Maurício Meirelles estreia em livro com 'Birigui', que será lançado neste sábado

A obra, que mostra um olhar infantil sobre a crueldade adulta, foi ilustrada por Odilon Moraes. Autógrafos serão até as 14h na Quixote Livraria e Café, na Savassi

por Walter Sebastião 04/06/2016 10:34

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Odilon Moraes/Reprodução
(foto: Odilon Moraes/Reprodução)
Há quatro anos escrevendo um conto sobre menino que ia pela primeira vez com o pai a uma caçada, Maurício Meirelles sentiu que a história poderia ser dedicada aos jovens leitores. Vestiu então a pele do garoto, como ele gosta de dizer, e criou Birigui (Miguilim), conto que agora sai em livro com ilustrações de Odilon Moraes. O lançamento ocorre hoje, a partir das 11h, na Quixote Livraria e Café (Rua Levindo Lopes, 274, Savassi). “É um texto que fala, com olhar assombrado, sobre a crueldade do universo adulto. E, ao mesmo tempo, focando um ritual de iniciação, trato da complexidade dos sentimentos humanos”, conta.

“No universo infantil estão presentes todos os sentimentos humanos”, acrescenta Meirelles, abarcando, sob o argumento, desde amor e ódio até temas éticos. Ao elaborar a história, teve o cuidado de deixar que ela fluísse. “O trabalho do escritor é não interferir com os juízos dele na história, deixando a narrativa acontecer”, defende. E escrever com linguagem direta, de modo a conversar com o leitor que sonha para o texto dele. “Mas é característica da minha prosa buscar a concisão, a exatidão”, relativiza, creditando a esse gosto a dedicação, até agora, aos textos curtos.

Birigui é livro para leitores dos 8 aos 130 anos”, brinca Meirelles. A classificação que separa obra para adultos e para crianças, na opinião dele, remete mais ao mercado do que à literatura. De acordo com o autor, a tarja limita o significado das obras. “Poucos compram livros rotulados como infantis por serem ilustrados. O que está em jogo, quando um volume tem boas imagens, é o prazer da leitura e estético que um bom livro traz”, argumenta. Conta que, no caso de Birigui, houve cuidado de trabalho bem elaborado inclusive no projeto gráfico, cujo uso do papel kraft, evoca tom de locais áridos e do sertão.

A afirmação e o argumento pontuam a beleza do trabalho do ilustrador paulista Odilon Moraes, um respeitado artista gráfico. O impacto das imagens, recorda o escritor, esteve presente desde o início do processo de edição. Primeiro, ao receber um layout do artista plástico pelo correio (já que Odilon não usa computadores, não tem e-mail e nem celular). Depois, ao ver o trabalho pronto, também recebido pelo correio. E, recorda o escritor, foi sensação de estranhamento bom ver imagens, que só existiam na cabeça dele, postas no papel. Não se trata, continua, de tradução visual do texto, mas “linhas narrativas paralelas, “ora convergentes ora contrapontos” se complementando.

Birigui é o primeiro livro solo de Maurício Meirelles. Ele é arquiteto tem 49 anos e, até agora, publicou  textos no Suplemento Literário Minas Gerais e revistas, como Germina ou Pessoa. Tem se dedicado a narrativas curtas. “É prazer pela concisão, pelo trabalho de fazer, cortar, polir até achar a forma justa”, conta. No momento, se dedica a um livro de contos cujo título provisório é Fronteira, conceito explorado em várias perspectivas (no volume animais, humanos animais, humanos e máquinas narram as histórias).

Com relação aos autores que admira, exatamente pela perícia no uso de linguagem concisa, são Jorge Luis Borges, Juan Rulfo e Graciliano Ramos. “E, pela invenção na linguagem, Guimarães Rosa. Birigui tem como eco de fundo os textos de Guimarães Rosa”, observa.

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