Festival em Belo Horizonte mescla música e artes gráficas

Programação reúne ilustradores e artistas de música para discutir o diálogo entre a produção independente das artes gráficas e de bandas autorais

por Ana Clara Brant 02/08/2016 20:03

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Karina Buhr/divulgação
Karina Buhr/divulgação (foto: Karina Buhr/divulgação)

 

A baiana radicada em Pernambuco Karina Buhr é uma multiartista. Canta, compõe, atua, toca percussão, escreve e ainda desenha. Esse lado de ilustradora será mostrado ao público durante o Traço – música e desenhos ao vivo, festival que ocorre amanhã, sexta e sábado, n’A Autêntica, e propõe apresentação conjunta e simultânea de bandas e desenhistas no palco.


Enquanto o cantor e instrumentista Curumin tocar, pela primeira vez, Karina vai realizar uma performance desse gênero e soltar sua criatividade no desenho. “Gosto muito de desenhar e nem sei dizer o que mais me fascina nisso. Acho interessante um projeto como o Traço, que mescla música e artes gráficas. Nessas duas linguagens, quem toca e desenha sente na hora. Para mim, é tudo muito ao mesmo tempo, não tem uma coisa muito cerebral, é mais de sentir e riscar”, opina a artista, que desenha desde criança, mas só há uns cinco anos investiu nessa arte como trabalho.

Desde 2012, ela mantém coluna mensal, com texto e ilustração, na Revista da Cultura, publicação da Livraria Cultura, onde também lançou, em 2013, uma coleção de cadernos com ilustrações suas. Em 2012, criou o fanzine digital Sexo ágil e, desde então, lança nova edição a cada 8 de março, Dia Internacional da Mulher, em parceria com a designer Camila Fudissaku.

Uma das curadoras do evento, a produtora cultural Helen Murta explica que, quando o projeto foi idealizado, a proposta foi unir os públicos das artes gráficas e da música. “Durante os shows, artistas criam ilustrações, histórias em quadrinhos, pinturas ou outras produções, que são projetadas em tempo real em um telão montado no palco. A criação é uma experimentação. Cada desenhista escolhe a técnica que vai usar e que tipo de obra pretende fazer de acordo com o som da banda com a qual ele se apresenta. É bem interessante”, destaca.

O Traço estreou em agosto de 2014 como iniciativa independente, já passou por quatro locais da capital mineira, e, com esta edição, completa 27 apresentações inéditas de música e desenhos. Em 2016, ele traz algumas novidades. Aprovado pela primeira vez na Lei Municipal de Incentivo à Cultura, o festival conseguiu reunir em três dias de programação gratuita não só as performances de música e desenho, já tradicionais, como debates, lançamentos de livros e agregar o projeto Faísca – Mercado Gráfico, feira de produção gráfica voltada para o cenário independente que ocorre mensalmente no BDMG Cultural há mais de um ano.

Outro convidado é o ilustrador e cartunista Ricardo Tokumoto, que vai lançar no sábado a nova edição do livro Ryotiras omnibus pela Editora Miguilim. A publicação foi produzida originalmente por meio de financiamento coletivo em tiragem já esgotada de 1.500 exemplares e por isso a nova versão. “É uma obra que faz um apanhado do meu trabalho de 2007 a 2012 e foi reunido de maneira cronológica para que as pessoas pudessem ver a evolução do meu traço, o contexto de cada época. Como esgotou, a Migulim fez uma nova edição que vai manter praticamente o mesmo conteúdo, porém com algumas novidades”, revela.

O título do livro é uma brincadeira com as iniciais de seu nome (Ryot – Ricardo Yoshio Okama Tokumoto), a palavra em inglês riot (revolta, tumulto, baderna),  e o sufixo ira, que também completa tiras. “Quando comecei, fazia muita crítica social. As tiras nasciam da revolta, da minha ira, e por isso resolvi fazer essa brincadeira de Ryotiras. Já omnibus significa todos em latim e dá essa ideia de compilação que eu queria”, explica.

Pela segunda fez no evento, o ilustrador é só elogios ao festival, que permite o encontro de artes complementares. “Muitas vezes, esses públicos não se esbarram porque cada um tem eventos distintos. E o bacana do Traço é que, não só para quem curte, como para quem participa, possibilita ter contato e conhecer artistas de outras linguagens, estilos. Não deixa de ser um intercâmbio, mas uma vitrine também”, analisa.

DEBATES Além do lançamento do livro, Ricardo Tokumoto vai estar presente no debate “Vida selvagem: Pagando as contas com quadrinhos”, com a presença de outros ilustradores. Ele diz que realmente a vida de um quadrinista independente não é fácil, praticamente mata um leão por dia. “Você não fica apenas com a parte da criação. Tem que cuidar de tudo: vender, publicar, participar dos eventos, fazer o marketing. Mas, por outro lado, com essa coisa da internet, surgiram outras possibilidades e mercados e isso facilita bastante”, frisa.

Karina Buhr também vai dar as caras em outro debate. Ao lado da cantora mineira Sara Não Tem Nome, do músico Curumin e do jornalista e produtor cultural Marcelo Santiago, vai discutir “Por onde anda a música autoral?”. “Ela está em todos os lugares. Nos saraus de poesia na rua, nas salas das casas, nos pagodes de fim de semana, nas escolas, toda hora e em todo lugar tem gente criando música. E daí a importância de se falar sobre isso”, resume.

O Traço traz também como convidados o quadrinista carioca André Dahmer; o artista plástico, editor e quadrinista paulistano Rafael Coutinho; a banda de um homem só curitibana O Lendário Chucrobillyman; a quadrinista brasiliense Lovelove6; a banda mineira Iconili. A ilustradora Chantal Herskovic – que publica a série de tiras diariamente no Estado de Minas desde 1999 –,  vai lançar o livro Juventude.

PROGRAMAÇÃO

>> Amanhã
20h – Lançamento do livro Quadrinhos dos anos 10, de André Dahmer (Quadrinhos na Cia., 2016)
20h – Debate: Produção de risco: lugares e possibilidades da cultura, com Gabriela Carvalho, Ione de Medeiros, Jonnatha Horta Fortes, Leo Moraes e Rodrigo Cunha. Mediação:
Helen Murta

APRESENTAÇÕES
(a partir das 22h30)
– Di Souza com Criola
– Iconili com André Dahmer
– DJ Yuga

>> Sexta-feira
20h – Debate: Ebulição: mercado gráfico agora
Com Jão, João Perdigão, Maíra Nassif e Rafael Coutinho.
Mediação: Matheus Ferreira

APRESENTAÇÕES
(a partir das 22h30)
– Fadarobocoptubarão com Jão
– O Lendário Chucrobillyman com Rafael Coutinho
– DJ Meio Desligado

>> Sábado, dia 6
14h – Lançamento da nova edição do livro Ryotiras omnibus, de Ricardo Tokumoto (Editora Miguilim)
16h – Lançamento do livro Juventude, de Chantal Herskovic
(Editora Miguilim)
17h – Debate: Vida selvagem: pagando as contas com quadrinhos, com Aline Lemos, Lovelove6, Ricardo Tokumoto e Rafael Coutinho. Mediação: Jão
19h – Debate: Independente e além: por onde anda a música autoral, com Curumin, Karina Buhr, Marcelo Santiago e Sara Não Tem Nome. Mediação: Carol Bicalho

APRESENTAÇÕES
(a partir das 21h)
– Astigmatrio com Alves
– Sara Não Tem Nome com Lovelove6
– Curumin com Karina Buhr
– DJ Luiz Valente

TRAÇO – MÚSICA E DESENHOS AO VIVO

Amanhã, sexta e sábado n’A Autêntica (Rua Alagoas, 1.172, Funcionários, (31) 3654-9251). Entrada franca, mediante retirada de ingresso no local (um par de entradas por pessoa).
Classificação: 18 anos. Informações: www.facebook.com/festivaltraco.

 

 

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