Mostra O poeta voador, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, traz curiosidades e réplicas de invenções

Com seis meses de existência, museu já atraiu mais de 660 mil visitantes

por Ana Clara Brant 03/07/2016 10:24

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Ana Clara Brant/EM/D.A Press
Entrada do Museu do Amanhã, projetada pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava, na região portuária do Rio (foto: Ana Clara Brant/EM/D.A Press )
Quando o Museu do Amanhã – considerado atualmente uma das principais atrações turísticas do Rio de Janeiro – estava sendo idealizado, o físico e escritor Henrique Lins de Barros comentou que achava complicado um museu, que geralmente tem como eixo principal o passado e a memória, visar o oposto, o futuro. Surgiu, então, a questão: Como seria o amanhã de ontem.? “Já nessa época, bem antes da inauguração, eu tinha a intenção de falar sobre o Santos Dumont (1873-1932), que era uma pessoa que pensou o amanhã no início do século 20. E pouco tempo depois do Museu abrir as portas, uma de suas exposições está focada justamente nessa figura que foi tão inovadora, ousada e futurista. Tem tudo a ver com a proposta desse espaço”, destaca Henrique, consultor científico da mostra curada por Gringo Cardia.

Deca Farroco, gerente de projetos de patrimônio e cultura na Fundação Roberto Marinho, que concebeu e realizou o museu em parceria com a Prefeitura do Rio e o Banco Santander, também ressalta essa interação entre o inventor e o novo espaço, localizado na Praça Mauá. “Nada mais apropriado do que Santos Dumont para ser tema da primeira exposição temporária do Museu do Amanhã. Foi um empreendedor, acumulou diversos conhecimentos, tinha visão de futuro, e vai permitir que as crianças e os jovens de hoje tenham esse olhar para o amanhã. Sem falar que foi um personagem global, que extrapolou os limites do Brasil”, salienta.

O poeta voador, em cartaz até 30 de outubro, destaca a capacidade de inovação desse brasileiro visionário que se dedicou à ciência e à tecnologia, inspirado pela arte e, claro, enfatiza a invenção que reconfigurou o planeta, o avião. “Não é uma exposição cronológica, apesar de mostrar os principais aspectos de sua trajetória, mas a gente tem como eixo principal esse feito que transformou a humanidade”, explica Henrique.

De maneira lúdica, com linguagem audiovisual e atividades interativas, a expografia inclui protótipos das principais criações de Alberto Santos Dumont e duas réplicas em tamanho real: o avião Demoiselle, mais completo projeto do inventor, e, na entrada do museu, o pioneiro 14 Bis. A mostra, sucesso de público, tem encantado a garotada. “Tinha que ter atrações para as crianças e os adultos, até porque são eles que levam os filhos ou sobrinhos. Todo brasileiro deveria conhecer mais sobre esse personagem revolucionário e genial. A minha intenção e a do Gringo é, inclusive, levar O poeta voador a outros lugares, inclusive, para a França, onde ele foi tão reconhecido”, destaca o pesquisador e autor de vários livros e artigos sobre Santos Dumont e a aviação.

Mesmo para um profundo estudioso do Pai da aviação, há sempre algo a se descobrir, até porque, como ressalta o escritor e físico, o inventor e cientista nascido em Palmira, hoje Santos Dumont, na Zona da Mata mineira, teve participação em praticamente tudo que ocorria de mais relevante nas décadas de 1910 a 1930. Entre as curiosidades lembradas na exposição está a criação do Parque Nacional das Cataratas do Iguaçu. Em 1916, ao conhecer a região, o mineiro ficou tão impressionado com a beleza do lugar que usou seu prestígio para pressionar o então governador do Paraná, Afonso Camargo, para que ali fosse criado um parque. Outro dado interessante é que uma de suas invenções mais conhecidas, o Demoiselle, caiu em 1910, quando estava sendo pilotado pelo francês Roland Garros. “Quando a gente faz uma releitura sobre algo ou alguém que estudou, sempre surge alguma novidade. Mas, no caso do Santos Dumont, o grande problema é que tem muito mito e lenda envolvendo seu nome. Por isso, é fundamental saber limpar a história e apresentar o que é real”, acrescenta.

O poeta voador também serve de alerta e incentivo para a criação de um Centro Nacional de Documentação sobre o inventor mineiro. “Tem muita coisa dele espalhada e perdida por aí. Mas isso não acontece só com o Santos Dumont. O Brasil não sabe fazer isso com várias outras figuras importantes. Espero que nossa mostra traga essa reflexão”, defende. Como o Estado de Minas noticiou, o Museu de Cabangu, criado na casa onde o inventor nasceu (hoje cidade de Santos Dumont), está em mau estado e aguarda revitalização. O pavilhão criado no parque e que deveria abrigar uma exposição sobre a relação criativa de Santos Dumont com a aviação, se deteriorou. Seus documentos estão dispersos e carecem de organização e cuidado específico.

Ana Clara Brant/EM/D.A Press
Réplica do 14 Bis, invenção mais importante do Pai da aviação em exposição no Rio de Janeiro (foto: Ana Clara Brant/EM/D.A Press )


PRESENTE E FUTURO Desde a inauguração, em 19 de dezembro de 2015, o Museu do Amanhã tem sido um fenômeno de público, com filas de até duas horas. Depois de algumas críticas a respeito de excesso de lixo no entorno do museu, o problema foi resolvido. Só no primeiro fim de semana de funcionamento, o espaço – projetado pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava – recebeu 25 mil pessoas. O último levantamento (até 27 de junho) informa que 663.500 já passaram pela instituição que convida as pessoas a refletir sobre passado, presente e futuro.

A exposição principal Cosmos, Terra, Antropoceno, amanhãs e nós tem experiências interativas e ambientes de imersão para mostrar o impacto do homem no planeta. Nos ambientes, o visitante vê a dimensão humana em relação ao Universo; entende o funcionamento da Terra, dos ecossistemas e do pensamento; dimensiona o impacto da atividade humana no planeta; percebe como se desenvolvem as tendências para os próximos 50 anos e como ações provocam reações. Ao final, a mostra sugere uma reflexão, para que o espectador volte ao presente com outro olhar.

Um dos destaques é o espaço Terra, com três grandes cubos de sete metros, com conteúdos que investigam as três dimensões da existência: matéria, vida e pensamento. No cubo Vida, por exemplo, o DNA, elemento comum a todas as espécies, está representado no exterior. Internamente, a diversidade e a interconectividade da vida na Mata Atlântica são retratadas em uma seleção de fotos produzidas durante três expedições ao ecossistema da Baía de Guanabara.

O poeta voador, Santos Dumont

Em cartaz até 30 de outubro, no Museu do Amanhã (Praça Mauá 1, Centro, Rio de Janeiro) De terça a domingo, das 10h às 18h (bilheteria até às 17h). Terça-feira: entrada franca. Demais dias: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). Bilhete único dos museus (Museu do Amanhã + MAR): R$ 16 (inteira) e R$ 8 (meia). www.museudoamanha.org.br


• Destaques de O poeta voador

1. Salão principal: O público conhece os principais inventos de Santos Dumont como o 14 Bis e o Demoiselle. As réplicas dos aeromodelos planam numa grande vitrine, presas por cabos de aço, cercadas por telas interativas. Completam a ambientação 60 miniaturas motorizadas do Demoiselle, que voam de um lado ao outro, também presas por cabos de aço. Tanto as miniaturas como as réplicas foram construídas por profissionais do carnaval na Cidade do Samba.

2. Simulação do Demoiselle: Uma réplica do avião em tamanho real insere o público na história. Suspenso por um equipamento a dois metros acima do chão, o veículo simula um voo sobre a Paris do começo do século 20 e o Rio de Janeiro antigo.

3. Oficina e jogo das curiosidades: Ensina a produzir vários modelos de aviões de papel, que podem ser arremessados de uma plataforma de lançamento. Quando atingem a pista de pouso, os aviõezinhos acionam vídeos com informações e curiosidades sobre ciências, aeronaves e Santos Dumont.

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