Bethânia, Elomar e Ponto de Partida celebram 60 anos de 'Grande sertão: veredas'

Obra máxima de Guimarães Rosa ganha homenagem no Palácio das Artes. Evento, que vai até domingo, reúne show, exposição, seminário e palestra

por Márcia Maria Cruz 03/11/2016 08:27

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Eugênio Silva/O Cruzeiro/EM/D.A Press
Guimarães Rosa em um de seus registros mais conhecidos, do 'Cruzeiro' (foto: Eugênio Silva/O Cruzeiro/EM/D.A Press)
Grande sertão: veredas
declamado, musicado, encenado e performado. A maior obra da literatura brasileira, que completou seis décadas este ano, será homenageada no evento Rosa Expandido, promovido pela Fundação Clóvis Salgado. Domingo (6), Maria Bethânia fará a leitura de trechos do livro.

A diversidade de linguagens artísticas, em diálogo com o romance de Guimarães Rosa, demonstra os muitos caminhos para entrar no universo roseano, destaca a historiadora Heloisa Starling, professora titular da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “Ninguém ensina Guimarães. Convidamos a entrar. Eu o faço por meio de Diadorim, mas, depois, as pessoas encontram Nhorinhá, Otacília e lá se vão”, afirma ela, que participará, no sábado (5), de seminário com a presença do curador José Alberto Pinho.

MUSICALIDADE Heloísa fez a curadoria dos trechos que serão lidos por Maria Bethânia. “A relação com a música no Guimarães é fortíssima. Tom Jobim dizia que tentava ler Grande sertão e não conseguia. Até que começou a lê-lo em voz alta e descobriu que tinha música”, diz. “Toda a imaginação brasileira encontra um jeito de entrar no universo roseano. Cada leitor encontra o seu”, destaca. Heloísa abordará a personagem Diadorim, apresentará aspectos históricos de Guimarães e discorrerá sobre o falar do sertão.

Ray Ribeiro, diretora de programação artística do Palácio das Artes, conta que a ideia de evento expandido surgiu quando estava sendo planejada a exposição Imagens do Grande sertão, de Arlindo Daibert, que faz a releitura imagética no universo roseano. Nesta quinta, no Cine Humberto Mauro, serão exibidos os filmes Outro sertão, das diretoras Adriana Jacobsen e Soraia Vilela, às 15h; Noites do sertão, de Carlos Alberto Prates Correia, às 17h; e Grande sertão: veredas, dirigido por Geraldo Santos Pereira e Renato Santos Pereira, às 19h. Grande sertão será comentado por Glaura Cardoso e Outro sertão por Soraia.

Na sexta, Elomar traz a BH o show Canto do sertão – um aboio para Rosa. Ray destaca que a palestra musicada do baiano explorará as potencialidades do que ele chama de “língua sertaneza” – o falar do sertão como amplo campo de experimentações artísticas, rico em significados culturais. Por outro lado, trechos do livro chegarão aos ouvidos de quem for ao Palácio das Artes por meio de mulheres que integram o projeto Cochicho Poético.

Grande sertão: veredas
foi publicado pela primeira vez em 1956. “A obra é eterna por discutir grandes questões como amor e ódio, Deus e o diabo, feminino e masculino, passividade e guerra, vida e morte”, analisa Regina Bertola, integrante do grupo teatral Ponto de Partida, que dirigiu a primeira adaptação integral da obra.

“Guimarães é tão forte quanto (William) Shakespeare. É um recém-nascido permanente”, afirma. Ela destaca a maneira como o autor trata temas tão essenciais da vida. “Se as pessoas estão em busca de palavras para enterrar seus mortos, elas encontram lá. Se querem declaração de amor, tem lá. Se precisam de coragem em momentos difíceis, as palavras também estão lá. Se querem uma grande história, encontram”, conclui.

SOCIEDADE ROSEANA

A paixão por Grande sertão: veredas levou o professor da Faculdade de Letras da UFMG Luiz Carlos de Assis Rocha a criar a Sociedade dos Amigos de Guimarães Rosa (Sagro). Já estão programados diversos encontros com a presença do cantor e compositor Celso Adolfo, cujo nono CD traz músicas inspiradas em Sagarana. Outro encontro será com o autor e ilustrador Nélson Cruz, que viajou pelas trilhas do sertão de Rosa para escrever o livro O longe dos gerais. A próxima reunião será uma palestra do pesquisador da Universidade de Brasília Fábio Borges Brasileiro.

• Rosa expandido

» Cochicho Poético – Quinta, sexta e domingo, às 18h. Palácio das Artes
» Imagens do Grande sertão – Exposição de Arlindo Daibert. Abertura quinta, às 19h. Galeria Mari’Stella Tristão
» Ponto de Partida – Palestra encenada. Sexta-feira, às 19h. Teatro João Ceschiatti. Entrada franca
» Canto do sertão: um aboio para Rosa – Com Elomar. Sexta, às 20h30. Sala Juvenal Dias. Entrada franca. Distribuição de ingressos às 19h30.
» Seminário 60 anos de Grande sertão: veredas – Sábado, às 10h.  Teatro João Ceschiatti. Entrada franca, com distribuição de ingressos às 9h
» Maria Bethânia – Domingo, às 19h. Leitura de textos.
Palácio das Artes. Entrada franca. Distribuição de ingressos sexta, às 10h

. Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro. Informações: (31) 3236-7400

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