Museus em flor: 10ª Primavera de Museus inicia sua programação no sábado, 17

Em busca de proximidade com o público, atividades do evento se expandem para além das quatro paredes; veja a programação completa

por Walter Sebastião 15/09/2016 20:03

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Juarez Rodrigues/EM/D.A Press
10ª Primavera de Museus toma conta de Bleo Horizonte a partir do próximo sábado, 17. (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)

 

Sarau, microfones abertos ao público para leitura de poemas, chá e mesa de livros. Assim será a abertura da 10ª Primavera de Museus em Belo Horizonte. Organizado pelo Museu Nacional da Poesia (Munap), no Parque Municipal, o evento, às 11h de domingo, 18,  vai inaugurar uma semana de intensa atividade nos museus da capital, projeto em parceria com o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram).

 

A programação tem âmbito nacional. Até 25 de setembro, serão mobilizadas 753 instituições em todo o país, com mais de 2 mil atividades. Serão oferecidas visitas mediadas, palestras, oficinas e exibição de filmes – tudo de graça. Com o tema Museus, memórias e economia da cultura, as ações se estendem a centros culturais, ruas, praças e internet.

Em BH, a ação de abertura da Primavera dos Museus destaca o trabalho do Munap, criado em 2006 pela escritora e artista plástica Regina Mello, de 56 anos, para trocas de trabalhos e ideias. O projeto acaba de ganhar o Prêmio Gentileza Urbana na categoria Generosidade, concedido pela seção mineira do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-MG).

 

O Munap produz livros de artista e publicações, além de promover saraus no terceiro domingo de cada mês. ''Relações pessoais é o que nos move e comove. É isso que humaniza. Gostaria que as pessoas pensassem nos museus não só como lugares que guardam objetos, mas também memórias, pois são lugares de vida'', afirma Regina Melo, comparando a instituição à primavera. ''Eles não são apenas passado, mas presente e futuro. Espaços onde se pode crescer, locais de criação, onde há oportunidade de interlocução com os outros e consigo mesmo'', acrescenta.

 

 

''Nosso desafio é criar museus que nos representem, que mostrem a nossa memória, a nossa arte e diversidade'', propõe Celina Lage, de 44, professora de curadoria na Escola Guignard da Universidade Estadual de Minas Gerais (Uemg). Em 2014, ela criou o Museu Virtual dos Brasileiros e Brasileiras no Exterior, que existe apenas no ciberespaço. A proposta surgiu quando Celina morou na Grécia. Lá, ela constatou que os brasileiros que vivem fora do país acabam “invisíveis e isolados”, por não contar com redes de contatos.

 

Com o objetivo de dar visibilidade a esses cidadãos, Celina recebe material dos cinco continentes. A partir dele, cria exposições e recortes específicos. As mostras são caprichadas, têm catálogo virtual e, às vezes, ganham projeções em instituições físicas. Uma delas é #indizivel, que reúne cerca de 80 imagens e estará disponível, a partir de segunda-feira, no link

 

''O museu nasceu há mais de 2 mil anos como templo das musas, como representação das artes e das ciências. Resistiu até os dias de hoje porque é uma ideia que agrada e instiga. É espaço de conhecimento e educação não formal e, especialmente, local de convivência. O desafio é democratizá-lo'', afirma Celina. Para ela, a internet oferece possibilidades de novas e aprofundadas interações com o público.

 

Celina Lage busca estabelecer processos colaborativos, transformando o público em elemento ativo na criação de atividades. ''Até para evitar que o museu seja visto como lugar com arquitetura imponente, algo opressiva, cheio de objetos importantes, mas vazio de pessoas, e que só fala da história das elites'', argumenta.

 

Há três meses, Belo Horizonte ganhou o Museu do RPG, criado pela designer de interiores Priscilla Lacerda, de 29. O acervo, por enquanto, é modesto: 21 livros com jogos (entre eles Tagmar, de 1991, o primeiro em português) e cardgames. A instituição, que aceita doações, já participou de eventos pedagógicos e de lazer.

 

A iniciativa surgiu a partir de um curso sobre gestão de museus. A primeira vontade de Priscilla era criar o Museu da Lâmpada. Porém, ela resolveu escolher algo mais simples: jogos a partir de livros ou cartas, em que jogadores interpretam personagens e criam histórias coletivamente.

 

''Gosto dos museus porque eles me fazem pensar, têm conteúdo e aguçam a curiosidade. São locais de descoberta'', explica. A ideia é ampliar o Museu do RPG, talvez até ganhando um local físico. ''RPG veio para ficar. Reúne as pessoas e é um passatempo intelectual, o que é raro'', justifica. Com relação às instituições que admira, Priscilla Laceda cita o Museu das Minas e do Metal, na Praça da Liberdade, em BH. Motivo: ''A possibilidade de interação com o acervo''.

 

PROGRAMAÇÃO

AMANHÃ
l Museu da Inconfidência. Praça Tiradentes, 139, Centro Histórico de Ouro Preto, (31) 3551-1121.
Das 18h às 21h30 – Caminhada Minas e Trilhas do Ouro: Vila
Rica do século 18 a Ouro Preto
do século 21

DOMINGO
l Museu Nacional da Poesia. Parque Municipal Américo
Renné Giannetti, Av. Afonso
Pena, Centro
Das 6h às 18h – Exposição de poemas visuais do argentino
Javier Robledo
Das 10h às 12h – Sarau Sementes de poesia (Praça dos Fundadores)

19 DE SETEMBRO
l Museu Virtual de Brasileiros e Brasileiras no Exterior (http://memoria.eu.org)
Exposição virtual #indizível #unspeakable. Curadoria:
Celina Lage, Priscila Paes,
Amanda Alves e Patrícia Ferreira. Até 31 de dezembro

20 DE SETEMBRO
l Museu Histórico Abílio Barreto. Av. Prudente de Morais, 202, Cidade Jardim, (31) 3277-8573
Das 7h às 18h – Exposições: Transporte: Itinerários derradeiros. Veículos e maquinaria relacionam
a transformação do sistema
de transporte com a evolução urbana da capital mineira até meados do século 20;
O museu e a cidade sem
fim; e 3º sinal: Belo Horizonte
em cena.
l Muquifu – Museu dos Quilombos e Favelas Urbanos. Rua Santo Antônio do Monte, 708,
Vila Estrela/Santo Antônio,
(31) 3296-6583
Exposição Memória revelada.
Fotos de Manoel do Rosário,
o Dú Retratista. Lançamento do documentário Eu não estou aqui por acaso!, sobre o único museu de favela de MG

21 DE SETEMBRO
l Espaço do Conhecimento UFMG. Praça da Liberdade, 700, Funcionários, (31) 3409-8350 e 3409-8398.
Das 15h às 16h – Trocas no museu. A partir das exposições, participantes serão provocados a pensar sobre trocas simbólicas de saberes e experiências. Os participantes deverão levar um objeto
20h – Exibição do curta BH no ritmo da luta. Um olhar sobre o carnaval de rua da capital

22 DE SETEMBRO
l Casa Kubitschek. Avenida Otacílio Negrão de Lima, 4.188, Pampulha, (31) 3277-1586
17h – Show Confraria dos amigos de JK. Seresta

23 DE SETEMBRO
l Centro Cultural UFMG. Avenida Santos Dumont, 174, Centro, (31) 3409-8280 e 3409-8290
19h – Hip-Hop no museu. Realização: Projeto Uma. Danças urbanas
19h – Uai a Pé. Visita noturna a edifícios e monumentos do conjunto arquitetônico da Praça da Estação
24 DE SETEMBRO
l Museu do RPG. Informações: museurpg@gmail.com
Das 10h às 18h – Atividades
na HQueijo Comics. Rua
Alumínio, 129, Serra. Exposição
de livros de RPG, card games e objetos tridimensionais.
Oficina de aquarela com
Olanira Anversi (às 14h).
Atividade voltada para o jogo Deuses da aventura, criado
por Don Emídio Navarro

25 DE SETEMBRO
l Memorial Minas Gerais Vale. Praça da Liberdade, Funcionários
11h – Uirapuru Canto Livre.
Grupo formado por crianças de Divinópolis interpreta canções dos álbuns Era uma vez (2006) e Lua de brincar (2011).

 

Agenda completa no link

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