Artista plástico Tunga foi um dos principais responsáveis pela projeção da produção brasileira no exterior

O pernambucano, que morreu ontem, dia 6, aos 64 anos, atuou como escultor, cineasta, desenhista, pintor e performer

por Pablo Pires 07/06/2016 10:40

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Auremar de Castro/EM
(foto: Auremar de Castro/EM)
Um dos grandes nomes da arte contemporânea brasileira, o artista plástico pernambucano Tunga morreu ontem, aos 64 anos. Escultor, cineasta, desenhista, pintor e performer, Antonio José de Barros Carvalho e Mello Mourão transitou por várias frentes da arte e foi um dos responsáveis – com Lygia Clark, Hélio Oiticica, Lygia Pape, Cildo Meireles, entre outros – pela projeção da produção brasileira no exterior. Tunga morreu em decorrência de um câncer na garganta, no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, onde estava internado desde 12 de maio.

Nascido em Palmares (PE), em 1952, começou sua produção no início dos anos 1970 e sua primeira individual Âo já explorava a ideia de ciclo e infinitude que perpassa boa parte de sua obra. O trabalho, adquirido pelo Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) é um filme que mostra um trecho de um túnel no Rio de Janeiro, mas, exibido em looping, cria a sensação de circularidade e de uma certa opressão, pois nunca há saída ou fim espaço-temporal para o percurso, ao som da canção Night and day, de Frank Sinatra.

Em outros filmes, além da plasticidade, Tunga trabalha o corpo como performance e o sentido biológico e de fragilidade do corpo. A performance, usando modelos, passa a ser recorrente em seu trabalho. Fez parcerias importantes com Arthur Omar (Nervo de prata) e com Eryk Rocha (Quimera). Vencedor de inúmeros prêmios nacionais e internacionais, suas obras ganharam dimensão internacional e, além do MoMA, de Nova York, o Reina Sofia, de Madri, também adquiriu um trabalho de sua autoria.

Sua inquietude e impressionante consciência sobre a história da arte e a inserção do próprio trabalho nos circuitos de galerias, museus e instituições o permitiram realizar trabalhos ousados e de escalas variadas. A partir do fim da década de 1970, dedicou-se à pesquisa de materiais e desenvolveu esculturas bastante diversas entre si. Metais (ferro, cobre, aço, chumbo, mercúrio e ímã, em que explora a ideia de alquimia), vidros e cristais.

A escultura ganha, na obra do artista, uma dimensão lúdica e mutável, em que a rigidez é abandonada em favor da ideia de expansão e mobilidade. Um exemplo desse processo é a imensa obra True rouge, instalada em pavilhão próprio no Instituto Inhotim, em Brumadinho. A presença de Tunga em Inhotim é de extrema relevância, pois foi o artista quem sugeriu ao empresário Bernardo Paz a criação de um centro de arte contemporânea no local.


repercussão

“Eu me envolvi na arte contemporânea ao ver as obras do Tunga. O trabalho dele é uma coisa estonteante, me pegou no primeiro dia que eu vi. Quis saber de onde vinha aquela loucura toda, aquele espetáculo. Convivi com ele 25 anos da minha vida, por isso sua partida me deixa muita saudade. Foi um grande amigo meu, talvez o melhor. Foi quem mais me ajudou a fazer o Inhotim. Ele queria muito que desse certo. Veio para o Inhotim e ficamos muitos meses montando suas obras. Na década de 1980, a maioria dos artistas passou pelo seu ateliê para aprender. Era um cara muito generoso. Minha felicidade foi ter feito um pavilhão no Inhotim que conta a trajetória dele. Um homem que deveria viver muito mais. Foi embora cedo.”

Bernardo Paz, idealizador do Inhotim e presidente do conselho de administração do Instituto

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