C. L Salvaro, André Hauck e Bruno Rios exibem suas experimentações na galeria Orlando Lemos

Exposição reúne objetos, instalações, pinturas e vídeos no espaço localizado no Jardim Canadá

por Walter Sebastião 15/06/2016 08:00

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Fotos: Orlando Lemos/divulgação
A obra 'Rombo', de C.L. Salvaro (foto: Fotos: Orlando Lemos/divulgação)
“Gosto de desmascarar cenários. É esclarecedor a pessoa observar o que é cenário numa determinada situação”, afirma o artista plástico Cleverson Salvaro (C.L Salvaro), apontando questão presente nas obras que ele exibe na Orlando Lemos Galeria de Arte. São 12 peças que trazem vidro, concreto, metais e plástico – evocação a materiais da construção civil escolhidos por serem brutos, deixando explícitos resíduos, arestas e irregularidades.

O nome da mostra, 'Vazamentos e contenções', remete ao fato de C.L. Salvaro, de 36 anos, optar por trabalhar com algo que “vaza” o planejado, obrigando-o a criar contenções que trazem transbordamentos do que foi realizado. Uma das obras, exemplifica, mostra o mofo avançando sobre a madeira. “Aspecto mal visto nas artes, o mofo é bem-vindo na minha obra. É bonito observar como ele age”, observa o artista, explicando que valoriza peças em transformação física.

Rombo tem duas faces: de um lado da parede está o buraco, revelando a fiação e o material usado para construí-la; do outro vê-se o quadro feito com cimento. O artista diz que essa intervenção expõe a provisoriedade das situações. “Estou falando do circuito de arte e da arte, mas é fácil para o espectador perceber que o motivo vai muito além desse aspecto”, explica. Os trabalhos também aludem a “caminhar pela cidade”. Salvaro conta que a tensão entre construção e desconstrução é recorrente em seu trabalho, evidenciada de forma mais bruta ou com algum refinamento.

O artista nasceu em Curitiba, mora em Belo Horizonte desde 2010 e participou dos projetos Bolsa Pampulha, em Minas, e Bolsa Iberê Camargo, no Rio Grande do Sul. Na origem de sua pesquisa estavam pequenas construções com material achado por ele. A partir de 2006, elas vêm se transformando em intervenções dentro de galerias e instituições. Salvaro já obstruiu a passagem entre duas salas com isopor de embalagem de eletrodomésticos. Quando expôs no Memorial Minas Gerais Vale, na Praça da Liberdade, recriou, dentro do espaço, a fachada do prédio com papelão e isopor.

Individuais

Até 8 de agosto, a galeria Orlando Lemos exibe três exposições solo em salas diferentes, todas pontuando experimentações. Além de Salvaro, Bruno Rios mostra pinturas, desenhos, cerâmica e uma instalação (criada com cercas elétricas e plantas de proteção espiritual). O mote das peças é a relação entre o homem e a natureza.

Por sua vez, André Hauck mostra videoinstalação com imagens captadas do real e suas distorções, com diferente andamento das projeções e do áudio. “São interferências diretas sobre geradores de imagem e áudio”, observa. O resultado traz a memória de algum anacronismo. “O anacrônico é diferente da nostalgia. Se a nostalgia leva a mente para o passado, o anacrônico traz o passado para o presente”, observa Hauck.

O intertexto das obras está nas relações com a física, pontuando a percepção das coisas por meio de sua ressonância. Também estão presentes relações com as neovanguardas dos anos 1950 e 1960, sejam artistas ou compositores pioneiros no tratamento do vídeo e do som como matéria plástica.

Assim como exposições em cartaz nas galerias Celma Albuquerque e Periscópio, em BH, a mostra na Orlando Lemos exibe a nova arte brasileira, destacando autores que, depois de atuar no circuito cultural e institucional, começam a chegar às galerias de arte. Essa produção, variada quanto às mídias utilizadas, cultiva o gosto por interpelar narrativas, percepções e sistemas (expositivos, de uso das artes e da imagem, lugares e posições das coisas), buscando (ou enfatizando) outros pontos de vista sobre processos sociais, estéticos e históricos.

ANDRÉ HAUCK, BRUNO RIOS E C.L SALVARO
Objeto, instalação, pintura e vídeo. Orlando Lemos Galeria de Arte. Rua Melita 95, Jardim Canadá, (31) 3224-5634. De segunda a sexta-feira, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 14h. Até 8 de agosto. Entrada franca.

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