Professores e escritores analisam obra de Antonio Candido

Morto há uma semana, maior crítico literário brasileiro deixou um legado que merece ser analisado para além das universidades

por Estado de Minas 19/05/2017 10:14

EM/D.APress
(foto: EM/D.APress)
Diante da morte de Antonio Candido (1918-2017), na semana passada, fala-se muito em lacuna e perda. Não seria interessante inverter a premissa e começar a pensar nos ganhos que o país teve com a existência deste intelectual de primeira grandeza? O legado que o crítico, ensaísta e leitor dedicado deixou para o Brasil é enorme e deveria servir de ponto de partida para se pensar a literatura e a sociedade, suas relações e desdobramentos como constituintes da realidade. A obra de Antonio Candido é vasta, abrangente e, embora mereça organização e edição mais cuidadosas, é capaz de atingir públicos distintos e bastante abrangentes. O Pensar reuniu depoimentos de três professores de literatura sobre o crítico, uma preciosa correspondência entre ele e o poeta Armando Freitas Filho e alguns trechos de textos do próprio Candido sobre escritores mineiros. São fragmentos dispersos que buscam apontar alguns dos vários caminhos de leitura da obra do intelectual que o Brasil teve o privilégio de ganhar.

 

O interesse transformador

 

Anelito de Oliveira 

 

Aparentemente, soa como lugar-comum dizer que Antonio Candido é a minha principal referência na crítica literária brasileira. Pensa-se há muitas décadas, dentro e fora da universidade, que se trata da principal referência de todos que estudaram letras e se especializaram em literatura brasileira. Candido seria, desde sempre, uma unanimidade real, digamos, seguido e adorado sem restrições, o que, no limite, significaria algo como um consenso em torno da perfeição da sua obra.

 

Na realidade, no início dos anos 1990, quando comecei a ler com acuidade o autor de Formação da literatura brasileira (1959), o que estava na última moda na universidade eram os chamados “estudos culturais”, aqui aportados em sua versão americanizada, com inflexões teóricas generalizantes. Tudo, então, passou a ser objeto de estudo literário nas faculdades de letras, especialmente quando assinado por um autor empírico vinculado a grupos minoritários: negro, mulher, homossexual, pobre, presidiário, judeu etc.

 

Nesse contexto, Candido, que já tinha pendurado as “chuteiras” acadêmicas lá no final dos anos 1970, era exemplo de um tipo de intérprete tradicional da produção literária que deveria ser superado sobretudo em função de uma suposta limitação da sua obra ao Brasil, de uma visão muito sociológica de literatura. O pouco-caso – que, evidentemente, muitos agora negam, cinismo bem nosso – pelo método Candido teve um estímulo decisivo no livro de Haroldo de Campos, O sequestro do barroco na formação da literatura brasileira: o caso Gregório de Matos (1989). Candido seria, segundo a leitura eufórica então praticada do texto de Haroldo, uma espécie de oposto nacional, simplório, do grande Jacques Derrida, o inventor da “desconstrução”, convertido em “a” autoridade filosófica – e literária, e sociológica, e religiosa etc.

 

O respeito pela personalidade Antonio Candido – o professor, o intelectual, o membro fundador do PT – sobrepôs-se, gradativamente, ao interesse real pela sua obra à medida que a crítica literária foi sendo substituída pelo resenhismo superficial nos jornais e pelo ensaísmo dócil nas revistas universitárias.

 

O pouco-caso pela obra mesma de Candido passa a ser perceptível, dos anos 1990 para cá, até em autoproclamados discípulos seus, que, a pretexto de falar da obra, falam muito mais sobre eles mesmos, sobre um interesse muito claro de se promoverem a partir do “mestre”, estilo papagaio de pirata. Assim é que uma questão como a da razão iluminista, que constitui o núcleo duro da obra de Candido, ainda espera por um devido enfrentamento crítico.

 

Como perceber literatura como positivité (Hegel usava essa palavra francesa para designar o estado de opressão vivenciado pela sociedade, como Giorgio Agamben recordou recentemente ao refletir sobre o conceito de “dispositivo”), como trabalho edificante, numa espacialidade e temporalidade – Brasil, 1500-2017 – que se processam sob a égide da negatividade real, na qual a produção literária está envolvida?

 

Evidente que o modo como Candido pensa desde o início do seu trajeto nos anos 1940, nos textos hoje reunidos em livros como Brigada ligeira (1945), até trabalhos mais recentes, como os reunidos em Recortes (1993), é marcado por um propósito de contribuir para a consolidação do campo dos estudos literários brasileiros, para o acabamento de uma obra sociocultural iniciada objetivamente no século 19 com Sylvio Romero, Araripe Jr. e José Verissimo.

 

Não é possível dissociar suas análises completamente dele mesmo, de sua biografia, de sua “infância alemã”, de sua criação “mineira”, de sua ascendência imperial, digamos, como ele mesmo revelou no belo Um funcionário da monarquia: ensaio sobre o segundo escalão (2002). O grande obstáculo que sua obra apresenta ao povo de letras é, na verdade, uma gratuidade para o povo de sociologia: perceber que toda ação é interessada, que não é possível uma imparcialidade total em nada que os sujeitos sociais fazem, que até o desinteresse, diz Pierre Bourdieu, é interessado. A questão é discutir, então, a qualidade dos interesses, distinguir interesse transformador, revolucionário, de interesse conservador, reacionário.

 

Neste sentido, precisamente, que o autor de Dialética da malandragem, ensaio constante do livro O discurso e a cidade, foi e continuará sendo minha principal referência de uma percepção sensivelmente reflexiva da produção literária, empenhada em desvelar sua relação complexa, antagônica, com a sociedade. Nos últimos anos, tenho pensado que uma forma de dialogar com altivez com Candido é, por exemplo, lidar com a hipótese de que não há uma dicotomia propriamente dita entre literatura e sociedade – dicotomia que se tornou a  referência do crítico –, de que literatura “é” sociedade, uma produção estruturante da vida de sociedades letradas, um departamento de letras das elites.

 

Com Candido, criticamente – não com exaltações cínicas –, os estudos literários podem sair da sua crise burguesa e contribuir, quem sabe, para a efetivação do que o crítico enuncia com sua proverbial sensatez no ensaio O direito à literatura, reunido na coletânea Vários escritos (1970), dedicada, por sinal, ao poeta mineiro Emílio Moura, símbolo de uma grandeza humana que tanto faz falta por toda parte.

 

Doutor em literatura brasileira pela USP, poeta, professor na Unimontes e autor de A aurora das dobras (ensaio) e Transtorno (poesia), entre outros 

 

Leitor atento à poesia

 

Sérgio Alcides 

 

Antonio Candido foi um dos maiores leitores de poesia do Brasil. Mas não só a poesia do Brasil. Era conhecida a predileção dele por T. S. Eliot. Muito jovem, ainda na década de 1940, quando escrevia o rodapé semanal de crítica literária do Diário de São Paulo, várias vezes se deteve sobre o grande modernista anglo-americano. Nessa época também, escrevendo para a Revista Brasileira de Poesia, foi um dos primeiros a comentar com algum senso crítico a obra de Ezra Pound – então maldito pela sua recente associação ao fascismo italiano.

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Em conversas privadas, era comum ele mostrar sem nenhum pedantismo sua excepcional memória, recitando passagens inteiras de Racine. Quanto à poesia brasileira, várias passagens da Formação e de outras obras revelam o leitor arguto, muito exigente, que nada afirma sem respaldo no texto, e nunca se serve da poesia como mero pretexto para a exposição de filosofices e teoricalhas elegantes.

 

Querem alguns “momentos decisivos” da leitura de poesia no Brasil do nosso tempo? Então procurem o capítulo da Formação sobre Cláudio Manuel da Costa. A leitura de Leito de folhas verdes, de Gonçalves Dias, no mesmo livro. A introdução aos Melhores poemas de Álvares de Azevedo, as “Inquietudes na poesia de Drummond”. Não sabem quem foi que “reabilitou” Oswald de Andrade, se foi Ferreira Gullar ou os irmãos Campos? Então, abra o livro Brigada ligeira, de 1945, e veja o artigo Estouro e libertação. Gostam de Manuel Bandeira? Então leiam o prefácio de Antonio Candido e Gilda de Mello e Souza a Estrela da vida inteira. Depois de observar como o crítico se aproxima de um poema, a atenção que lhe dedica, o rendimento que lhe dá, vamos conversar outra vez sobre essa estória de “crítica sociológica”...


Poeta, tradutor, ensaísta, professor da Faculdade de Letras da UFMG e autor de Armadilha para Ana Cristina e outros textos sobre poesia contemporânea, entre outros. 

 

Arte até em palavrão

 

Letícia Malard

 

Antonio Candido, professor e orientador de várias gerações, é sem dúvida a personalidade cultural mais citada nos trabalhos da área de letras e literatura brasileira, em todos os seus níveis de ensino e pesquisa. Além de historiador e ensaísta, foi um crítico literário completo. Sabia como poucos abordar um texto, tirar dele o que há de mais significativo, de essencial para seu entendimento ou avaliação.

 

No prefácio ao livro Na sala de aula (1985), composto de análises interpretativas de poemas, Candido declara conceber o seu trabalho como artesanato e, por isso, muito dependendo da personalidade do artesão. Seus textos crítico-analíticos aí estão, vivos e atuais, para ratificá-lo. O artesão transforma os mais diversos e inusitados materiais em obras de arte originais e únicas. O nosso crítico-artesão, em seu insight analisador e interpretador, vai utilizar ferramentas especiais para a leitura do texto, que permitem justificar inclusive aquilo que aparentemente é injustificável.

 

O trecho sobre o uso do palavrão por Pedro Nava (leia ao lado) comprova o dito acima. Ele exemplifica o Antonio Candido como grande artesão da crítica literária, ao demonstrar a função estética de vocábulos já de si antiestéticos, a ponto de não poderem ser pronunciados numa conferência. A esta estive presente, mas creio que o Nava não. Mais tarde, assisti ao próprio comentando-a, naquele seu jeito irônico e leigo em crítica literária: “Só mesmo o Candido – o nome já diz – para achar arte nos meus palavrões!”.

 

Além do mais, o professor adorava genealogias. Há uns dois anos, eu fazia pesquisa no Arquivo Público Mineiro. Deparei por acaso com documentos preciosos para o nosso mestre. Eram atos de nomeação, de meados do século 19, de ascendentes diretos seus, para cargos na área do ensino em Minas. Mandei-lhe cópias e recebi uma longa carta manuscrita, junto com o interessante livro Mina R – de seu irmão Roberto de Mello e Souza, militar na Segunda Guerra Mundial. E o Candido informava desconhecer aqueles fatos da família. Foi nosso último contato.


Professora emérita de literatura brasileira da UFMG 

 

Leia correspondência entre Antonio Candido e Armando Freitas Filho 

 

São Paulo, 26 de julho de 2004

 

Querido Armando:

 

Muito obrigado pelo telefonema de vocês, amigos prezados por vários motivos, inclusive os laços do passado familiar. Do alto duvidoso dos 86 anos o passado fica importante, e é para ele que tendemos cada vez mais a olhar, porque futuro é coisa que praticamente não existe.

 

Estou devendo a você um agradecimento pela oferta de Máquina de escrever. Assim reunida a sua poesia adquire um vulto impressionante, porque todos os seus aspectos se desdobram à nossa vista de leitor como verdadeira “carreira” poética. Você é um poeta de respiração profunda, num tempo em que muitas vezes os bem dotados não vão além dos “instantes poéticos”. Por mais interessantes que sejam, estes não permitem o que se pode chamar de pensamento poético, segundo o qual a sensibilidade e a habilidade se manifestam como exercício da inteligência, facultando os poemas nos quais se encarnam a força da mente e a visão de mundo. Aí, sentimos que o poeta é um homem que pensa, e não um registrador de impulsos mais ou menos felizes. O que sinto olhando o conjunto da sua obra é esta presença do pensamento, que não se entrega facilmente, mas repousa no fundo dos versos e os anima, disciplinado a emoção e as percepções. Você é um poeta que delibera, e não apenas registra. E que tem ouvido fino e o dom da língua. Nem sempre acessível no sentido corrente, mas fazendo o leitor sentir que nos seus textos há uma grande germinação de sentidos.

 

Obrigado, portanto, por esta “suma” que nos proporciona, como oportunidade de uma verdadeira experiência poética, e que assegura a sua posição eminente na literatura brasileira.

A Cristina e a você o abraço afetuoso do

 

Antonio Candido

 

Rio de Janeiro, 1º de agosto de 2004

 

Querido Antonio Candido:

 

Fiquei em estado de graça, com sua carta tão generosa. Estava sozinho em casa, quando o correio chegou. Percebi, então, que eu esperei essa carta a vida inteira! Liguei, incontinente, para Ana Luísa a fim de compartilhar com ela esse momento perfeito. Poder dividir, com sua filha, a alegria maior que estava sentindo, completou minha felicidade.

 

Fora do âmbito familiar, você e Carlos Drummond são aqueles que me formaram intimamente, e eu procurei aprender as suas lições, acompanhando-os, desde sempre. Tive muita sorte em conhecê-los, pessoalmente. Vocês se parecem muito: na grandeza moral, intelectual e até na caligrafia! Aliás, suas letras como as de Machado e João Cabral pertencem à mesma família. Não entendo de grafologia; só sei que tem tudo a ver vocês se unirem também por esse traço.

 

Tenho certeza que vou cortar uma volta, mas tentarei merecer – in totum – o que me diz, a sua aprovação preciosa. Muito obrigado, Antonio Candido. Este agradecimento é antigo, mas nunca me cansarei de repeti-lo. Com o beijo para Gilda e com o abraço melhor e a gratidão do seu velho leitor e releitor, maravilhado, há 50 anos.

 

Armando 

 

Palavras sobre os escritores mineiros 

 

Murilo Mendes

Analisar este poema é essencialmente tentar a caracterização da sua linguagem, a partir do problema das tensões, muito vivo aqui a começar pela ambiguidade do título, que pode significar “pastor que toca piano”, ou “pastor que apascenta pianos”. Além disso, é notório o efeito de surpresa, que desde muito é visto como um dos fatores de constituição da linguagem poética e pode ser expresso pela série: divergência *** ruptura *** surpresa. A surpresa consiste na ocorrência de algo inesperado, que o leitor não previa e lhe parece fora da expectativa possível, mas que graças a isso o introduz num outro país da sensibilidade e do conhecimento. País onde ele se sente pronto para aceitar uma realidade nova. Aliás, tanto a tensão quanto a surpresa decorrem da própria natureza da linguagem figurada, tão importante na caracterização do discurso literário em geral, do poético em particular.

 

Trecho de Na sala de aula, caderno da análise literária (1985)

 

Pedro Nava

“Um dos traços mais saborosos dos livros de Pedro Nava é o uso abundante, judicioso e extremamente funcional do palavrão. Na sua composição estilística, este perde o sentido puramente obsceno, torpe ou insultuoso, isto é, perde a sua especificidade semântica, para adquirir um cunho genérico de violência verbal criadora, com traços estéticos próprios, graças à impressionante necessidade que o torna insubstituível na frase, enriquecida por ele. Eu diria que essa função estética é ao seu modo um elemento de generalização, que contribui para a universalidade desses livros (de Pedro Nava), dos quais constitui um dos traços mais peculiares e eficientes. Todavia, dada a circunstância em que se situa esta palestra universitária, devo contentar-me com tais indicações e não proceder, como nos outros casos, à demonstração por meio de exemplos.”


Trecho de Pedro Nava, uma obra em prosa franca, conferência no Seminário de Estudos Mineiros, realizado na UFMG, reproduzida no Estado de Minas (21/3/1976).

 

Guimarães Rosa 

Na extraordinária obra-prima Grande sertão: veredas há de tudo para quem souber ler, e nela tudo é forte, belo, impecavelmente realizado. Cada um poderá abordá-la a seu gosto, conforme o seu ofício; mas em cada aspecto aparecerá o traço fundamental do autor: a absoluta confiança na liberdade de inventar.

 

Numa literatura de imaginação vasqueira, onde a maioria costeia o documento bruto, é deslumbrante essa navegação no mar alto, esse jorro de imaginação criadora na linguagem, na composição, no enredo, na psicologia. (…) Para o artista, o mundo e o homem são abismos de virtualidades, e ele será tanto mais original quanto mais fundo baixar na pesquisa, trazendo como resultado um mundo e um homem diferentes, compostos de elementos que deformou a partir dos modelos reais, consciente ou inconscientemente propostos. Se o puder fazer, estará criando o seu mundo, o seu homem, mais elucidativos que os da observação comum, porque feitos com as sementes que permitem chegar a uma realidade em potência, mais ampla e mais significativa.

 

Registrando o aparecimento desta numa resenha breve, sugeri, sem especificar, esse caráter de invenção baseada num ponto de partida em que tudo estivesse no primórdio absoluto, na esfera do puro potencial. Parecia que, de fato, o autor quis e conseguiu elaborar um universo autônomo, composto de realidades expressionais e humanas que se articulam em relações originais e harmoniosas, superando por milagre o poderoso lastro de realidade tenazmente observada, que é a sua plataforma. (...)

 

A experiência documentária de Guimarães Rosa, a observação da vida sertaneja, a paixão pela coisa e pelo nome da coisa, a capacidade de entrar na psicologia do rústico -tudo se transformou em significado universal graças à invenção, que subtrai o livro à matriz regional para fazê-lo exprimir os grandes lugares-comuns, sem os quais a arte não sobrevive: dor, júbilo, ódio, amor, morte- para cuja órbita nos arrasta a cada instante, mostrando que o pitoresco é acessório e que na verdade o sertão é o mundo.


Trecho do ensaio O homem dos avessos, de 1958, reunido em Tese e antítese: ensaios (1964)

 

Carlos Drummond de Andrade

Sentimos então um problema angustioso: se o alvo da poesia é o próprio eu, pode esta impura matéria privada tornar-se na sua contigência, objeto de interesse ou contemplação, válido para os outros? A pergunta reaparece periodicamente na obra de Drummond. Aqui, desenvolve-se do modo seguinte: o eu que poderia ter sido não foi. O passado, trazido pela memória afetiva, oferece farrapos de seres contidos virtualmente no eu inicial, que se tornou, dentre tantos outros possíveis, apenas o eu insatisfatório que é. Ora, o passado é algo ambíguo, sendo ao mesmo tempo a vida que se consumou (impedindo outras formas de vida) e o conhecimento da vida, que permite pensar outra vida mais plena. É portanto com os fragmentos proporcionados pela memória que se torna possível construir uma visão coesa, que criaria uma razão de ser unificada, redimindo as limitações e dando impressão de uma realidade nais plena. Esta razão de ser poderia coexistir na elaboração da obra de arte, que se apresenta como unidade alcançada a partir da variedade e justifica a vida insatisfatória, o sofrimento, a decepção e a morte que se aproxima.


Trecho do ensaio Inquietudes na poesia de Drummond, de 1965, reunido em Vários escritos (1970) 

 

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