Artistas pedem pela reabertura da mostra 'Queermuseu', no Santader Cultural

'Obra adulta feita para adultos', afirmou Adriana Varejão, cuja obra 'Cenas do interior II' estava exposta

por Estado de Minas 12/09/2017 09:10
Facebook/Santander Cultural/Reprodução
Coletiva reunia obras de Adriana Varejão, Alfredo Volpi, Cândido Portinari, Clóvis Graciano e Lygia Clark. (foto: Facebook/Santander Cultural/Reprodução)
Inaugurada no dia 14 de agosto em Porto Alegre, no Santander Cultural, a exposição Queermuseu - Cartografias da diferença na arte brasileira virou alvo de críticas por parte de grupos conservadores, que acusaram a instituição de promover valores como a ''imoralidade'',  a''blasfêmea'', a ''pedofilia'' e ''zoofilia'', de acordo com o Movimento Brasil Livre (MBL) e grupos religiosos

Após a pressão desses grupos e uma série de críticas recebidas pelas redes sociais, a mostra - que ficaria em cartaz até o dia 08 de outubro - foi cancelada neste domingo, 10, pela instituição, que explicou dizendo que as obras presentes ''desrespeitavam símbolos, crenças e pessoas'', o que ''não está alinhado'' com a visão de mundo da empresa. 
 
Ao saberem da decisão, artistas, curadores, produtores de arte, economistas, professores e profissionais de diversas áreas se manifestaram contra a posição do Santander. Para a tarde desta terça-feira, 12, às 15h30, ONGs e entidades que se dedicam à promoção dos direitos LGBT marcaram um ato que irá acontecer em frente à fundação, como forma de repúdio à decisão. Herdeiros da artista Lygia Clark (1920-1988), que tinha duas obras na coletiva, prometeram participar. Além disso, circula na internet um manifesto que pede a reabertura da mostra. Até agora, ela soma mais de 29 mil assinaturas

Em nota, a artista Adriana Varejão, cuja obra ''Cenas do interior II'' estava entre as expostas, afirmou: ''Esta é uma obra adulta feita para adultos. A pintura é uma compilação de práticas sexuais existentes, algumas históricas (como as chungas, clássicas imagens eróticas da arte popular japonesa) e outras baseadas em narrativas literárias ou coletadas em viagens pelo Brasil. O trabalho não visa defender essas práticas. Não faço apologia a nada; como artista, apenas busco jogar luz sobre coisas que muitas vezes existem escondidas. É um aspecto do meu trabalho, a reflexão adulta.''

Na tarde desta segunda, a instituição cultural anunciou que irá devolver à Receita Federal os R$ 800 mil captados pela Lei Rouanet para realizar a mostra. 

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