Belo Horizonte recebe a terceira edição da Manifestação Internacional de Performance

Apresentações gratuitas e debates fazem parte da programação, que vai até quinta, dia 4, na Praça da Liberdade e em ruas Centro

por Walter Sebastião 01/08/2016 11:30

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Christina Simons/Divulgação
(foto: Christina Simons/Divulgação)
Na última década, um gênero artístico ganhou popularidade em todo mundo: a performance. Arte construída, geralmente, com ações que interpelam as convenções, ela extrapolou os espaços das artes visuais, chegou ao teatro, à música, à poesia e vem sendo usada inclusive em manifestações de diversos movimentos sociais. A palavra performance se tornou comum no vocabulário cotidiano e feza despontar até um ícone público, que deixou muita gente encantada: a romena Marina Abramovic, que ganhou filme, livro e exposição, inclusive no Brasil.


Com mais de uma década de existência em Belo Horizonte, um evento que vem afirmando a importância dessa vertente artística é a Manifestação Internacional de Performance (MIP), a primeira mostra no Brasil dedicada ao gênero. A nova edição da mostra traz obras de artistas nacionais e internacionais (de Irlanda, Austrália, Holanda, Canadá, Japão) e começa hoje, com apresentações nas ruas do Centro, na Praça da Liberdade, e debate, a partir das 19h, na galeria de arte do BDMG Cultural. E se espalha por teatros, praças e ruas. Na programação, ainda, debates, lançamentos de livros e oficinas. O evento é ´priomovido pelo Centro de Experimentação e Informação de Arte (Ceia), que promove várias atividades de produção e formação na arte contemporânea.


“A performance, mesmo as mais herméticas, têm grande potência comunicativa. É um gênero que não cobra conhecimento prévio para as pessoas se relacionarem com ela”, observa o curitibano Fernando Ribeiro, de 37 anos, apontando o que, para ele, talvez seja motivo da empatia com a prática. Ele assina a curadoria da MIP3 com Marco Paulo Rolla, um dos criadores do festival mineiro. Mais: ele é cria da mostra. Esteve no primeiro MIP, em 2003, e hoje, além de seu trabalho, coordena programação mensal dedicada à performance em Curitiba (PR).


Fernando Ribeiro conta que o perfil na nova edição do MIP articula o emergente com o histórico. De um lado, a apresentação do que vem ocorrendo na cena atual da performance; de outro, consideração com criadores cuja longa vivência no setor criou uma história e novas referências sobre a performance. Uns e outros, acrescenta, trabalhando com criações, cujo mote são reflexões sobre arte, mundo e vida. “Vamos reunir artistas que encontraram na ação e no uso do corpo uma potência poética que não conseguiam com outros meios”, afirma.


O cocurador explica que em cena está uma arte até efêmera, que instaura um momento “no presente” e, partir daí, enuncia temas ligados à história pessoal, o corpo, o contexto em que se vive, as relações entre o indivíduo e o coletivo, a história, os lugares etc. Ganham destaque, em 2016 performances nos espaços públicos. “Identificamos um movimento forte no Brasil ligado a esse tipo de ação. A rua é ambiente complexo, com forte interação entre as pessoas, regulado por leis, aspectos que, inevitavelmente, fazem com que as intervenções sejam um diálogo com tais aspectos”, analisa


Analisando a situação da performance no Brasil, Ribeiro explica que é um gênero que tem presença na arte brasileira, mas que ainda está construindo um lugar para si no circuito cultural. Ele aponta como novidade o intercambio que começa a existir entre as diversas cenas regionais, que vêm se expandindo e se conectando. O cocurador saúda o pioneirismo do MIP: “É um evento extremamente importante para o conhecimento da performance-arte no Brasil. Foi participando do MIP que vi o que se fazia em um contexto mais amplo. Gostaria de oferecer a mesma experiência a outros artistas”, avisa.

 

 

3ª Manifestação Internacional de Performance (MIP3)
Abertura hoje, às 19h, com debate com Fernando Ribeiro e Marcos Paulo Rolla, curadores do evento, seguido de apresentação da performance Wrap warp, com Alaister MacLennan (Irlanda). No BDMG Cultural (Rua Bernardo Guimarães, 1.600, Lourdes, (31) 3219-8486. Entrada franca. Programação completa no site www.ceiaart.com.br.

 

APRESENTAÇÕES

HOJE
- Das 14h30 às 18h, Praça da Liberdade
Ensayo sobre la desaparición: Mala notícia, com Wilson de Avellar (BH)
- Das 16h às 19h30, ruas entre Sesc e BDMG Cultural
Ventoforte, com Xepa (Luis Arnaldo, Marcelino Peixoto, Viviane A. Gandra) (BH)

MESAS REDONDAS
AMANHÃ

- “O Ensino da Performance”, com Marco Paulo Rolla (BH) e Rose Akras (Brasil/Holanda)

QUARTA-FEIRA
- “Performance e Intervenção Urbana”, com Fernando Ribeiro (Curitiba) e Wilson de Avellar (BH)

QUINTA-FEIRA
- “Performance: Um Percurso Histórico”, com Alastair MacLennan (Irlanda) e Jill Orr (Austrália)
- Sempre às 15h, no Teatro de Bolso do Sesc Palladium (Rua Rio de Janeiro, 1.046, Centro, (31) 3214-5350). Entrada franca.

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