Elizabeth Gontijo lança livro o livro 'Marca d'água' em BH

Oitavo livro da autora será lançado nesta terça-feira, 23, no Café do Centro Cultural Minas Tênis Clube

por Ana Clara Brant 23/05/2017 08:30

Beto Novaes/EM/D.A Press
A poeta Elizabeth Gontijo se inspirou nas delicadezas da marca d'água. (foto: Beto Novaes/EM/D.A Press)

Marca d’água é a imagem formada por diferenças na espessura de uma folha de papel quando se aplica uma estampa na folha ainda úmida. Pode ser vista apenas se o papel for colocado contra a luz, não interferindo no que está escrito ou impresso. A sutileza e a força da marca d’água inspiraram o novo livro da escritora mineira Elizabeth Gontijo.


''Ela é, ao mesmo tempo, sutil e forte porque é identificadora. Por exemplo: na nota de dinheiro, você só consegue ver a marca d’água se colocá-la contra a luz. Só assim se descobre se ela é verdadeira ou não. Isso é muito interessante. Todos nós temos a nossa marca d’água, mas ela é mais discreta, sutil mesmo. O poeta busca justamente isso: o mais secreto sob a aparência das coisas, a marca que sinaliza o primordial'', diz Elizabeth.

 

Marca d’água (Editora Cas’a’screver), oitavo livro da autora, será lançado na noite desta terça-feira, 23, no Café do Centro Cultural Minas Tênis Clube, com prefácio assinado pelo doutor em literatura Antônio Sérgio Bueno. São 65 poemas – alguns mais sintéticos, como Triz, e outros em que ela conta uma historinha mesmo (Duas moradas).

 

 

''Gosto dessa coisa sintetizada do Triz; esse lampejo. Ele é quase um haicai'', afirma a autora. O livro tem quatro partes: Roda, que traz epígrafe de Clarice Lispector; Ranhuras, com palavras de Guimarães Rosa; Indispensável, com texto de Emily Dickinson; e A mais ver, assinado por Guimarães Rosa.

A capa foi criada por Marconi Drummond e as ilustrações são da própria Elizabeth, formada em artes plásticas pela Escola Guignard. A autora conta que desde a infância a escrita tomou conta de sua vida. ''Sempre gostei muito de desenhar e escrever. Mesmo tendo feito artes plásticas, nunca abandonei as palavras e, em 1991, decidi lançar minha primeira publicação, De cor. Não parei mais e não pretendo parar'', avisa.

Elizabeth conta que tem acompanhado com satisfação a nova geração de poetas, destacando o trabalho de Ana Martins e Ana Elisa Ribeiro. ''É uma poesia moderna, considero-as excepcionais. É muito bom ver essa renovação'', conclui.

MARCA D’ÁGUA
• De Elizabeth Gontijo
• Editora Cas’a’escrever
• 92 páginas
• R$ 40
• Lançamento hoje, das 19h às 21h30, no Café do Centro Cultural do Minas Tênis Clube (Rua da Bahia, 2.244, Lourdes). Informações: (31) 3516-1026.

POEMAS

TRIZ
Um dia,
na valsa da noite,
leve toque na cintura.

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DUAS MORADAS
D. Joana,
D. Rosa,
feias, desdentadas,
juntam lixo
em duas latas.

Em estranho ritual,
pitam, orgulhosas,
seus cachimbos malcheirosos.
Juntas,
moram sozinhas.

D. Joana,
D. Rosa,
em minha asséptica infância:
fermento em largo espanto,
sal em preciso ardor.

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