Morre o artista plástico Tunga, aos 64 anos

Pernambucano lutava contra um câncer e faleceu no Rio de Janeiro, onde estava internado desde maio. Parte de suas obras estão no Inhotim

por Estado de Minas Agência Estado 06/06/2016 17:54

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Auremar de Castro / EM
Tunga em frente à instalação 'Lézart', na inauguração do Inhotim, em 2004 (foto: Auremar de Castro / EM)
A arte contemporânea brasileira perdeu um importante nome nesta segunda-feira, 6. Antonio José de Barros Carvalho e Mello Mourão, o Tunga, faleceu no Rio de Janeiro, aos 64 anos, em decorrência de um câncer. Escultor, desenhista e artista performático, o pernambucano ficou internacionalmente conhecido por suas instalações e chegou a ter obras incluídas em grandes museus estrangeiros como o MoMA, de Nova York, o Reina Sofia, em Madri, além do Inhotim, em Brumadinho, onde se encontra a Galeria Psicoativa Tunga.

No pavilhão dedicado a ele em Inhotim, na Região Metropolitana de BH, destaca-se a instalação'‘Lézart', composta de tranças e entrelaçamentos de chapas de ferro e arame, curiosamente dispostas sem nenhum tipo de solda. Em nota, o idealizador do Inhotim e presidente do conselho de administração do Instituto, Bernardo Paz lamentou o falecimento de Tunga:

“Eu me envolvi na arte contemporânea ao ver as obras do Tunga. O trabalho dele é uma coisa estonteante, me pegou no primeiro dia que eu vi. Quis saber de onde vinha aquela loucura toda, aquele espetáculo. Convivi com ele 25 anos da minha vida, por isso sua partida me deixa muita saudade. Foi um grande amigo meu, talvez o melhor. Foi quem mais me ajudou a fazer o Inhotim. Ele queria muito que desse certo. Veio para o Inhotim e ficamos muitos meses montando suas obras. Na década de 1980, a maioria dos artistas passou pelo seu ateliê para aprender. Era um cara muito generoso. Minha felicidade foi ter feito um pavilhão no Inhotim que conta a trajetória dele. Um homem que deveria viver muito mais. Foi embora cedo."

Carreira 

Outra obra obra muito conhecida do artista é a instalação 'Ão', de 1980, que foi recentemente comprada pelo Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA). Trata-se de um filme feito em uma seção curva do túnel Dois Irmãos, no Rio de Janeiro. O trecho é repetido em looping, sugerindo um circuito da câmera em círculos, como se o tempo prosseguisse e o espectador não saísse do lugar, sem comunicação com o espaço exterior, numa jornada sem fim ao som de Frank Sinatra (‘Night and Day’).

Nascido em Palmares, na Zona da Mata de Pernambuco, Tunga começou sua carreira na década de 1970. Em 1990, ele recebeu o Prêmio Brasília de Artes Plásticas e, em 1991, o Prêmio Mário Pedrosa da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA) pela obra 'Preliminares do Palíndromo Incesto'.

 

No vídeo abaixo, produzido pelo Itaú Cultural, um registro da performance '100 Redes e Tralhas', realizada por Tunga em plena Avenida Paulista, em São Paulo:

 

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