Aniversário de Agatha Christie: conheça a história do desaparecimento da escritora

Hoje, ela completaria 126 anos. Há 80, desapareceu durante quase duas semanas

por Redação EM Cultura 15/09/2016 12:35

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Hulton Archive/Getty Images/Reprodução
"Sra. Agatha Christie como ela foi vista pela última vez (centro), e (na esquerda e na direita) como ela pode ter se disfarçado alterando o penteado e os óculos. O Coronel Christie diz que a esposa delarou que desapareceria se ela tivesse vontade, e, levando-se em consideração que ela é autora de histórias de detetive, seria bastante natural que ela adotasse alguma forma de disfarce para levar adiante a ideia" (foto: Hulton Archive/Getty Images/Reprodução)
 
 
Um relatório de 1926 da polícia inglesa reporta o desaparecimento de uma mulher: "35 anos, 1,70m, cabelo avermelhado e anelado, pele clara. Boa forma, vestida com um casaco cinza-escuro, pequeno chapéu verde, um anel de platina com uma pérola, mas sem anel de casamento". Esse poderia ser o início de um livro de mistério escrito por Agatha Christie, mas, na verdade, foi a vida dela própria.

Hoje, a escritora inglesa completaria 126 anos, e, há 80, protagonizou um conto de suspense da vida real.

Em 1926, seu casamento com o militar aposentado Archibald Christie completava 12 anos, e incluía uma filha de sete. A essa altura, Agatha já tinha escrito seis livros e alcançado algum reconhecimento. O casal, porém, ainda lutava para conciliar as diferenças.

A gota d'água para a paciência de Agatha foi o anúncio do marido de que ele passaria um final de semana "com amigos". A suspeita da escritora, que afinal conhecia tudo sobre intrigas, era que um desses amigos seria Nancy Neele, amante de Archimbold.
 
 
Rex Features/Reprodução
Agatha Christie e o marido, em 1919 (foto: Rex Features/Reprodução)
 
 
Foi o suficiente para a escritora arrumar as malas e desaparecer sem aviso. Não era o caso de uma fuga do marido, já que ela recusava o divórcio que ele supostamente tinha sugerido. Na verdade, não se sabe exatamente por que ela resolveu sumir. Fato é que durante 11 dias ela foi a personagem central de uma história tão boa quanto poderia ter escrito.

Dos jornais londrinos ao The New York Times, vários veículos de comunicação cobriram de perto as buscas por Agatha. Uma manchete de 9 de dezembro de 1926 do The New York Times, seis  dias após a fuga, aponta que "500 policiais e aviões procuram pela Sra. Christie; o terrier [cachorro com bom faro] favorito dela também participa das buscas pela escritora inglesa desaparecida".

Até o criador do detetive Sherlock Holmes, Arthur Conan Doyle, se envolveu no caso, e entregou uma luva da escritora a uma médium, para que ela contatasse espíritos que ajudassem a localizar Agatha.
 
 
Hulton Archive/Getty Images/Reprodução
"Beagles foram utilizados ontem na busca renovada ao redor das Newlands Corner pela Sra.Agatha Christie, a escritora desaparecida, cuja última fotografia aparece acima. À direta, está Rosalind, a filha de sete anos da autora, fotografada nas terras da casa em Sunningdale" (foto: Hulton Archive/Getty Images/Reprodução)
 
 
Fãs temiam que ela pudesse ter sido assassinada, e as suspeitas recaíam sobre o marido. A tensão aumentava quando, finalmente, um admirador, que tocava música em um spa, reconheceu a escritora entre os hóspedes. Ela se hospedeu usando o nome Tereza Neele - curiosamente, o mesmo sobrenome da amante do marido.

Ela não deu explicações públicas sobre o sumiço, e assinou o divórcio dois anos depois, em 1928. Andrew Norman, um dos biógrafos da escritora, levanta a hipótese de que o caso tenha sido um episódio de "estado de fuga", uma breve amnésia causada por estresse.

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