Festival mexicano, baladas e shows marcam o fim de semana dedicado às bruxas

Morte e vida são celebradas com bom humor em vários pontos de BH

por Walter Sebastião 28/10/2016 12:00

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A maioria das festas de halloween que vão animar o fim de semana em BH promete personagens medonhos e assombrações, seguindo o perfil da celebração importada dos Estados Unidos. Mas um evento que estreia este ano pretende alterar esta rotina “macabra”: o Festival Día de Los Muertos, que será realizado domingo, na Serraria Souza Pinto.

Carlo Allegri/Reuters
Tradição de outubro: gente fantasiada comemora o halloween em várias partes do mundo (foto: Carlo Allegri/Reuters)

Inspirado na Festa dos Mortos mexicana, o evento programou atividades de arte, dança, música, contação de histórias, teatro e gastronomia. A proposta é mudar conceitos para provar que a morte pode ser amiga da vida.

As atividades, aliás, começam debaixo do sol quente. Às 12h30, um cortejo de bailarinos e artistas circenses sairá da Rua da Bahia em direção à Serraria Souza Pinto, no Centro.

“A morte pode trazer a consciência de que estamos vivos, de que a vida é breve. Então, devemos viver intensamente com alegria e amor, cultivando os nossos sonhos”, explica Marivôa Flores, atriz do grupo Serpente Emplumada.

A trupe apresentará a peça Fio da vida, com dramaturgia e criação coletivas. A trama gira em torno de uma garota diante da morte. Ela descobre que a mãe tem apenas dois meses de vida. As duas são obrigadas a encontrar uma solução para as mágoas do passado, reconstruindo a sua própria relação. “A morte pode ser conselheira”, filosofa a atriz. “Ela encerra um ciclo”, argumenta.

Afinal de contas, morrer faz parte da vida. “Com festa, podemos recordar nossos antepassados que morreram. O lema do festival é: a los vivos amores y a los muertos flores”, avisa.

Essa visão remete a tradições indígenas. De acordo com a atriz, há indícios de que o halloween norte-americano seria uma tentativa de copiar a festa mexicana.

TRADIÇÕES

Criada este ano, a trupe Serpente Emplumada integra o grupo de estudos de tradições mexicanas Arte de Viver com Propósito. A contadora de histórias Marina Alves explica que há extenso repertório de contos em todas as culturas ancestrais apresentando a morte sem o temor cultivado pelo homem contemporâneo.

“É um assunto que mexe muito com o ser humano”, observa Marina, destacando que essas histórias são uma forma de tentar compreender a finitude. “Narrativas antigas procuram criar intimidade com o tema. Geralmente, mostram que não somos imortais. Podemos, sim, escolher a forma como vivemos”.

Exemplo disso está num conto da cultura inuit, dos esquimós. Por acaso, um homem pescou o esqueleto de uma moça. Aterrorizado, o pescador fugiu. Como o esqueleto estava muito embaraçado na linha, a ossada ia com dele.

Ao chegar ao iglu, o rapaz respirou aliviado, pensando estar sozinho. Porém, quando acendeu a lamparina, viu a moça-esqueleto. E começou a cuidar dela. Trouxe peles para aquecê-la, levou-a para perto do fogo para observá-la melhor. Cansado, acabou dormindo.

O pescador teve um sonho: tinha chorado e a moça-esqueleto bebeu suas lágrimas. Ela enfiou a mão no peito dele, tocando-lhe o coração. Aos poucos, foram surgindo carne e cabelos naquela ossada, até ela ganhar vida. “Os dois se apaixonaram e viveram juntos por muitos anos. Dizem que os peixes do mar traziam alimentos para o casal”, conclui Marina.

 

FANTASMAS BY BH

Para quem quiser dar tom local à fantasia, vale lembrar: Belo Horizonte tem fantasmas famosos. Um deles é a Loira do Bonfim. A bela moça conquistava os homens, convencia-os a ir à sua casa e desaparecia na porta do cemitério.

No Guia do morador de Belo Horizonte (Editora Pisegrama), artigo da historiadora Heloísa Starling registra o Avantesma da Lagoinha. O senhor de terno preto, sem rosto definido, de aparência excêntrica e choro convulsivo assustava os condutores de bondes.

Outro homem misterioso, também de terno preto e carregando guarda-chuva, aparecia repentinamente nos portões das casas da Rua do Ouro, na Serra.

Há também a moça-fantasma, vestida de branco, que desce a Serra do Curral para encontrar amores perdidos.

Um outro fantasma belo-horizontino é, literalmente, histórico. Maria Papuda, curandeira mal-humorada, teve seu casebre demolido para dar lugar ao Palácio da Liberdade. Rogou praga nos governadores de Minas Gerais que ali passaram a morar.

Não deu outra: João Pinheiro morreu em 1908, no exercício do cargo. O mesmo ocorreu com Raul Soares, em 1924. Em 1933, Olegário Maciel também cumpriu a sina, vítima de infarto fulminante. Detalhe: morreu dentro da banheira do Palácio da Liberdade.

Acervo pessoal
DJ Pathy de Jesus vai tocar no Land Spirit (foto: Acervo pessoal)

BALADA POP

Tradição do mundo anglófono, o halloween é comemorado em 31 de outubro, véspera da festa cristã do Dia de Todos os Santos. O especialista Rainer Sousa explica que o nome se inspira na expressão all hallow’s eve – véspera de todos os santos.

Povo antigo que habitava as Ilhas Britânicas, os celtas acreditavam que realizando a festa poderiam afastar demônios, fantasmas e maus espíritos que ameaçavam as colheitas. Por ter relação intrínseca com o mundo dos espíritos, o halloween foi associado à figura das bruxas, das feiticeiras e dos mortos.

Os irlandeses levaram a festa para os Estados Unidos. Acredita-se que ela se popularizou em outros países devido à profusão de cursos de inglês que comemoram a data.

MÁSCARAS

O uso de disfarces e máscaras é uma forma de evitar que as pessoas sejam reconhecidas por espíritos que vagam no Dia de Halloween.

Belo Horizonte entrou na onda do halloween globalizado. No fim de semana, a cidade terá várias festas inspiradas na tradição americana. Algumas, já tradicionais na balada, ganham edição especial dedicada às bruxas.

Bandas de rock, grupos pop, DJs, música brasileira e até pré-carnaval animarão esses eventos. Muita gente se fantasia para curtir o halloween à mineira.

Hoje à noite, no Land Spirit Club, a The Django de Los Muertos promoverá concurso de fantasias, mas o traje não é obrigatório. A pista ficará por conta da banda Velotrol e dos DJs Pathy de Jesus e Eddy Alves. No Studio Bar, no Centro, a festa Alta Fidelidade faz o seu Baile dos Mortos, comandado pelos DJs Deivid, Fael, JJBZ e Kowalsky.

VENTANIA No Stonehenge Rock Bar, um personagem para lá de excêntrico vai comandar a sexta-feira. Trata-se do cantor e compositor Ventania, com seu chapéu de bruxo, jeitão hippie e pinta de duende. Ele mora em São Tomé das Letras, a mística cidade do Sul de Minas, e volta ao Stonehenge para apresentar a performance Ventania só para loucos.

Amanhã, a versão halloween da festa Push vai rolar no Mercado Distrital do Cruzeiro, com direito a “personagens” de filmes assustadores: Jack Torrace (O iluminado), Jigsaw (Jogos mortais), Pinhead (Hellraiser), Leatherface (O massacre da serra elétrica) e, claro, Jason Vorhees (Sexta-feira 13).
Rodrigo Clemente/EM/DAPress
Bateria do bloco carnavalesco Juventude Bronzeada é atração do Baile da Teresa, no Granfinos (foto: Rodrigo Clemente/EM/DAPress)


PROGRAMAÇÃO

HOJE

ALTA FIDELIDADE
Às 22h. Studio Bar. Rua Guajajaras, 842, Centro, (31) 3047-1020. Com DJs Deivid, Fael, JJBZ e Kowalsky. Rock, rap, disco, funk e soul. Ingressos: a partir de R$ 35.

BAILE DA TERESA
Às 22h. Granfinos. Av Brasil, 326, Santa Efigênia, (31) 3241-1482. Com Bloco Juventude Bronzeada. Ingressos: a partir de R$ 25.

THE DJANGO DE LOS MUERTOS
Às 21h. Land Spirit Club. BR-356, 7.575, Olhos d’Água, (31) 2514-1531. Com banda Velotrol e DJs Pathy de Jesus e Eddy Alves. Concurso de fantasia. Ingressos: a partir de R$ 60 (masculino) e R$ 40 (feminino).

VENTANIA SÓ PARA LOUCOS
Às 22h. Stonehenge Rock Bar. Rua Tupis, 1.448, Barro Preto, (31) 3271-3476. Com o cantor Ventania, de São Tomé das Letras. Abertura: Old Car Memories. Ingressos: R$ 30 (portaria).

AMANHÃ

CAMARIM SECRETO
Às 22h. Hangar 677. Rua Henriqueto Cardinale, 121, Olhos d’Água, (31) 98375-4115. Fantasia obrigatória. Com Rodrigo Paciornik e DJs Jaka e Vinicius Amaral. Ingressos: R$ 80 (feminino) e R$ 100 (masculino).

K-POP SHAKIN’ CLUB
A partir das 15h. Casa do Jornalista. Avenida Álvares Cabral, 400, Centro, (31) 3224-4428. R$ 30.

PUSH #33
A partir das 19h. Mercado Distrital do Cruzeiro, Rua Ouro Fino, 452, Cruzeiro, (31) 3223-7844. Ingressos: R$ 40 (fem) e R$ 50 (masc).

SUPRA SUMO
A partir das 21h. Utópica Marcenaria. Av. Raja Gabaglia, 4.700, Santa Lúcia, (31) 3296-2868. Com Banda Made in 80 e DJs Roy e Goulart. Ingressos: R$ 30.

VHS DE HALLOWEEN
A partir das 23h. Mercado das Borboletas. Av. Olegário Maciel, 442, Centro. Com DJs Gustavo Jreige, Marina Santa Helena, Keoma e Ed. Ingressos: R$ 85 (R$ 60 de consumação).
Saiba mais...
É HALLOWEEN, UAI!

 

 

 

FESTIVAL DíA DE LOS MUERTOS

Domingo
14h: Abertura da exposição México Desconhecido, do grupo Arte de Viver com Propósito. Oficinas de gastronomia com Marco Antônio Meléndez Cornejo e Chapelão
15h30: Pocket show Princesa Frida
16h30: Oficina sustentável. Com Trupe Gaia
18h: Peça Fio da vida. Com Grupo
Serpente Emplumada
20h: Show Latino. Com Paco Pigalle
20h40: Rodada de piñatas
l Serraria Souza Pinto, Av. Assis Chateaubriand, 890, Centro, (31) 3213-3434. Ingressos: R$ 20

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