Mostra 'ComCiência' bate recorde de público no CCBB

Hiperrealismo das obras de Patricia Piccinini atrai público numeroso, com ênfase nas crianças. Oitenta e cinco mil pessoas já visitaram a exposição, que vai até janeiro

por Ana Clara Brant 07/11/2016 08:33

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EULER JÚNIOR/EM/D.A.PRESS
(foto: EULER JÚNIOR/EM/D.A.PRESS)
As obras excêntricas criadas pela artista plástica australiana Patricia Piccinini impressionam quem passa pelo Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), na Praça da Liberdade. Mas os números de sua exposição ComCiência são ainda mais extraordinários. Em apenas 18 dias, cerca de 85 mil visitantes já passaram por lá. A média nos fins de semana tem sido de 5 mil a 6 mil pessoas.


A mostra Mondrian e o movimento De Stijl, que precedeu ComCiência e ficou em cartaz de 20 de julho a 26 de setembro, teve um público de 155 mil pessoas. “A mostra da Patricia já veio com um público muito grande das outras cidades brasileiras onde esteve, que foram Rio, São Paulo e Brasília. Esse número realmente é muito grande e tudo leva a crer que ela vai bater o recorde de visitação, já que ainda temos dois meses pela frente”, afirma o técnico em artes plásticas do CCBB Carlos José de Almeida Neto.

Douglas Vieira, de 41 anos, decidiu aproveitar o domingo e levar os filhos Mariana Mendes, de 9, e Henrique Douglas, de 15, para conhecer o CCBB e visitar a exposição, que fica em cartaz até 9 de janeiro. A família aprovou o passeio dominical. “É bem diferente de tudo que já vi. E muito curioso também. Sem contar que o Centro Cultural é um prédio muito bonito. Valeu a pena vir aqui”, comentou Douglas.

Já Mariana ficou impressionada com o fato de as esculturas parecerem reais e escolheu como sua preferida a que fica no saguão de entrada do prédio – O observador, em que um menino está no alto de uma escada feita de cadeiras. “Parece uma pessoa de verdade”, observou. E não foi apenas a menina que se impressionou com o hiperrealismo das figuras feitas de silicone, fibra de vidro e cabelo humano, com a intenção de tematizar as mutações genéticas. Durante a montagem da exposição, um senhor que estava passando pela Praça da Liberdade chamou a atenção da organização. “Como é que deixam uma criança lá no alto assim?! Cadê a mãe desse menino?”, esbravejou.

BEBÊS De todas as gerações que visitam ComCiência, sem dúvida, a criançada é que tem mais se divertido. Até bebês de colo têm passado por ali. “É uma exposição que contempla todo o mundo, mas as crianças realmente têm se encantado e se reconhecem. É natural elas sentirem algum medo, mas a grande maioria não tem preconceito, aversão nem a gastura que os adultos costumam ter, já que é uma exposição que trabalha muito o diferente, o estranhamento. Sem contar que é bem acessível a elas, já que as obras ficam mais ou menos na mesma altura dos pequenos”, diz o coordenador pedagógico do CCBB Educativo, Danilo Filho.

Por uma “coincidência programada”, ComCiência foi aberta justamente em 12 de outubro, Dia das Crianças, como lembra Carlos José. “Foi uma das nossas aberturas mais cheias. Tinha tanta criança que parecia um parque infantil.” O contador Carlos Mauro de Novaes, de 38, já tinha visto a exposição quando esteve no Rio a trabalho e fez questão de levar a filha Alice, de 4, para conferir as inusitadas figuras.

A menina, estreante em eventos de arte, não saiu decepcionada. “São monstrinhos do bem”, resumiu. O pai também gostou de conferir pela segunda vez a mostra. “O que achei mais bacana foi que geralmente não temos exposições que a criançada pode interagir, e aqui isso é possível. A garotada fica doida. Você pode até não gostar, mas não tem como sair daqui da mesma maneira que entrou. Alguma reação ela acaba te causando”, pontuou.

Patricia Piccinini criou três obras específicas que ficam circulando no colo do pessoal do educativo durante as visitas monitoradas, para que os frequentadores possam pegar e sentir a textura da obra. “Queria ter um desses bichinhos. Parece um macaco espinhoso”, opinou o pequeno João Pedro Di Mambro, de 3 anos. Ao lado da mãe, Letícia, de 33, e da irmã Maria Teresa, de 9, o garoto alternava suas reações entre fascínio e nojo. “Como pode um neném não ter cabeça nem olho? Esse eu não gostei”, questionava, ao ver a obra A confortadora, em que uma menina segura uma espécie de filhote. Já a irmã estava encantada. “Estou achando muito interessante. É tudo tão diferente e legal.”

Os mais velhos também se surpreendem. Frequentador do CCBB, o aposentado Frederico Hochreiter, de 79, ficou intrigado e instigado com o que viu. “É curiosíssimo. Isso aqui incentiva a gente a refletir e a tentar descobrir o que é. Estou gostando muito, mas acho que vou rodar o salão várias vezes e ficar me perguntando realmente do que se trata, o que a artista quis dizer. Isso é uma das coisas mais interessantes da arte”, analisa.

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