Escritor lança dois livros autobiográficos de poesia

Gibi Cardoso também é produtor de cinema e diretor do documentário 'Tomba homem'

por Pablo Pires 15/10/2016 11:27

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Felipe Chimicatti/Divulgacao
Gibi Cardoso lança dois livros de poemas e pequenos relatos (foto: Felipe Chimicatti/Divulgacao )
Gibi Cardoso já tinha lido muito Julio Verne em Campos Altos, mas não sabia quase nada de poesia ao desembarcar em Belo Horizonte. “Quando aqui cheguei, senti-me personagem não do Julio Verne, a selva era muito maior. Era assim, aos meus olhos, do tamanho de um oceano”, diz o poeta graduado no Maletta. Hoje, ao lançar dois livros de poemas em seu Sebo Isquisito, honra a formação adquirida nas mesas dos bares do edifício, point cultural do Centro de BH.


Aos 60 anos, depois de trabalhar em várias livrarias, ser proprietário de uns cinco sebos e uns cinco bares, diz: “Tive um grande prazer vingativo contra eu mesmo, porque sou meu pior inimigo”. Sim, as frases e a poesia do Gibi são lapidares. Como ele próprio, insistem na tragédia, dramática e recorrentemente, como se estivesse diante do túmulo. “Mas a vida não se restringe apenas aos livros, tem que reagir contra a cidade que engole o novo antes mesmo de ser novo.”


Os poemas registram os passos do autor, são autobiográficos. Mas ali também estão o trágico grego, o drama e o diário imaginário. Os registros de O destino do vazio e O livro que não se lê deixam evidente a entrega. Fato é que se trata de uma óbvia paixão pela palavra e seus jogos. Nas páginas, além dos poemas escritos na Olivetti Lettera 35, com erros de português, correções e manchas, há também alguns pequenos relatos, colhidos nas andanças pelo interior do Brasil ou imaginados nas noites insones.


O escritor, também produtor de cinema e diretor do documentário Tomba homem, afirma que não sabe definir seu processo de criação, apenas datilografa com instinto, raiva, sentimento de importância e companhia da própria sombra.
Os dois volumes trazem imagens que dialogam com os textos, criam novos sentidos e fazem menção a suas maiores referências: os livros. “Mesmo porque nada é o que me interessa acumular, com exceção de livros. Cuido deles e, em troca, só lhes peço silêncio quando leio ou escuto Leonard Cohen. Afinal, sou eu quem lhes tira a poeira”, conclui.



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