Autor de 'O dono do Morro' é cético sobre o futuro do Rio

por Carolina Braga 02/07/2016 10:30

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Walter Craveiro/DivulgaÇÃO
Walter Craveiro/DivulgaÇÃO (foto: Walter Craveiro/DivulgaÇÃO)
O lançamento de O dono do morro (2016) trouxe mais uma vez à Flip o jornalista britânico Misha Glenny, ex-correspondente do jornal The Guardian e da BBC. Foi no encontro dele com o brasileiro Caco Barcellos, em uma das mesas oficiais da Flip, que os repórteres também partiram em defesa da legalização das drogas. “Quem ganha com a ilegalidade, a não ser o traficante e o funcionário desonesto, que ao invés de combater acaba se beneficiando?”, perguntou Barcellos.

Misha Glenny foi além. Para ele, a “descriminalização e a legalização são o futuro de um mundo racional, em que o ser humano está no centro da política”. O britânico fala isso com conhecimento de causa. O repórter se deparou com a figura de Nem, chefe do tráfico da Rocinha em 2011, pela televisão. Trocaram correspondências quando o brasileiro estava dentro de um presídio. O dono do morro é, além da biografia do traficante, uma observação sagaz sobre a complexidade da nossa sociedade. A violência gerada pelo narcotráfico entra nisso.

“O Brasil é cheio de estereótipos. Por causa disso, as pessoas de fora têm uma visão mais simplista do país”, afirma o estrangeiro. Para fazer o livro, Glenny morou três meses na Rocinha. Checou as informações repassadas pelo biografado com diversas esferas do poder institucionalizado. O secretário estadual de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, foi uma das fontes.

Por meio da figura de Nem, Misha Glenny analisa a influência do tráfico de drogas nos dados sobre a violência. Segundo ele, o índice de homicídios na cidade do Rio de Janeiro triplicou a partir do momento que o Brasil se tornou rota de passagem de entorpecentes para a Europa, na década de 1980. “Quando um país se torna corredor, o hábito se desenvolve em âmbito local”, afirma.

Para o britânico, a experiência das UPPs nas favelas do Rio foi ousada, mas não está consolidada. “A situação nas favelas ficará estável até o fim das Olimpíadas. Tenho medo de que fique muito pior depois, não somente no morro, mas no asfalto também. São muito interligados”, denuncia.


• A repórter viajou a convite do Itaú Cultural

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