Marcelo Tas e Mario Sergio Cortella lançam 'Basta de cidadania obscena!' em BH

Livro que discute ética e mudanças de valores na era digital será lançado na edição desta quarta-feira, 03, do projeto Sempre um Papo

por Mariana Peixoto 03/05/2017 07:00
Rodrigo Fuzar/Elaine Higa/Divulgação
Debate será realizado no Palácio das Artes e tem ingressos esgotados (foto: Rodrigo Fuzar/Elaine Higa/Divulgação)
Cidadania obscena? Na verdade é o avesso da cidadania. Coautor, com o filósofo Mario Sergio Cortella, do livro Basta de cidadania obscena! (Papirus, 110 páginas), o comunicador Marcelo Tas traduz a expressão. “Com os meios que temos hoje, corremos muito o risco de ter a sensação de estar participando da vida cidadã. Só que não. É a ilusão criada por curtir coisas no Facebook, de xingar alguém, brigar com uma amiga que tem opinião diferente da nossa. Vamos parar de fingir que estamos sendo cidadãos”, comenta ele.


A discussão vai longe. Abrange participação em redes sociais, a sociedade do politicamente correto, a revolução digital, os meios de comunicação. Fala, principalmente, de ética. Cortella e Tas se reuniram num sítio e conversaram sem parar. Tas chama o encontro de duelo. O resultado é o livro, que se desdobra em encontros presenciais que a dupla vem tendo. Hoje, levam essa discussão para o Palácio das Artes, em uma edição do projeto Sempre um Papo.

RELATIVISMO “A ética ficou um pouco mais elástica, em vez de ficar mais flexível. Ela é mais relativista, ou seja, vale tudo. O mundo digital nos trouxe coisas magníficas, mas trouxe ainda a possibilidade de um idiota arrumar um banquinho para ser ouvido”, acrescenta Cortella.

A revolução digital transformou o mundo. E também as carreiras de Tas e Cortella, que, atualmente, contam com milhões de seguidores nas redes sociais. “Há 20 anos, com a internet dando os primeiros passos no Brasil, a presença da filosofia era limitada. Hoje, tenho um público que não imaginava naquela época. Quarenta por cento dos meus leitores têm menos de 20 anos. E o acesso se dá através das plataformas digitais, que se tornaram um ágora (praças públicas onde ocorriam reuniões na Grécia antiga) aberto”, diz Cortella.

Para Tas, a relação com o universo digital avançou, mas ainda está longe de onde se possa chegar. “E isso é natural. Somos como uma criança que acabou de ganhar um videogame. Nós somos crianças com brinquedinhos possantes nas mãos. Estamos fascinados demais com eles para pensar em ética.”

Ele exemplifica falando sobre drones. “São ferramentas absolutamente fascinantes que podem ser letais. Isso tanto do ponto de vista da nossa segurança pessoal, física, tanto do ponto de vista da privacidade, pois ele pode invadir sua casa e fotografar a sua vida. A gente está usando os drones com voracidade, sem ter ainda uma regulamentação.”

Um exemplo ainda mais próximo que ele apresenta é o do corretor ortográfico dos celulares. “Ele é um software que aprende com o comportamento de cada um. Ele aprende com seus hábitos, sua busca na internet. Consegue descobrir o que você anda cutucando por aí. A gente não sabe sobre isso, não sabe o quanto está vulnerável. A verdade é que a privacidade foi para o beleléu.”

Na opinião de Tas, com a velocidade do mundo digital não há muito tempo para se pensar em ética. “Esta ética tem que ser colocada no ágora, no espaço público, que hoje está gigante e veloz. Então, espaços como este, no Palácio das Artes, acabam se tornando mais pessoais.”

SEMPRE UM PAPO
Com Mario Sergio Cortella e Marcelo Tas. Hoje, às 19h30, no Palácio das Artes, Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro. Ingressos esgotados.

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