Poetas celebram a palavra na final de Minas do 'slam poetry'

Com a participação de 24 poetas, evento mostra a força da poesia falada

por Márcia Maria Cruz 07/12/2016 14:12
Zi Reis/Divulgação
Os slams se estabelecem como o espaço da poesia falada (foto: Zi Reis/Divulgação)

O Sesc Palladium recebe a final estadual do poetry slam com a participação dos vencedores dos quatro slams do estado: Nívia Sabina, do Clube da Luta; Tábata Cristina, d'A rua declama; João Paiva, do Estação e Zi Reis, do Slamternas. Além deles participam os outros finalistas, completando total de 18 competidores.  Os slams são espaços onde poetas e público se encontram para a leitura de poesias de maneira performática. Nesses encontros, um júri popular escolhe os melhores levando em conta a poesia e o desempenho. 

Na disputa, os slammers têm três minutos para apresentar poema autoral. Não podem usar figurino que o diferencie nem ter acompanhamento musical. A seu favor, cada um tem para mandar a mensagem o poema, a voz e o corpo. Os cinco jurados são escolhidos na hora pelo público. “Para ser jurado só precisa ter coração. Não é preciso estudar literatura. Se o poema bateu, dá uma nota de zero a dez”, diz Rogério Coelho, um dos organizadores do Slam Clube da Luta. A maior e a menor notas são eliminadas.

A premiação envolve o público que pode chegar a 200 pessoas a cada disputa. “A premiação é feita de forma colaborativa. As pessoas presenteiam livros, CDs, garrafa de vinho, chocolate bilhete de metrô até paçoquinha. Enfim, são muitos mimos para os vencedores.” Na disputa estadual, os vencedores ganharão um kit de livro do Sesc Palladium e o primeiro lugar receberá também um ingresso para o bate-papo com Zeca Baleiro.  
Rogério garante que, mesmo quem não é tão performático, pode participar do slam. “Muitos vão para ler o texto no caderninho ou no celular. Há os poetas muito treinados. Mas todos estarão em pé de igualdade”, diz. Ele acredita que o formato dos slams, bastante informal, deixa todos à vontade para a leitura de poesias. 

A poeta Nívea Sabino lembra que a final estadual será momento de congraçamento entre os slams do estado e não vale vagas para a disputa nacional. Neste ano, Minas terá quatro representantes no Slam BR. Eles foram indicados depois de vencer a disputa dos quatro slams do estado. Nívea não revela o que apresentará na batalha. “É uma caixinha de surpresas. Gosto de sentir a competição para decidir o que farei.” E para ela não é uma tarefa difícil, uma vez que tem na ponta da língua os 100 poemas do livro Interiorana, de sua autoria.

 Vencedora do Slam Clube da Luta, Nívea apresentou o poema Sem medir fala, em que trata da questão racial, violência de gênero e outras questões. Um dos versos diz “te apresento em versos a maior luta armada.” “É através da voz, da rima e do deboche que vamos fazer a revolução”, afirma. Já familiarizado com o poema, o público o chama de 'revolução debochada.'

Adolfo Cabloco/Divulgação
Coletivos de Belo Horizonte se reúnem no Colabora (foto: Adolfo Cabloco/Divulgação)
O evento é uma das atividades do Colabora, evento promovido pelo coletivo Cidade Lúdica, que reúne coletivos culturais de São Paulo. Desde terça-feira, o Colabora reúne coletivos mineiros no Sesc Palladium para troca de experiências. Participam o UMA, Erro 99, Bike Anjo, Slam Clube da Luta, Tina Martins, Minas de Minas,  Família de Rua,entre outros.

Cidade Lúdica: 1ª Final Estadual Poetry Slam MG, nesta quarta, 7, às 20h no  Foyer Augusto de Lima do Sesc Palladium (Av. Augusto de Lima, 420, Centro). marEntrada gratuita



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