10 momentos da Virada Cultural de BH que provam: arte e política são inseparáveis

Um resumo do evento que levou 580 mil pessoas às ruas da capital e teve forte teor crítico diante da crise brasileira e da proibição de manifestações a artistas

por Fred Bottrel 10/07/2016 20:31

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Para o público, não teve cláusula oito e a cidade tomada por arte (e política) movimentou 580 mil pessoas em 24 horas. O balanço final da Virada Cultural – divulgado pela prefeitura de Belo Horizonte ao cair da tarde deste domingo – veio acompanhar a ressaca dos que tiveram pique para percorrer as ruas da capital atrás dos eventos. Está para surgir alguma segunda-feira mais odiada do que a que vem por aí...

Atravessadas por forte tom político, as atrações zombaram da polêmica cláusula oito - ítem dos contratos que proibia manifestações políticas dos artistas, em atendimento à legislação eleitoral. Em consequência, sobrou principalmente para o governo interino de Michel Temer e para a administração da prefeitura de Márcio Lacerda. Listamos aqui alguns dos momentos dessa virada que provam: tentar separar arte e política é não entender nada de política. Nem de arte.

Zé Celso
Gabi Cerqueira/Divulgação
(foto: Gabi Cerqueira/Divulgação)

O Teat(r) Oficina Uzyna Uzona trouxe espetáculo engajado e colocou o Sesc Palladium abaixo com crítica política pungente. Resgatou texto de 1940 de Antonin Artaud, que se mostrou surpreendentemente atual na crise que o Brasil enfrenta.

Johnny Hooker

Leandro Couri/EM/D.A Press
(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)

Diante de uma Rua Rio de Janeiro apinhada de gente, o multifacetado artista pernambucano colocou o público para pular. A perfomance de Johnny em si é um protesto do escracho e da doçura contra o conservadorismo. Se Cazuza e Ney Matogrosso tivessem conseguido fazer um filho, ele seria Johnny Hooker.

Sandra de Sá
Ramon Lisboa/EM/D.A Press
(foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)

No Parque Municipal, uma das atrações principais foi Sandra de Sá. A cantora abriu a apresentação com Demônio colorido e levantou os fãs no início da madrugada de domingo. Embora durante o show a cantora tenha evitado reagir aos gritos de "Fora Temer" da multidão, ela defendeu o poder transformador da arte: "Tem que ter Virada Cultural no Brasil inteiro. Apresenta cultura pro povo que você vai ver só!".

Gaymada
Paulo Filgueiras/EM/D.A Press
(foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)

"As bicha, as trans e as sapatão vão comandar a revolução", bradava o público. O evento esportivo-artístico do coletivo Toda Deseo colocou mais uma vez "a cara no sol" e provou porque é uma das criações artísticas de maior frescor na cidade nos últimos tempos.

Masterplano
Fred Bottrel/ EM/D.A Press
(foto: Fred Bottrel/ EM/D.A Press)

A alternativa festa eletrônica ocupou a tão esquecida Praça Rio Branco, cenário perfeito para as projeções com rostos de políticos sob um pedido de "socorro" em letras garrafais. Batidas de música eletrônica, na integração com a população em situação de rua do local tornam a própria festa um ato eminentemente político.

Criolo
Marcos Vieira/EM/D.A Press
(foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press)

O paulista Criolo e o Dj Dan Dan emocionaram o público na Praça da Estação, com mensagens pregando boas energias, e mantiveram o tom de protesto. “Repressão vai se f...” disse o artista. Criolo homenageou os estudantes que ocupam as escolas e Dan Dan avisou: “cada mina com quem vocé mexe na rua, é um ato de violência.”

Renegado
Marcos Vieira/EM/D.A Press
(foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press)

No palco principal da Virada Cultural, o rapper Flávio Renegado foi categórico: “Nunca vão calar a voz do povo”, referência indireta à polêmica cláusula. Ele chegou a vestir uma camiseta com “Cláusula 8” de um lado e “Fora Temer” do outro.

Duelo de passinhos
Marcos Vieira/EM/D.A Press
(foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press)

A batida periférica do funk reverberou nos arcos de um dos principais cartões postais da cidade. Na final da dança disputada no grito (vence quem leva mais aplausos do público), ganhou o garoto Lek Lek: "A favela gosta do funk. É uma parada consciente em que a gente se empenha, mas que o governo se nega a divulgar".

Baianas Ozadas
Marcos Vieira/EM/D.A Press
(foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press)

Com quantas vogais se faz um refrão de axé? Não sabemos. Mas a conta não importa para as 5 mil pessoas que cantaram junto à banda do maior bloco de rua do Carnaval de Belo Horizonte, no Parque Municipal. Meninos e meninas com turbantes, saias e adereços se agitaram ao som da Bahia no gramado de um dos principais pontos turísticos da capital.

Elza Soares
Leandro Couri/EM/D.A Press
(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)

Fechando a programação do palco principal na Praça da Estação, Elza atrasou, mas não decepcionou. Com o show marcado para 19h, a Mulher do fim do mundo só começou a cantar, entronada no centro de um imponente cenário, às 20h30, mas o show-manifesto da cantora fechou a Virada em grande estilo.
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Participaram da cobertura do Estado de Minas para a Virada Cultural 2016: Ana Clara Brant, Ângela Faria, Carlos Altman, Carolina Braga, Celina Aquino, Cristiane Silva, Flávia Ayer, Fred Bottrel, Helvécio Carlos, Jociane Morais, Leandro Couri, Liliane Corrêa, Isabela Souto, Ivan Drumond, Mariana Peixoto, Marcos Vieira, Pablo Pires, Paulo Filgueiras, Pedro Galvão, Ramon Lisboa, Sandra Kiefer, Silvana Arantes e Walter Sebastião

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