Exposição no Centro de Arte Popular Cemig destaca os vários aspectos da brasilidade

Esculturas, objetos e figurinos expressam a riqueza da cultura de um país multifacetado

por Walter Sebastião 09/06/2016 10:15

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Cristiano Quintino/Divulgação
(foto: Cristiano Quintino/Divulgação)
Brasilidade reúne cerca de 100 peças no Centro de Arte Popular Cemig, no Circuito Cultural Praça da Liberdade. Esculturas, pinturas, fotos, objetos, mobiliário, arte indígena e vestuário vieram de vários acervos – de coleções particulares a museus. Estão lá figurinos de Carmen Miranda e Clara Nunes, trabalhos de artistas contemporâneos e evocações à arquitetura de Oscar Niemeyer e Brasília.


Na face externa do prédio fica a coleção de trabalhos que têm Nossa Senhora Aparecida como tema. “Estamos falando sobre arte popular brasileira, sobre artistas e artesãos que, ao longo de sua trajetória, fizeram da pátria e da simbologia nacional temas de sua obra”, explica o curador Tadeu Bandeira. “Brasilidade é exaltação do Brasil”, resume.

O registro é afetivo, mas isso não abole observações críticas. Uma peça que chamou a atenção de Tadeu foi o manequim de alfaiataria, dos anos 1950, de um sorridente homem negro. Ele destaca também a manta de bumba-meu-boi com as colunas do Palácio da Alvorada bordadas ao lado da bandeira do Maranhão.

Tadeu Bandeira não esconde o encanto pela cabeça indígena esculpida por Valentim Rosa e pelo trabalhador que surgiu das mãos do artista plástico mineiro G.T.O. Destaca também a variedade de reinterpretações da Bandeira Nacional.

“Quem for ver a exposição vai sair dela valorizando o Brasil”, garante. Tadeu quer atrair crianças e escolas. “É mostra didática, onde se pode conhecer quem criou a nossa bandeira, nossos hinos e brasão”, avisa.

BRASÍLIA
Do lado de fora do prédio ficará uma Romiseta, o primeiro carro fabricado no país. Trata-se de apenas uma das várias referências a Brasília e a Oscar Niemeyer, emblema do “novo Brasil”. O arquiteto e a cidade impactaram vários setores, explica Tadeu.

A exposição também exibe móveis criados por designers que marcaram a produção nacional a partir dos anos 1950. Brasilidade nasceu de observações que, ao longo do tempo, o curador fez sobre obras e situações. Trata-se de um projeto que pontua o nacionalismo, a cultura brasileira e a memória, “motivos que hoje podem ser encontrados em muitos autores”, explica Tadeu Bandeira. Ele chama a atenção para o destaque conferido à arte indígena.

O curador explica que, deliberadamente, ignorou classificações como arte erudita e arte popular. Para ele, no contexto contemporâneo, isso diz pouco sobre a produção cultural. Tais parâmetros devem até ser abandonados. “Não adianta a pessoa ter diploma de artista, de curso de arte, se o que ela faz é inexpressivo. O mais importante é a qualidade artística, a expressão, o significado da peça”, argumenta.

Brasilidade abre o intercâmbio do Centro de Arte Popular Cemig com outros acervos. “Acho muito positiva a troca e a interação entre instituições. Todas elas e o público só têm a ganhar”, considera Tadeu. Para ele, isso vem sendo possível devido à melhora da infraestrutura de várias instituições.

Tadeu Bandeira é otimista em relação ao Centro de Arte Popular Cemig. Desde que tomou posse na direção da instituição, em março de 2015, ele cuidou especialmente de dar continuidade à programação regular. A mostra anterior a Brasilidade foi dedicada a Marcos Garcia, que apresentou desenhos. A próxima será Devoção popular, reunindo ex-votos e santos caseiros do século 19.

“A agenda traz dinâmica ao funcionamento do Centro de Arte Popular, permitindo ao público acesso a várias modalidades artísticas”, destaca o curador. A vivência no local trouxe reflexões: “O brasileiro tem dificuldade com a palavra popular, acha que ela designa coisas inferiores, sem qualidade. Só aceita a palavra na expressão ‘música popular’. Está na hora de deixar o preconceito de lado”, defende. “Ainda vejo muita gente que passa na nossa porta e não entra. Não precisa temer, é só pisar que a porta abre automaticamente”, brinca.


BRASILIDADE
A mostra, que será aberta ao público amanhã, fica em cartaz até 14 de agosto. Centro de Arte Popular Cemig. Rua Gonçalves Dias, 1.608, Funcionários, (31) 3222-3231. Terça, quarta e sexta-feira, das 10h às 19h; quinta-feira, das 12h às 21h; sábado e domingo, das 12h às 19h. Entrada franca.

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