueiros inclui inéditas autorais e versões de marchinhas clássicas.

“Começamos de maneira informal e acabamos virando sucesso”, relata o guitarrista Daniel Saavedra. Se no primeiro ano apenas 20 pessoas desfilaram, cerca de 5 mil se juntaram ao Approach em 2013. “O bloco acabou ficando maior do que a gente esperava”, confessa o músico, ressaltando que é necessário valorizar o que deu certo. “Sinal de que havia demanda”, afirma. O “desfile parado” do Approach ocorre sempre no sábado de carnaval, a partir das 14h.

Coceira boa...

A mulher, Marrege, e o cunhado, Adriano Ramos, eram os sócios do instrumentista e letrista Chico Amaral na Banda Coceira do Bibico, criada em 1993. A ideia era brincar na rua, assim como eles faziam no bloco Balanço da Cobra, em Ouro Preto. “A ideia é dar uma animada na cidade antes do carnaval oficial”, explica Amaral, que a cada ano toca em um palco diferente.

Do Bairro Funcionários – na Rua Ceará, em frente ao Grupo Oficina de Restauro, onde estreou – passando pela Feira de Alimentação até chegar, no ano passado, às proximidades da Praça da Savassi, não falta animação. A banda reúne cerca de 15 músicos que tocam repertório autoral e alheio. “Em geral, são sete percussionistas e oito sopros”, contabiliza Chico.

A turma “ataca” de Mamãe eu quero a Bolero, de Ravel, sem deixar de lado Gilberto Gil e Beatles. Marchinhas e frevo são o forte. O compositor espera que o carnaval de BH não se torne muito massificado. “Tem de ser algo legal e prazeroso, não eletrificado”, reivindica Chico Amaral.

REIS DA FOLIA


Alcova Libertina
Approach
Baianas Ozadas
Chama o Síndico
Cidade
Então brilha!
Mamá na Vaca
Moreré
Peixoto
Praia da Estação
Tetê
Tico-Tico Serra Copo
Toca Raul
Turma do Bocão
Unidos do Samba Queixinho

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