Fãs reverenciam centenário de Jack Kirby, cocriador de super-heróis dos quadrinhos

Desenhista foi responsável pelos traços de Capitão América, Hulk, Thor e X-Men

por Breno Pessoa 03/09/2017 07:51

Creative Commons
O desenhista Jack Kirby morreu em 1994, antes de seus personagens chegarem ao cinema e de sua assinatura ser incluída como coautor, o que passou a ocorrer em 2014 (foto: Creative Commons)
As aparições rápidas de Stan Lee, reverenciado como criador máximo do panteão de heróis da Marvel, viraram tradição nos filmes baseados em quadrinhos do selo. Quem acompanha o universo cinematográfico do estúdio provavelmente já está familiarizado com o velhinho simpático e bonachão que faz pontas bem-humoradas em quase todos os títulos. Mas parte expressiva de tudo que é visto hoje na tela grande e nas páginas das HQs da editora é creditada a um nome menos popular: Jack Kirby. Cocriador de ícones como Capitão América, Hulk, Thor e X-Men, o quadrinista teve seu centenário de nascimento (no último dia 28) celebrado no universo dos quadrinhos, em que é tido como um dos mestres do gênero.

Enquanto Lee segue retratado como gênio criativo da editora, o papel relegado a Kirby na história da Marvel foi, essencialmente, o de grande desenhista, “The King” (O Rei), como era enunciado nas páginas das revistas nos anos 1960. Não é pouco, já que o talento no lápis era inegável e seu estilo virou referência para outros artistas e influenciou decisivamente os quadrinhos de super-heróis. Famoso pelo dinamismo, o desenho de Kirby era marcado pela fluidez e grande senso de movimentação, junto ao uso característico de onomatopeias. Mas a importância dele transcende as linhas e traços que deram vida às aventuras de inúmeros personagens populares até hoje.

MÉTODO MARVEL


Mais do que desenhar – o que já garante um lugar entre os grandes do gênero – Kirby também dava expressiva contribuição no desenvolvimento das histórias. Isso porque, em virtude do grande volume de publicações sob seu comando, Lee não escrevia roteiro para os desenhistas, mas, sim, argumento para tramas. No chamado método “Marvel Way” cabia a artistas como Kirby transformar e expandir o argumento em histórias com cerca de 20 páginas de desenho e espaços para balões e recordatórios, que eram preenchidos por Lee ou outros roteiristas após a arte ficar pronta.

Marvel/Reprodução
(foto: Marvel/Reprodução)

Até em virtude desse modelo de trabalho mais solto, é difícil atribuir com precisão a quem cabe cada parcela nas centenas de histórias produzidas na dobradinha entre os dois artistas. Mas a popularidade alçada quase que exclusivamente por Lee é algo equivalente a considerar apenas o talento de um Beatle na parceria Lennon/McCartney.

Autodidata, Kirby ingressou nos quadrinhos nos anos 1930 e chegou a trabalhar, em 1939, no estúdio de animação Fleischer, responsável pelos desenhos de Popeye. Com sucessos medianos em tiras para jornais e publicações pulps, teve como primeiro marco a criação de Capitão América (1941), ao lado de Joe Simon, para a Timely Comics, que viria a ser a Marvel.
Marvel/Reprodução
(foto: Marvel/Reprodução)

O auge de popularidade da editora chegaria algumas décadas depois, muito em decorrência da parceria entre Kirby e Lee. Juntos, foram os responsáveis por Quarteto Fantástico (1961), a primeira equipe de super-heróis da Marvel e mais um grande número de personagens bastante populares também no cinema. Kirby participou na criação de Homem de Ferro, Surfista Prateado, Homem-Formiga e Pantera Negra, sem contar vilões como Magneto, Doutor Destino e Galactus.

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