Arte urbana conquista galerias de destaque na Europa

Neste mês, a street art ganha seu primeiro espaço permanente em Paris. Na exposição, destaque para obras de Banksy e JR

por AFP - Agence France-Presse 18/10/2016 08:50

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JOEL SAGET/AFP
Intervenção do francês JR na pirâmide do Louvre (foto: JOEL SAGET/AFP)
Com uma mostra do rei do grafite britânico Banksy em Roma, intervenções do seu homólogo francês JR na pirâmide do Louvre e uma festa de “exploração urbana” de outros grafiteiros na Villa Medici, a street art está abrindo caminho nos museus, e neste mês, inaugura seu primeiro espaço de exposição permanente em Paris.

Esse espaço é mais um sinal de como a arte de rua está se estabelecendo como uma forma de arte reconhecida – talvez como um sinal de certo aburguesamento, de acordo com alguns especialistas – cerca de 50 anos após os primeiros grafiteiros começarem a usar túneis do metrô e muros acessíveis como se fossem telas em branco.

“Hoje se considera a arte de rua como uma representação da liberdade, mas é mentira”, diz Paul Ardenne, historiador de arte contemporânea. Para esse especialista em arte urbana, a imagem de “artistas indomáveis que trabalham de noite arriscando serem pegos pela polícia” é antes de tudo uma “fantasia”.

Nascida em Nova York no final dos anos 1960, a street art sempre esteve vinculada ao vandalismo e ao protesto, mas hoje perdeu parte dessa reputação. Ao mesmo tempo em que permaneceu fiel às suas tradições “provocativas”, começou a se mover para o mundo mais formal de museus, em Amsterdã, São Petersburgo e, no ano que vem, em Berlim.

“A essência da arte de rua é a militância nos muros, mas paralelamente há um trabalho no ateliê”, destaca Nicolas Laugero-Lasserre, que emprestou 150 obras da sua coleção pessoal para a criação do primeiro centro desSe tipo em Paris.

Os artistas vivem e viajam para deixar sua marca em paredes do mundo inteiro graças à venda de suas obras, destaca este apreciador. Alguns artistas, como o americano Futura 2000, pioneiro do grafite que expõe desde os anos 1980, optaram por passar dos muros da rua para os das galerias.

Ao longo dos anos, Laugero-Lasserre acumulou uma coleção considerável de obras de nomes como Frank Shepard Fairey, que estava por trás do pôster com a palavra Hope (esperança) para a campanha presidencial de Barack Obama de 2008, e o artista italiano Blu, que permitiu que seus murais em Berlim fossem pintados de preto para que não gerassem especulação imobiliária.

A nova exposição permanente contará com obras de Banksy e JR, mas também de uma variedade de artistas menos conhecidos do público em geral.

VITRINE
Apesar dessa nova vitrine, a street art ainda é objeto de “certa rejeição das instituições”, afirma Magda Danysz, uma galerista de arte contemporânea instalada em Paris e Xangai. “Em termos de reconhecimento, continuamos à espera de uma grande mostra sobre o tema”, diz. “A arte urbana não são três grafites em um terreno baldio. É um fenômeno artístico que conseguiu adornar todos os muros do planeta”, acrescenta.

Ante essas reservas, “quanto mais se falar da arte de rua, melhor”, opina Mehdi Ben Cheikh, galerista que lançou o projeto Tour Paris 13, um quarteirão transformado em uma enorme área de exposições temporárias, que em 2014 reuniu cerca de 100 artistas, antes de ser demolido.

Ben Cheikh também esteve envolvido no projeto “Djerbahood”, que levou dezenas de artistas de rua internacionais para a ilha tunisiana de Djerba, há dois anos. Embora este marchand elogie a difusão da mensagem em espaços fechados, há outros que acreditam que o exterior é um habitat mais natural para este tipo de arte.

“A rua continua sendo essencial para os artistas, é o que os inspira. Ainda há muitos lugares no mundo onde a arte urbana é ilegal”, confirma Magda Danysz. A prova disso é o famoso Monsieur Chat, que após decorar as paredes de uma estação ferroviária de Paris com simpáticos felinos, hoje corre o risco de ser condenado a três meses de prisão.

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