Artistas celebram legado modernista de Oswald de Andrade em Congonhas

Compositora Beatriz Azevedo, diretor de teatro José Celso Martinez Corrêa e atores Matheus Nachtergaele e Roderik Himeros prestaram homenagem ao poeta paulista e a seu Manifesto antropófago

por Pablo Pires 24/06/2016 08:53

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Oswald de Andrade teria ficado contente com a celebração de sua antropofagia ocorrida em Congonhas. A compositora e poeta Beatriz Azevedo, o diretor de teatro José Celso Martinez Corrêa e os atores Matheus Nachtergaele e Roderik Himeros prestaram homenagem ao poeta modernista e a seu Manifesto antropófago, texto publicado em 1928 e fundador da filosofia oswaldiana.

No belo anfiteatro do Museu de Congonhas, os quatro subiram ao palco para realizar uma intervenção poética sobre o manifesto.

Foi um ato dionisíaco, como seria do agrado de Oswald. Matheus Nachtergaele leu um dos capítulos de Antropofagia palimpsesto selvagem, livro de Beatriz Azevedo.


Fruto de longa pesquisa, a obra é um tratado que disseca o Manifesto antropófago de Oswald, apontando-o como elemento central na cultura brasileira. Mais que isso, o livro lança luzes sobre o que muitos consideram a única filosofia genuína e autônoma produzida nas Américas.

Nádia Lages/Divulgação
Matheus Nachtergaele, José Celso Martinez Corrêa, Beatriz Azevedo e Roderik Himeros no Museu de Congonhas (foto: Nádia Lages/Divulgação)

Beatriz explica que o manifesto foi sendo germinado muito antes do Manifesto Pau-Brasil, publicado em 1923, um ano depois da Semana de Arte Moderna de 1922. Mas foi a partir da acomodação do movimento modernista e de seus protagonistas que Oswald decidiu radicalizar, fundando a antropofagia como a visão de mundo que o acompanharia pelo resto da vida.


A obra se detém em cada um dos 51 aforismos, relacionado-o com o contexto da época e as ideias do escritor. A edição, uma das últimas da extinta editora Cosac Naify, tem capa de Tunga e foi composta no formato de cardápio de banquete.

Zé Celso tem profunda ligação com a obra de Oswald de Andrade. Em 1967, sua montagem de O rei da vela, peça do escritor modernista, revolucionou o teatro brasileiro. O espetáculo é um dos momentos de brilho do Tropicalismo, ao lado do disco Tropicália e de Macunaíma, filme de Joaquim Pedro de Andrade.


Foi a partir dessa montagem que a poesia e o pensamento de Oswald de Andrade passaram a receber novos olhares e a chamar a atenção de artistas e teóricos.

“Oswald de Andrade emerge nos momentos em que há grandes abalos sociais como o movimento de insurreição que vivemos agora”, afirma o diretor. “O tempo oswaldiano é aqui e agora.” A antropofagia, que sempre norteou o princípio criativo de Zé Celso, é inconformista por natureza. No trabalho de ambos está presente a potência criativa, provocadora e desconcertante.

Zé Celso estava visivelmente emocionado de estar pela primeira vez em Congonhas, por onde passou a caravana modernista – com Oswald, Mário de Andrade, Tarsila do Amaral e Blaise Cendras – para descobrir os encantos de Minas Gerais e a arte de Aleijadinho.

Em meio às estátuas barrocas, Zé Celso disse sobre Oswald: “Ele é um profeta”.

Na celebração em Congonhas, Zé Celso e Roderik Himeros seguiram os princípios do poeta paulista. O diretor e o ator cantaram, improvisaram sobre trechos do manifesto e exaltaram a antropofagia com casos históricos de Oswald de Andrade e do Teatro Oficina, comandado por Zé Celso.

Ao final, bem ao estilo anárquico do diretor, os dois elogiaram a lua, chamaram o público para o palco e puxaram o cordão-ciranda que saiu pela lateral do museu até a rua. Um êxtase antropofágico.

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