Amigos se organizam para manter espaço cultural

No Asa de Papel funcionam livraria, café e galeria, onde são realizados eventos artísticos

por Ana Clara Brant 16/10/2016 09:22

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Rodrigo Clemente/EM/D.A Press
(foto: Rodrigo Clemente/EM/D.A Press )

Uma utopia que deu certo. É assim que o arquiteto João Diniz define o Asa de Papel – Café & Arte, criado há pouco mais de três meses no Santa Efigênia. Ocupando o espaço da antiga livraria e editora de mesmo nome, o projeto foi viabilizado através da união e de uma gestão coletiva e economicamente criativa de aproximadamente 50 amigos das mais variados tipos de profissão. Tem engenheiro, médico, arquiteto, designer, artista plástico. Em comum: a paixão pela cultura e, sobretudo, pelos livros.


A origem de tudo remonta há pelo menos 15 anos, quando surgiu o Café Book, na Rua Padre Rolim, frequentado por muitos jornalistas e escritores. “Álvaro Gentil era o livreiro e, um tempo depois, ele decidiu criar a livraria e editora Asa de Papel, aqui na Rua Piauí, que funcionou de novembro de 2013 até meados deste ano. Mas começou a ficar inviável e, como a gente que sempre vinha aqui não queria desfazer nem do espaço e muito menos da companhia um do outro, decidimos criar essa iniciativa. Cada um paga uma mensalidade. É um lugar que se tornou autossustentável”, explica João, um dos 50 sócios do clube do café.


Desde 24 de junho, o local funciona de segunda a sexta, das 15h às 22h, e, esporadicamente, aos sábados, quando há algum evento marcado – lançamento de livro, oficina ou exposição. “Praticamente toda as manifestações artísticas têm sua vez aqui. Literatura, teatro – em breve haverá um projeto de leituras dramáticas –, cinema, artes plásticas, poesia e música. O nosso happy hour também já está ficando famoso e estamos estudando a possibilidade de abrir pela manhã, porque a repercussão tem sido muito boa por parte do público”, comenta a designer Raquel Martins, que, com a sócia Bárbara Magalhães comanda o café com seus quitutes e drinques.


As paredes do Asa de Papel se transformaram em galerias de arte, com exposições individuais e coletivas. Todos os objetos – quadros, pinturas e fotografias, de artistas do clube e de amigos –, estão à venda. No café, há obras de Jorge dos Anjos, Gilberto de Abreu, José Napoleão, do próprio João Diniz, entre outros. O espaço também virou lugar de palestras, saraus, debates e outros eventos do gênero

AGLUTINADOR
Os livros, óbvio, têm o seu lugar. Afinal, foi uma publicação do escritor e artista plástico Marcelo Xavier que batizou a antiga livraria. Aliás, Marcelo é um dos integrantes do clube e destaca que, além de ser um espaço aglutinador de cultura e de pessoas, promove e faz surgir novas ideias. “Aqui é um lugar simples, versátil, sem burocracia e extremamente democrático. Acolhemos as mais diversas expressões e artistas. E essa circulação de ideias tem sido bem interessante. Tudo que está ocorrendo está até nos surpreendendo”, frisa.


Um dos aspectos positivos da iniciativa é sua integração com a Praça Dr. Lucas Machado, bem próxima dali, no cruzamento das avenidas Brasil e Francisco Sales. O local já foi apelidado de “Pracinha do Asa” e tem sido uma extensão do café, sobretudo, em eventos aos sábados. “Quando tem atividades que sabemos que vai reunir mais gente, como apresentações, performances e feiras de arte, a gente expande até a praça que é super bem cuidada, tem tudo a ver com a nossa proposta, já que é um lugar de congregação. Sem contar que ali tem até um jardim com versos do Drummond”, destaca outro integrante do clube, Renato Machado.


Já para Bárbara Magalhães, um dos aspectos mais relevante é a troca. “Apesar de ser um ambiente relativamente pequeno, com minigaleria, um minissebo e um minicafé, aqui cabe muita coisa e tudo é muito especial”, ressalta.

 

Asa de Papel – Café & Arte
Rua Piauí, 631, Santa Efigênia
De segunda a sexta, das 15h às 22h
Aberto aos sábados pela manhã quando há eventos

Leitura migra para shoppings

Se por um lado, a Asa de Papel conseguiu se manter e se transformar através da união de amigos, por outro, uma das redes de livrarias mais tradicionais de Minas, a Leitura, está cada vez mais saindo das ruas e focando nos shoppings. Atualmente, apenas três lojas da capital mineira estão localizadas nas ruas – uma na Avenida Paraná, outra na Amazonas, ao lado do Cine Brasil, e uma das mais antigas, a da Savassi, na Cristóvão Colombo, que está completando 25 anos. A loja, que ocupava dois imóveis, agora funciona em apenas um e tudo indica que somente até o fim do mês.


De acordo com a gerente do estabelecimento, Daniela Zebral, a Leitura da Savassi é a matriz e a do Pátio, a filial, mas uma série de acontecimentos, como a mudança do funcionalismo estadual da Praça Liberdade para a Cidade Administrativa e a reforma da Savassi, que afetou o comércio, fez com que a empresa tomasse essa decisão. “A Leitura migrou para um formato de shopping porque é mais interessante para nós. Uma é muito próxima da outra. Então, foi mais por uma questão de estratégia”, revela.


Ainda de acordo com Daniela, como a loja ainda tem muitos lançamentos, best-sellers e outras publicações disponíveis, eles optaram por fazer um queimão de estoque de até 50% de desconto. Caso os livros não sejam comercializados até o fim deste mês, a Leitura da Cristóvão Colombo ainda vai permanecer aberta até fevereiro, para aproveitar o período da volta às aulas. “A nossa unidade sempre foi muito forte em quadrinhos, mas isso não significa que esse público vai ficar prejudicado. Esse gênero será fortalecido nas demais lojas. Houve mobilização dos quadrinistas e até de moradores da região para que ela não fechasse as portas, mas é esse o plano da livraria mesmo”, destaca.

 

 

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